Monday, July 30, 2007

Trienal de Arquitectura de Lisboa


Não posso fazer qualquer post oficial no site da Trienal porque simplesmente não vi o Pólo I- o Pólo por excelência.

Vi os outros dois. Vi o que me apetecia ver e fiquei com umas réstias de sentimento de culpa, como profissional, por ter cedido à tentação de uma “imperial” fresquíssima numa esplanada em vez de…

Siza é Siza e sabe bem à alma, aparte as fotografias serem más (ou mal impressas) e a Serpentine ter sucumbido ao calor do espaço. A organização do espaço pareceu-me bem e a selecção das obras interessante. Sem a pretensão que é tão comum à nossa colectividade profissional.

O Pólo II, que visitei por interesse pessoal, pareceu-me bem no modo de exposição da secção destinada às áreas metropolitanas. Menos bem quanto ao conteúdo. Levanta-me uma questão: organizar uma exposição mais que projectar a forma é construir o conteúdo de um modo legível e apreensível. Não chega dizer que o tema é o “vazio urbano” e deixar quase totalmente aos participantes a definição do conteúdo. Os textos são cada um de sua nação, compridos e maçadores; os projectos seleccionados muito díspares e pouco coesos no conjunto; a grande percentagem de planos, mal expostos e mal explicados ( e um plano é sempre difícil de explicar). Por isso a exposição parece mais uma feira de vaidades do que uma mostra das áreas metropolitanas. Como pode um projecto como o do Metro do Porto estar ausente, enquanto tal, da exposição? É ou não o projecto mais relevante e mais estruturante da região?

Mas talvez seja mesmo assim: não temos áreas metropolitanas temos conjuntos de municípios, cada um por si.

Do outro lado, na secção destinada ao sector imobiliário, achei a concepção de um mau gosto atroz. Dei umas voltas por entre cortinas e panos tensos para dar de caras com Foster ou outros protagonistas inesperados desta cena. Mas não é hora para percorrer qualquer labirinto, nem momento para descobrir o minotauro- é apenas a I Trienal de Arquitectura de Lisboa.

No Polo I, uns contentores azuis, à entrada expulsaram-me do recinto e fui cair à esplanada para a já apresentada imperial.

Espero que daqui por três anos se volte a realizar, para fazer jus ao nome e para melhorar…

Saturday, July 28, 2007

a MINHA cozinha

Porque é que eu gosto de arrumar a cozinha?
Já tentamos mudar os hábitos, fazer escalas para contrariar o "machismo" e inverter o secular papel da mãe. Mas, sempre caímos no mesmo. Acabo de jantar e levanto-me. Arrumo escrupulosamente a cozinha, de imediato. Só quando tenho visitas é que a ordem cronológica dos factos se inverte. Então, gosto de ficar sentada na conversa à mesa... mas a cozinha é MINHA. Dá-me uma enorme satisfação fazê-lo diariamente, com o ruído da casa por fundo. Hoje com o meu DJ mais novo (que se está a exceder em imaginação e aprumo)! Nos outros dias, os das visitas, o arrumar da cozinha é o arrumar das ideias. O intervalo que pontua a rotina, que estabelece a ponte para o outro estádio: a leitura, o trabalho, a arrumação lúdica ( aqui entendida como deitar fora jornais, revistas ou livros seleccionando matérias), ou simplesmente a preparação para a noite de sono ou de sonhos!
Boa noite.

Wednesday, July 25, 2007

mudança de paradigma

Do paradigma da complementaridade ao paradigma da individualidade. Se no século passado, tendo como fundamento a cultura judaico-cristã realizávamos o Homem, com o sentido do dois em um(homem+mulher=um), essa meta/missão (na linguagem contemporânea) desvanece-se. Infelizmente apenas para aquela extensa minoria.

Se no final do século passado e princípios do século XXI, prevalece o paradigma da individualidade, confundido com o do individualismo (não raras vezes egoísmo, egocentrismo, narcisismo), acredito que só daremos o salto quando nos centrarmos na complementaridade múltipla. Recordo a reflexão sobre trabalho de equipa e transformo-o em respeito pela liberdade individual que se realiza paralelamente à realização colectiva.

Do lado dos afectos também. Eu, que sou eu, bebo em muitas fontes, preciso de múltiplos sabores para colorir a minha pessoa( a que gosto de chamar alma). Cada um na sua especificidade e para cada um, o respeito pela sua integridade e liberdade.

Esta reflexão apenas sentido no mundo ocidental, naquele em que não se pensa que, em quanto se luta pela sobrevivência, os nossos queridos morrem de fome, de SIDA ou de uma simples gripe por falta das drogas banais que a curem.

Tuesday, July 24, 2007

Queria.

Queria ter a posição dos claustros
A posição do monge antigo que os varre
A posição do moribundo que pergunta as horas
A posição das árvores quando as crianças sobem
A posição dos ramos quando os ninhos nascem
A posição de alguém que já não mora. Queria
Como se tivesse
A posição da casa e alguém me visitasse.

Daniel Faria

prendas

Regressei. Pelo meio de muitas experiências, de nós as duas, o fim-de -semana fluiu na pacatez das horas.
"Como as demais produções humanas, os livros são portadores de uma história, história essa cujos primórdios continham já em germe a possibilidade ou a eventualidade de um fim."George Steiner na contra-capa de "O silêncio dos livros". Cá chegou e eu lá chegarei, a lê-lo, em breve. Sabe quem sabe e sabe-me bem, em todos os sentidos.

Thursday, July 19, 2007

novidade

Quando a minha parceira se decidir passaremos o conta-mina a fundo preto, porque...
leiam o que diz este site http://www.treehugger.com/.

Por isso vou passar a usar este google www.blackle.com/.

Wednesday, July 18, 2007

ele e a arte

A última decisão da casa... contra as expectativas (será?) artes, novamente. O neófito lá foi parar. Qual o futuro, não sabemos... mas as artes, cá estão sempre. Penso: A arquitectura é a mais científica das artes. É preciso ter bons espaços para se viver bem. Continuo a acreditar que a qualidade ou a não qualidade dos espaços modifica as pessoas. E agora há as energias, as acústicas, as térmicas ... tudo contribui para a qualidade do espaço e a qualidade de vida. A nossa casa não será indiferente à escolha : artes. Sempre disse que a nossa casa é bonita. Pode não ser um modelo de conforto, mas é um espaço luminoso que se transforma a cada momento: com a luz, as pessoas, os cheiros, a música.
Mas a arte pura, como a matemática pura, como a música erudita ou clássica, são tão essenciais ao Homem como a ciência .... ou a ciência na arte - a arquitectura. E se ele escolhesse pintar ou esculpir? Porque é que agora essa Arte perde amantes? A Arte - sei que ele em todas as qualidades para criar.

Tuesday, July 17, 2007

pela manhã

Às voltas com a manhã. Umas quantas decisões tomadas na hora apenas pelo apetite. E depois...coincidências. Antena dois e um magnífico poema de Ruy Belo interpretado, não menos magnificamente, por Luís Miguel Cintra. Fiquei em êxtase. Felizmente pude gozar 30 minutos de solidão na minha sala antes de chegar o bulício da manhã. O poema encontrei-o dito no regresso a casa, no meio dos livros da minha biblioteca. Oferecido pelo meu irmão mais velho - será que ele sabia? dona isabel freire, em granada, no ano de 1526. Falta-lhe a música, que estava lá de manhã e estará lá... outra vez pelas mãos da Joana. Amanhã.

Monday, July 16, 2007

Lady Chatterley de Pascale Ferran

Fomos ao cinema ver Lady Chatterley, que a Joana já tinha visto. Durante o longo filme uma pergunta pôs-se-me: o que seria possível cortar sem que ele perdesse intensidade? Quando saímos a pergunta surgiu. Também ela se pôs a L.

É difícil perceber como tornar o filme menos longo. É um filme construído de contextos, onde as paisagens, as flores, as ervas, as árvores, as roupas, os gestos, aparentemente supérfluos, participam do erotismo presente –sempre presente e mais presente do que latente. A evolução da relação lê-se nos olhos, nas mãos (impressionantemente animadas dela – finas e grandes - e rudes e directas dele), lê-se em cada passo refeito, em cada repetição do gesto anterior que avança um pouco mais.

Esta é uma história universal e intemporal. Tão nossa – tão perdida num tempo em que a os actos tendem a confinar-se ao presente e à repetição apenas. Aqui o aprender o corpo é a dois, é para além dele, na ousadia da dádiva.

Gostei … gostei muito, apesar do cansaço e vou lembrar-me deste filme muitas vezes para sobreviver ao quotidiano.

Saturday, July 14, 2007

Sem título

não me lembro da cidade, do mês e do dia em que a tirei.

descontraidamente

É sempre assim. Digo ao meus amigos que sou como o tempo nos Açores: no mesmo dia faz sol, está enevoado, chove e volta a fazer sol. Vou arranjando motivos para esquecer os maus momentos e vertê-los em energia. Ocupo-me mental e fisicamente. Por isso as famosas "depressões" em mim, para já, não pegam. ( agora bato com os nós dos dedos na mesa para esconjurar o mau agouro, gesto que nunca fiz, mas consta da inexperiência e dos livros). Penso e repenso. Penso com a minha cabeça e tento pensar com a dos outros. Desconstruir - nada mais pós-moderno e por isso nada mais do meu tempo - eu que me fiz adulta na pós-modernidade.
E o fim de semana constrói-se por entre as férias dos outros, na inconsciência dos actos que conscenciosamente excluo do meu quotidiano. Este será verdadeiramente fim de semana porque não tenho qualquer tarefa confiscada ao dever para me entreter ... apenas estar a quatro... ou a quem mais vier por bem.

Friday, July 13, 2007

reedição

Giovani Drogo continua às voltas com o tempo na sua espera intemporal que devora o tempo.
Bach desenrrola-se nas cordas do viloncelo - as suites para...
O meu filho pergunta-me: Mãe por que me fizeste de porcelana?
Está na altura de reeditar aqui um poema que escrevi para a irmã:

Boneca de linho, o que fazes?
Porque reeditas sentimentos?
Levas-me contigo
e não sabes que as tuas penas
são momentos.
Sombras do pecado ancestral
Sempre eco
de uma culpa irreal
Que torna a angústia em tensas linhas
Montadas em redes finas
Tecidas na mesma malha das minhas.

A pergunta:

( sempre uma miragem):
Como é possível viver assim,
Em terreno de alta voltagem
Rumo ao horizonte sem fim?

Wednesday, July 11, 2007

a irremediável fuga do tempo

“ A vida é como a recta do Mindelo. Quando olhamos para trás já não sabemos onde é que ela está.” Há dois anos transcrevia esta frase do Sr Albino para um post neste blog.
Leio "O deserto dos tártaros" de Dino Buzzati, do qual a Joana já falou.
"... justamente naquela noite principiava para ele a irremediável fuga do tempo. (...) E assim se prossegue caminho numa esfera confiante, e os dias são longos e tranquilos, o Sol brilha alto no céu e parece nunca ter vontade de chegar ao ocaso.
Mas a certa altura, quase instintivamente, voltamo-nos para trás e vemos que uma cancela se fechou nas nossas costas, obstuindo-nos a via do regresso. Então sentimos que algo mudou, o Sol já não aprece imóvel, desloca-se rapidamente, ai de nós, nem temos tempo de o fixar pois já se precipita no confim do horizonte; apercebemo-nos de que as nuvens já não ficam estagnadas nos golfos azuis do céu, foram encavalitando-se umas nas outras, tal é a sua urgência; percebemos que o tempo passa e que também a estrada um dia deverá terminar."

Dino Buzzati; O deserto dos Tártaros; Cavalo de Ferro; Pág 50

Sunday, July 08, 2007

casamento

Ontem fui a um casamento. Ao fim de algumas fotografias a bateria da máquina acabou. Problemas da falta de prática. Agora tive alguns problemas para passar esta fotografia para aqui porque não tenho instalado neste computador o programa que me permite mudar o tamanho das imagens. Estou a ficar uma expert. No entanto a minha cabeça e a minha vontade são muito mais céleres que as informáticas adaptadas...quero fazer tudo depressa e faço asneiras. Mas parece que desta vez não resultou mal.

Friday, July 06, 2007

Os Arcade são de FOGO!



Enquanto as palavras extraordinário, grandioso, fenomenal, religioso não assentam para criar frases decentes sobre os Arcade Fire que vimos no SBSR, deixo-vos um videozinho da noite. Reparem naquele público. Ali, salto eu, a mãe, o pai, o P., a L., o N., o L., a M. e a S.. E como não saltar?

mulheres

Novamente hoje, para deixar um texto que me transformou pela manhã, vindo de uma amiga querida. Só é pena que não tenha sido enviado por nenhum homem...daqueles que nos amam e admiram. À parte algumas referências, que sofrem o problema da continentalidade, sinto-me perfeitamente retratada ( ou gostaria que assim fosse!)

AS MULHERES DA MINHA GERAÇÃO

………elogio profundamente merecido!

Hoje têm quarenta e muitos anos, inclusive cinquenta e tal, e são belas, muito belas, porém também serenas, compreensivas, sensatas e sobretudo diabolicamente sedutoras, isto, apesar dos seus incipientes pés-de-galinha ou desta afectuosa celulite que capitoneam as suas coxas, mas que as fazem tão humanas, tão reais.

Formosamente reais. Quase todas, hoje, estão casadas ou divorciadas, ou divorciadas e casadas, com a intenção de não se equivocar no segundo intento, que às vezes é um modo de acercar-se do terceiro e do quarto intento. Que importa?

Outras, ainda que poucas, mantêm um pertinaz celibatarismo, protegendo-o como uma fortaleza sitiada que, de qualquer modo, de vez em quando abre as suas portas a algum visitante.

Que belas são, por Deus, as mulheres da minha geração!

Nascidas sob a era de Aquário, com influência da música dos Beatles, de Bob Dylan, de Lou Reed, do melhor cinema de Kubrick e do início do boom latino-americano, são seres excepcionais.

Herdeiras da revolução sexual da década de 60 e das correntes feministas, elas souberam combinar liberdade com coqueteria, emancipação com paixão, reivindicação com sedução.

Jamais viram no homem um inimigo, apesar de lhe cantarem algumas verdades, pois compreenderam que a sua emancipação era algo mais do que pôr o homem a lavar a louça ou a trocar o rolo do papel higiénico quando este tragicamente se acaba.

São maravilhosas e têm estilo, mesmo quando nos fazem sofrer, quando nos enganam ou nos deixam.

Usaram saias indianas aos 18 anos, enfeitaram-se com colares andinos, cobriram-se com suéteres de lã e perderam a sua parecença com Maria, a Virgem, numa noite de sexta-feira ou de sábado, depois de dançar El Raton com algum amigo que lhes falou de Kafka, de Neruda e do cinema de Bergman.

No fundo das suas mochilas traziam pacotes de rouge, livros de Simone de Beauvoir e fitas de Victor Jara, e, ao deixar-nos, quando não havia mais remédio senão deixar-nos, dedicavam-nos aquela canção, que é ao mesmo tempo um clássico do jornalismo e do despeito, que se chama “Teu amor é um jornal de ontem”.

Falaram com paixão de política e quiseram mudar o mundo, beberam rum cubano e aprenderam de cor as canções de Sílvio Rodriguez e de Pablo Milanez, conhecerem os sítios arqueológicos, foram com seus namorados às praias, dormindo em barracas e deixando-se picar pelos mosquitos, porque adoravam a liberdade e, sobretudo, juraram amar-nos por toda a vida, algo que sem dúvida fizeram e que hoje continuam a fazer na sua formosa e sedutora madureza.

Souberam ser, apesar de sua beleza, rainhas bem educadas, pouco caprichosas ou egoístas. Deusas com sangue humano. O tipo de mulher que, quando lhe abrem a porta do carro para que suba, se inclina sobre o assento e, por sua vez, abre a do seu companheiro por dentro.

A que recebe um amigo que sofre às quatro da manhã, ainda que seja seu ex-noivo, porque são maravilhosas e têm estilo, ainda que nos façam sofrer, quando nos enganam, ou nos deixam, pois o seu sangue não é suficientemente gelado para não nos escutar nessa salvadora e última noite, na qual estão dispostas a servir-nos o oitavo uísque e a colocar, pela sexta vez, aquela melodia de Santana.

Por isso, para os que nascemos entre as décadas de 40 e 60, o dia da mulher é, na verdade, todos os dias do ano, cada um dos dias com suas noites e seus amanheceres, que são mais belos, como diz o bolero, quando está você.

Que belas são, por Deus, as mulheres da minha geração!

(escrito por Santiago Gambôa, escritor Colombiano)


Thursday, July 05, 2007

Trienal de Arquitectura de Lisboa

A Cultour vai organizar uma visita à Trienal de Arquitectura de Lisboa. É uma oportunidade única de visitar três dos quatro polos da Trienal num dia só. Não se deixem ficar para o último dia, porque se não tivermos trinta e cinco inscritos não pode realizar-se... e depois vão na última sózinhos ver, apressadamente, o que podiam ter visto descontraidamente. Somos boa companhia e organizamos bem a visita.
Digo isto porque hoje fui ao fim da tarde preparar a visita ao polo III, a exposição monográfica de Siza Vieira. Estou certa de que vale a pena. O Castanheira (comissário da exposição) ofereceu-me um livro, que está lá à venda com últimos projectos de Siza. Podem ter a certeza de que ele é mesmo bom, inultrapassável. Prometo dedicar-me à visita, se decidirem dar-me o privilégio de a fazer. Inscrevam-se em http\\www.cultour.com.pt.

No Público de hoje " Noite memorável com Arcade Fire", como sabem eu (nós) estive(mos) lá.

Arcade fire e outros

Muito cansada. Duas viagens de trezentos quilómetros, uma noite arrebatadora e duas horas de sono intermitente e enganador. À procura dos canadianos. Foi por eles que fui, porque intuitivamente me conquistaram. Fui atrás de uma intuição que se confirmou, para lá da música, ou de qualquer atitude racional. As discussões sucedem-se cá em casa. Conflito de gerações? Gerações em conflito ou apenas sensibilidades em tempos cronológicos diferentes à procura de um mesmo sentido? Dizem os mais novos, o que aos mais velhos lhes custa a admitir, apenas porque são mais velhos: " A partir de certa altura que interessa ouvir se tocam bem ou mal, que interessa perceber cada instrumento..." o que fica é a música e a emoção pura... que apesar da diferença de idade nos leva ao mesmo sítio.

comentário paralelo: os festivais de verão, que nada tem a ver com os de há vinte e cinco anos, são um local mágico e confortável. Sabem a férias. Foi bom o reencontro.

Tuesday, July 03, 2007

Arcadefire

Amanhã vou vestir-me de uma forma confortável.
Amanhã vou reactivar experiências de um outro modo...
25 anos mais velha e num colectivo, pelo menos, interessante.
Vamos os dois, os pais, com os dois filhos e a mãe solteira, mergulhar num outro mar.
O que nos leva? Arcadefire. Espero ansiosamente, mas descontraidamente, pela experiência.
" Oh amigo cala-te, há quanto tempo é que não vais?" Resposta: "Já sei que não percebo nada."
Percebemos ainda. "Não podes fazer isso amanhã!" My body is a cage...

Sunday, July 01, 2007

O último concerto

Desculpem os eruditos, mas não gostei do concerto que encerrou o Festival Internacional de Guitarra de Santo Tirso - Kazuhito Yamashita Quartet.
Não gostei da música, não gostei do ambiente. Se o ambiente influenciou a audição, com certeza, mas não só... não foi só isso.
A sala não tem condições: é ruidosa, é mal insonorizada. O público, mais parece que ia para uma audição escolar ou para uma festa da paróquia. Os ataques de tosse cavernosa desprendiam-se de qualquer lugar e misturavam-se com o ranger das cadeiras. Tudo para nos distrair do som do palco e nos concentrar nos ruídos da sala. ( Aguardo ansiosamente a construção do novo auditório, o Cineteatro de Santo Tirso))
O quarteto chocou-me na sua composição - um pai e três filhos menores, muito menores, vestidos com roupas surreais, a roçar o folclórico (seria? ). Uma música ocidentalizada onde sobre vem a orientalidade, mais pelo modo de abordar o instrumento do que pela composição.
Esse modo de abordar o instrumento foi a novidade. Uma guitarra deus, parte do corpo e fora dele, intocável e intangível. A doçura dos sons inaudíveis evaporam-se para lá das paredes da sala. Mas este modo de interpretar exige outra envolvente. Sem ela o anacronismo e o insólito fizeram-se presentes e desceu sobre mim um acontecimento de alguma forma obsceno.

Wednesday, June 27, 2007

Europa

Sob o paradigma da globalização não nos resta outra alternativa senão olhar para nós, sem o sentimento de hiper identidade fundamentada na interpretação excessivamente positiva e glorificadora do nosso passado histórico que, como refere Eduardo Lourenço, se transforma numa “espécie de álibi inconsciente, de informação inscrita na nossa memória, própria para nos desmobilizar e fazer perder de vista a urgência vital dos povos que se pensam, de preferência, em termos de futuro.”

A atitude terá que ser outra, indo além das nossas seculares fronteiras, para aceitar como europeus responsáveis e de pleno direito os desafios que hoje se põe à Europa.

Porque apesar de como diz Fernando Pessoa “As nações todas são mistérios. Cada uma é todo o mundo a sós” nós, portugueses e Portugal integramos a “Ideia de Europa” defendida por George Steiner na sua excelente e lúcida conferência realizada na Holanda em 2004. Somos possuidores de uma História e de uma cultura baseada na liberdade e na diferença, que se transcende pela unidade na diversidade.

Por isso temos o direito e o dever de sonhar o futuro da Europa, tal como o apresenta o filósofo:

“ (…)Liberto de uma ideologia falida, o sonho pode, e deve, ser sonhado novamente. É porventura apenas na Europa que as fundações necessárias de literacia e o sentido de vulnerabilidade trágica da condition humaine poderiam construir-se como base. É entre os filhos de Atenas e de Jerusalém que poderíamos regressar à convicção de que “a vida não reflectida” não é efectivamente digna de ser vivida”.


Conforme prometido, aqui o texto!

Tuesday, June 26, 2007

incompreensões

Não estou no meu posto habitual. Mudei de máquina e não trouxe o caderno onde tenho o nome do utilizador. Vim, por isso, ao computador mais arcaico da casa para desabafar.
Aprendi com a vida a ser paciente. Às vezes as coisas que desenvolvemos com maior carinho e dedicação são incompreendidas e desfazem-se num ápice. Assim foi. Não me chocou, mais fiquei triste. Fiquei além a perceber o assassinato das minhas ideias. Ideias que pensei já estivessem adquiridas...
Mas já sei que muitas vezes assim acontece. Lembro-me do excelente slogan da extinta e saudosa X-FM e penso que faço parte de uma extensa minoria.
Prometo que amanhã reproduzo parte do meu texto, aquele que foi mal dito e por isso se tornou incompreensível. Hoje não posso fazê-lo pela simples razão de que me esqueci do nome do utilizador do meu novo PC.

Saturday, June 23, 2007

Quintas de Leitura

"Se partires, não me abraces – a falésia que se encosta

uma vez ao ombro do mar quer ser barco para sempre

e sonha com viagens na pele salgada das ondas.


Quando me abraças, pulsa nas minhas veias a convulsão

das marés e uma canção desprende-se da espiral dos búzios;

mas o meu sorriso tem o tamanho do medo de te perder,

porque o ar que respiras junto de mim é como um vento

a corrigir a rota do navio. Se partires, não me abraces –


o teu perfume preso à minha roupa é um lento veneno

nos dias sem ninguém – longe de ti, o corpo não faz

senão enumerar as próprias feridas (como a falésia conta

as embarcações perdidas nos gritos do mar); e o rosto

espia os espelhos à espera de que a dor desapareça.


Se me abraçares, não partas."


Maria do Rosário Pedreira em "O Canto do Vento nos Ciprestes"


Este foi o poema que nos juntou, ontem, para "olhar os sons e ouvir os gestos"(no dizer de Maria João Seixas) de Maria do Rosário Pedreira, no Teatro do Campo Alegre. Este poema entrou na minha vida pelas mãos de outra companheira de viagem e passou das minhas mãos para as de outra companheira, que iniciou a viagem muito mais tarde. Nada impede que nos encontremos no mesmo barco, bebendo a mesma brisa e discorrendo nas mesmas ondas.
Ontem o mar estava sereno mas intenso, arrastou e lavou todas as feridas, numa boa maré.

Thursday, June 21, 2007

Vestido de Verão


Isto é uma menina de vestido de verão, com vontade de dançar. Isto sou em em silêncio procurando assentar ideias. Mal estejam no sítio espero partilhá-las. Até lá.

pessoas boas

Os dias têm-me rodeado de pessoas e de personagens boas. Vêm ao meu encontro pela claridade de trilhos informais. Chegam em livros, filmes, visões, músicas e chegam pelos seus pés realmente reais também. São pessoas e personagens receptivas, invólucros abertos, não fazem juízos, não condicionam o destino pela vontade, não tem desejo e por isso não têm ciúme, sede de poder ou inveja. Qualquer tarefa rotineira é boa e viver pode apenas significar lavar pratos e ouvir, sendo essa uma vida plenamente realizada. Elas estão no meu caminho para me fazerem feliz e fazem-me entender a dimensão da generosidade. É tão significante que sejam reais como inventadas. Quando as leio vejo-as, torno-as reais, para me acompanharem neste percurso de desprendimento e disponibilidade.
Mas as fronteiras são ténues: desprendimento e egoísmo, modéstia e presunção são lados tão próximos quanto antagónicos da mesma verdade.

Saturday, June 16, 2007

viagens


As viagens. As viagens são entendidas como “tempos mortos” para a maioria dos mortais. Para mim estes “tempos mortos” são essenciais. O tempo de casa para o trabalho, do trabalho para casa, o tempo que passo em filas de trânsito, as esperas pelos miúdos, as esperas no médico. Preparo-me para as esperas e preencho-as às vezes com nada. E sabem-me bem.

Na quinta-feira, dia do nosso regresso, foi um dia de viagem. Preparámo-nos para isso. Era apenas isso que iríamos fazer: fechar malas, transportar malas, esperar, esperar em filas, iludir balanças, olhar, comentar, conversar, ler… e foi um dia profícuo. Qualquer coisa muda dentro de mim quando simplesmente estou nestes tempos de espera. Nesses momentos tudo está ordem e eu nessa ordem sucessiva e sucessória.

Thursday, June 14, 2007

aqui de novo


Atravessamos fronteiras. Como todas as fronteiras, linhas limite, ilusórias e convencionais. Atravessamos também as fronteiras da alma para nos encontrarmos do outro lado.
Foram cinco dias de verdadeiras férias. A minha cabeça esvaziou-se para se preencher de bem estar. Foi assim que eu estive bem, muito bem.
Imagem de uma magnífica conversa, aqui sobre trabalho em grupo, com a minha inesquecível companheira.

Sunday, June 10, 2007

O contamina (inteiro) em Manchester.


A Maria foi lá abaixo. Roubou-me o quarto. Temos sono mais cedo do que devíamos. Andámos muito hoje. Comemos pouco, comemos bem. Conversámos muito. A Maria está comigo nos meus últimos dias aqui e, amanhã, já só faltam três. Manchester ainda reserva aventuras. E eu mudei-me para o antigo quarto do Joe, não é Maria?

Saturday, June 09, 2007

Andrew "Passarinho"


Amanhã conto-vos. Agora, vou só deixá-lo assobiar na minha cabeça mais uns minutos, antes de dormir.

Thursday, June 07, 2007

paz


A paz. Tenho falado sobre a paz na sequência de um número da "Egoísta" editado particularmente para celebrar a paz. Diz um dos testemunhos, daqueles adultos que mantêm a positividade das crianças: paz é passear e ter companhia. Hoje o dia confluiu exactamente para essa definição. Uma óptima manhã de praia com uma óptima companhia. Às tantas dou por mim a perguntar: " Não te chateio de tanto conversar?" A resposta apaziguou a minha dúvida e a paz continuou. O silêncio da noite e a atmosfera parada nesta casa desarrumada. Hoje na minha pacífica cabeça passaram todos e estou certa que todos usufruem desta calma. Mas volto à definição, é muito bom ter companhia e por isso este idílio só faz sentido quando partilhado...na impossibilidade de te trazer a ti, a ti e a ti também, fica apenas este sentimento e uma fotografia de um passatempo de praia que me fez lembrar a minha mãe.

Tuesday, June 05, 2007

Sobre fotografia

A minha relação com a fotografia não é fácil, comentava-o à hora de almoço. Por isso quando cheguei a casa fui procurar um texto de Renato Roque, que li no seu blog e que divide a fotografia em três tipos:

· a “fotografia artística” - atributo traiçoeiro - que é olhada com desdém, pois na opinião do autor esta fotografia “esquece que as aspirações da fotografia artística à invenção formal, expressão individual e marca autoral são perpetuamente circunscritas, senão determinadas, por decisões de manufactura e produção ";
· a “outra fotografia”, que nem artística é e que parece corresponder - digo parece porque o autor não a define - à fotografia que o cidadão comum faz para registar as férias, os passeios, as festas, à fotografia industrial, comercial, etc.;
· a “fotografia ferramenta” ao serviço da arte – arte, leia-se artes plásticas - que para o autor parece ser a fotografia que realmente interessa, numa perspectiva artistica.

A fotografia que eu preciso de fazer talvez não seja nenhuma destas, embora também faça a "outra fotografia". Às vezes preciso de registar imagens que, para mim, tem significado ainda que às vezes puramente estético. Não me interessa tanto o resultado final, mas apenas o registo de uma forma, uma cor, ou uma forma , uma cor que tem a ver com uma cultura e que funcionam depois como modelos para construir outras coisas: arte, ou pretensão a ela, ou textos, ou conversas sobre, ou até a sua reprodução nas coisas excêntricas do quotidiano. É talvez uma fotografia ferramenta, mas para outras artes...e não para a arte da fotografia.

Andrew Bird, Armchair Apocrypha



Andrew Bird já anda por aí, em assobios, violinadas e piruetas há algum tempo e eu já pousei os ouvidos na música dele há uns anos também. Nunca lhe liguei imenso, mas nunca me passou ao lado. Faz parte daquele grupo novo cheio de talentos com os Arcade Fire, Final Fantasy e talvez até o Rufus Wainwright. Todos eles para se ouvir com a maior das atenções. São novos e sabem bastante de como nos encher os olhos de lágrimas, de nos dar vontade de saltar e de sorrir.
O novo álbum Armchair Apocrypha é mais forte que os outros. Não que os outros não o fossem (eram!), mas este é mais rock (será?). Talvez mais pretensioso, mais escuro. Não sei bem, talvez. Mais crescido?
Sexta, vou com o Andrea ao concerto. Quero perceber como funciona o álbum em palco. E tirar uma fotografias.
Entretanto ouçam o disco e vejam esta actuação ao vivo.

a casa

A casa está quente. Todos tem direito a ter uma casa. Todos deviam ter direito a ter uma casa bonita como a nossa. Mas será que todos acham a nossa casa bonita? Não. Todos deviam ter direito à beleza. Todos deveriam saber deixar-se tocar pela beleza. Ainda que saibamos que o conceito de beleza depende da cultura. Mas também sei, que independentemente da cultura, nem todos se deixam tocar pelo belo. A experiência do belo é a experiência mais próxima de Deus.

Monday, June 04, 2007

...

Pronto, quero ir embora. Quero ir para casa.

Saturday, June 02, 2007

falar

Porque é que as pessoas falam tanto?
A mim cada vez me apetece falar menos.

ainda os livros

Quando há quatro, cinco anos, cheguei a Barcelona no dia 23 de Abril, era o dia do livro. A cidade estava em festa. As pessoas andavam com os livros na mão, na rua havia livros, ofereciam-se livros. Com "A sombra do Vento" fiquei a conhecer o Cemitério dos Livros Esquecidos. Uma grande biblioteca, com um guardião Isaac. " Este é um lugar de mistério, Daniel, um santuário. Cada livro, cada volume que vês, tem alma. A alma de quem o escreveu e a alma dos que o leram e viveram e sonharam com ele. Cada vez que um livro muda de mãos, cada vez que alguém desliza o olhar pelas suas páginas, o seu espírito cresce e torna-se forte. Há já muitos anos, quando o meu pai me trouxe pela primeira vez aqui, este lugar já era velho. Talvez tão velho como a própria cidade. Ninguém sabe de ciência certa desde quando existe, ou quem o criou. Dir-te-ei o que o meu pai me disse a mim. Quando uma biblioteca desaparece, quando uma livraria fecha as portas, quando um livro se perde no esquecimento, os que conhecemos este lugar, os guardiães, asseguramo-nos de que chegue aqui. Neste lugar, os livros de que já ninguém se lembra, os livros que se perderam no tempo, vivem para sempre, esperando chegar um dia às mãos de um novo leitor, de um novo espírito. Na loja nós vendemo-los e compramo-los, mas na realidade os livros não têm dono. Cada livro que aqui vês foi o melhor amigo de alguém. Agora só nos têm a nós, Daniel. Achas que vais poder guardar este segredo?".
Quantos segredos somos capazes de guardar, quantos livros passam esquecidos no tempo - livros demasiado importantes para alguém, que às vezes temos a sorte de nos virem parar às mãos, ainda que não pela mão do pai desvendando o segredo do Cemitério dos Livros Esquecidos. Aqui os livros que não se lêem destróem-se, não pela força purificadora do fogo, mas pela mão impiedosa da sociedade de consumo.

A hora do desenho (parte 2)

A hora do desenho

Friday, June 01, 2007

os livros

“(…) – Esta cidade é bruxa, sabe, Daniel? Mete-se-nos na pele e rouba-nos a alma sem darmos por isso.

- Fala como a Rociíto, Fermím.

- Não se ria, que são as pessoas como ela que fazem deste mundo cão um sítio que vale a pena visitar.

- As putas?

- Não. Putas todos o somos, mais tarde ou mais cedo. Eu digo as pessoas de bom coração. E não olhe assim para mim. (…)”

“(…) Bea diz que a arte de ler está a morrer muito lentamente, que é um ritual íntimo, que o livro é um espelho e que só podemos encontrar nele o que já temos dentro, que ao ler aplicamos a mente e a alma, e que estes são bens cada dia mais escassos.(…)”

Mesmo em Barcelona, a cidade dos livros. Faço parte desses seres que começam a escassear, que adoram ler livros e se deixam levar para outros mundos, ainda que apenas aqueles mundos infinitos que temos dentro de nós sem o sabermos.

dois extractos de "A sombra do vento" de Carlos Ruíz Zafón

Thursday, May 31, 2007

as palavras

Durante o dia lembro-me de palavras: uma, duas no máximo, que justapostas, sobrepostas ou separadas me sugerem ideias, para este espaço. Muitas das vezes ao longo do dia evaporam-se, como hoje. Tinha ideia de escrever sobre...
As palavras oprimem-me, às vezes. As minhas palavras oprimem-me. Na minha boca tornam-se fantasmas que crescem, repetem-se sem eu querer, são estribilhos ou cordas que me apertam. No meio de um discurso, saem-me soltas, sem que ninguém as oiça - apenas eu- para me fixarem num tempo passado que me faz esquecer, plissar, atrapalhar as ideias que pressigo na ânsia de me expressar. Por isso, também gosto de ler e gosto de escrever. Quando leio, as palavras dos outros coincidem comigo, aproximam-se e afastam-se, leio-me e leio outros. Quando escrevo uso as palavras dos outros, aproximo-as e afasto-as, releio, corrijo, escrevo, aproximo e afasto. Às vezes as minhas palavras, levam-me mais longe do que o meu pensamento e soltam-se em formas inconformáveis pelo papel. Mas não as ouço e não me ouço. A falar as palavras são meios, a escrever as palavras, para mim, são fins.

Tuesday, May 29, 2007

Conta-nos...

... lá a tua experiência com o sistema de saúde inglês!

Monday, May 28, 2007

Ó pá...

... santa paciência! calor vá!

Sunday, May 27, 2007

Jazz com Brancas e Domingos de manhã.

Ora, é Domingo. O meu penúltimo Domingo aqui por minha conta. Levantei-me às 8.30 e preparei o pequeno almoço, enquanto o Drew me falava na cozinha. Uma chávena de café com leite, um fatia de pão torrado com doce de framboesa e uma maçã. Voltei para o quarto, abri o jornal e pus-me a ouvir o jazz com brancas. A internet é uma coisa boa e o site da rtp também. O meu melhor amigo daqui de casa foi embora ontem. Despedimo-nos bem. Talvez um dia lhe volte a pôr os olhos em cima. Gosto da vida assim. Encontros e partidas. Gosto, sim.

Stanley Jordan

Tive sorte. Tivemos sorte. Nunca vi nada assim. Nunca vi tocar guitarra assim. Tento reproduzir o gesto para perceber como aquelas mãos se moviam para tirar os sons. Como é possivel tirar acordes com as duas mãos? Não dá para entender, apenas para ver e ouvir. Foi isso que fizemos. Só me vêm à cabeça adjectivos: espantoso, impressionante, surpreendente, todos superlativos. Só tenho pena que os temas base não sejam muito do meu agrado, Beatles, Jonh Lenon, Simon and Garfunkle... mas quase se esqueciam pela transmutação efectuada. Stanley Jordan: really amazing.
No Festival Internacional de Guitarra de Santo Tirso, no autidório da Artave, nas Caldas da Saúde em Areias. O festival vai continuar, não percebo bem como depois deste concerto.

Saturday, May 26, 2007

SMS

Andei intrigada com a história de um SMS que recebi, ou melhor, que recebeu quem usa o meu número de telefone antigo. Nunca chegaria lá. A mensagem era a seguinte: "Obrigada pelo texto no catálogo do Alberto". O texto eu sabia qual era. Talvez o meu melhor texto e o que mais gostei de construir. A hora a que chegou a mensagem 3.58h, e a referência familiar ao Alberto, assim só, confundiu-me. Construi histórias que batiam em tudo certo. Histórias que descartei depois de confirmado o engano. Sem hipóteses. Restava-me apenas telefonar para o número irreconhecível. Uma voz de homem! Aventei? N.? T.? Não, não estava certo. Perguntei: Quem és? O nome soou-me claro, evidente, antigo e presente. Nunca imaginado a partir das minhas actuais relações diárias. Mas era. Foi bom. Saber que em qualquer lado, há distância de anos, ainda que a poucos quilómetros, nos encontremos pelos mesmos sentimentos. Afinal, alguns de nós continuam vivos e com uma luz acesa, que nos guia no entendimento da arte da vida.

Friday, May 25, 2007

a espuma dos dias

Parecemos perdidas. Mas não estamos, pelo menos deste lado, no continente. A parte da Ilha aproveita, pelo menos assim o espero. Faltam poucos dias para que do lado de cá, continuemos, doutro modo, a dar conteúdo a este espaço. São muitas as ideias que durante o dia ( e a noite) me passam pela cabeça e sugerem comentários para este espaço. Os acontecimentos sucedem-se e as ideias submergem em vagas de actividade. Como no mar, voltarão à superfície, à luz do sol, envoltas na espuma do dia, para ficarem presas neste areal. Desde a música, actualmente muito actual ( Arcade Fire têm-me acompanhado nas viagens e nos intervalos delas, momentos de espera no serviço diário de "transportes colectivos"), até às leituras que continuam intensas e extensas, para além de maravilhosas conversas sobre "as hormonas na adolescência" povoam os meus dias. Ah! esquecia-me que na última semana convivi de perto com Valentim Loureiro, em pessoa, duas vezes! Melhor, muito melhor, que os bonecos do Gato Fedorento. Invejam-me? Não vale a pena!

Tuesday, May 22, 2007

Coincidências



pelos meus olhos.

Sunday, May 20, 2007

o limbo

Reflicto a partir da conversa que ouvi em “Um certo olhar”, sobre o limbo. Diz a igreja que o limbo acabou, não existe, ou nunca existiu. Mas como pode acabar um lugar que durante séculos “existiu”? Apaga-se da nossa história? Mas se ele também a moldou!

Ainda, como referia Vicente Jorge Silva, que não é católico, o limbo é um lugar poético, de suspensão. O limbo existe como lugar poético, um não-lugar suspenso no tempo e no espaço. Inês Pedrosa que não gosta da palavra limbo inventa em “Fazes-me Falta” o noante. Um lugar onde a personagem depois de morta, se mantém suspensa para “arrumar” alguns sentimentos humanos.

Mesmo que a igreja decrete que o limbo acabou, à boa maneira autocrática e dogmática, o limbo não se apaga da história e esse noante não deixará de povoar o nosso imaginário… para desespero da igreja, que por mais pecados e mandamentos que tenha, não consegue penetrar no nosso sonho.

Qualquer dia dir-nos-ão que não há céu nem inferno, que não há paraíso. Mas será que nós não o sabemos há muito? A fé não é contrária ao dogma?

Six Feet Under, Nobody Sleeps (temporada 3; episódio 4)

Escrevo-vos de um silêncio profundo. Há coisas que me tocam demais. Que me ensinam estupidamente. São sempre livros, filmes ou séries ou músicas. Ando a rever os sete palmos de terra de fio a pavio, porque tentei sempre seguir mas nunca consegui vê-los todos. E há o espisódio de hoje, que é denso e fulminante, que me toca nos pontos todos, que me ensina a cada frase. Há coisas tão bonitas neste mundo. Há coisas bonitas para se fazer, talvez apenas não tenha encontrado ainda a minha razão para cortar uma orelha.

E se quiserem podem vê-los todos, como eu, online, aqui.

Saturday, May 19, 2007

preciso do livro

O conta-mina merece mais. Continua a ser aquele espaço de descontracção de que preciso. Independentemente de quem lê e de como lê. Perco rastos. Não procuro mais nada para além deste espaço. Depois de uma semana alucinante que eu não soube moldar, como é hábito. Ainda bem que hoje é sexta-feira. Comi mal, dormi mal, não fiz exercício físico, trabalhei de mais e o tempo "entre" foi inútil. Semana de alta voltagem. Preciso de ligar o fio de terra para descarregar a energia. Assim vai ser. A lista de tarefas do fim de semana é parca para ser maior em descontracção. Falta-me um livro que virá - já está escolhido: "A sombra do vento" de Carlos Ruiz Zafon.

Thursday, May 17, 2007

Chove (2)

Chove em Manchester. Já chove há quase duas semanas. Desde Segunda chove de uma forma mais metafórica. Mas chove e fico presa em casa numa vaga muito grande de inutilidade. Vejo episódios seguidos dos Setes Palmos de Terra. Não tenho grandes planos para amnhã e está-me a parecer que este próximo mês será uma seca. Chove.

Chove

Parece que as duas partes deste blog estão mal dispostas. Tão mal dispostas que até nem lhes apetece falar uma com a outra. A parte de cá de excesso de complicações. Ao fim do dia o tempo espraiou-se e perdeu-se nas vagas de inactividade aos tropeções. A parte de lá... chove em Manchester. Também chove em Vermoim. Uma copiosa chuva quente, cheia de sol e calor que promete. Mas chove muito em Vermoim.

Sudden Sun


Tuesday, May 15, 2007

o nosso tempo

No tempo em que eu tinha a idade do Pedro, não quero dizer no meu tempo, porque o meu tempo é este, a educação de um jovem adolescente, a minha educação, baseava-se na dualidade corpo e espírito ( alma). O corpo era um veículo para um espírito puro. O corpo não podia sentir, não podia desejar, porque o prazer e o desejo estavam reservados para um local físico e temporal exacto, balizado por um contrato para a vida – o casamento. Os meus olhos, de rapariga tinham que irradiar a pureza capaz de aplacar o desejo dos rapazes, porque a eles sempre era dado demonstrarem desejo ainda que não o devessem consumar, pelo menos connosco. Nós, as raparigas devíamos, ser amigas, boas conselheiras, poços de virtude. Por isso sentia a minha consciência pesada, sentia-me mal, quando, com a idade dele, nos bailes de garagem, às escuras e embalada pelos famosos slows sentia o corpo ceder ao calor de outro corpo.

Hoje, quando ele me fala tão naturalmente do corpo (até ele se estranha como é que fala disso com a mãe) o mundo é outro. Ele dá-me a volta. Eu digo: Tem cuidado. Ele responde: Não te preocupes, já sabes que eu tenho bom gosto. Eu digo: Não é isso que interessa, tanto me faz que seja bonita ou feia. Ele responde desconcertando-me em forma de pergunta: E se eu namorasse com uma “burra”?

Concluo que continuo a separar o corpo de espírito.

Monday, May 14, 2007

liriodendro

Desculpem os botânicos mas não me apetece ir procurar o nome científico. Para mim é assim liriodendro tulipeiro. Está em flor. Esta flor, recolhi-a em acto de corte, cultural, porque contrário à natureza. Trouxe-a para a sala e da sala para este espaço. Muitos de nós passam todos os dias por uma árvore com flores como esta, antes mesmo de entrar no local de trabalho. Essa também está em flor.

Sunday, May 13, 2007

mais suspiros

Cá estão eles, os suspiros. Mais suspiros ao domingo de manhã - um ritual. Os domingos de manhã são dados a isso, aos rituais. Substituindo a missa por suspiros, música, contemplação, tarefas simples...

Thursday, May 10, 2007

O jogador... (suspiro)


que nos acompanhou por Manchester!

Bolha

Hoje aquela bolha que me é dada, ou que eu conquisto, de eternidade presente, sobreveio. Continuo nela. No vácuo que me transporta para o outro mundo. Aquele que não me é dado ver a não ser em momentos, por momentos. Eles porém fazem-me crer na eternidade. Uma eternidade criada sem fé e sem tempo. Naquele tempo para além do tempo finito que nós podemos recriar com os nossos precários meios de pensamento humano. Como ainda não me foi revelado esse tal outro estado transcendental, que outros humanos vislumbram, acalmo-me e espero serenamente na minha insignificante condição de partícula universal. Dentro desta sublime bolha que partilho com alguns. Bem hajam.

Wednesday, May 09, 2007

Parabéns

Hoje são oito de Maio. A nossa amiga faz anos. A homenagem parte daqui, deste lado. No outro, lá na ilha, está ela com a outra metade do blog, que pode dar-lhe os parabéns de perto. Merece-os. Agradecemos-lhe a rebeldia, a ousadia, que nos faz felizes e vivos. Muitos dos melhores momentos da nossa vida foram partilhados com ela. Muitos parabéns e OBRIGADA.
Hoje também faz anos Keith Jarret! Magnífica coincidência.

Tuesday, May 08, 2007

Snooker e o jogador

Cheguei a casa exausta mas bem disposta. Como sempre, quando estou atrasada, tudo me atrasa mais. Esqueci-me da chave e tive que sair para pedir uma emprestada para fechar a minha sala, o gás acabou em casa e tive que ligar novamente o esquentador. Mas, por fim, já passava muito das nove horas lá nos sentamos à mesa. Telefonei à Joana, ausente deste espaço e já de férias. A "curtir" com a L. uns dias chuvosos em Manchester. Diz-me ela para ligar o Eurosport e ver um jogo de snooker. Melhor, ligar a Eurosport e ver um jogador de snooker! Ela via o jogador e a L. o jogo. Sim senhor, confesso que era mais interessante o jogador que o jogo, não porque o jogo não seja interessante, mas porque eu, que sei pouco das regras do jogo, apenas me fico pela observação da sua beleza e do contexto, neste caso o jogador.

Monday, May 07, 2007

Saturday, May 05, 2007

Ute Lemper

Fui vê-la com o Pedro. Gostei de ir, mas não gostei do concerto. Achei-o completamente anacrónico. O Pedro dizia que era para pessoas de meia idade: “Está bem para a mãe da B. (colega dele na escola)".

Explico-me:

- Não se pode ver um espectáculo de cabaret na Casa da Música. Por mais que Ute Lemper tente reproduzir o ambiente, é tudo teatro. Não há envolvimento, soa a falso.

- Não gostei do conteúdo: uma salgalhada – Kurt Weil, Edit Piaf, Jacques Brel, Leo Ferré, pop de Berlim dos anos 80, Lili Marleen,…tudo cosido por uns apartes, ditos por ela num inglês mal dito, à alemã ( e o francês ainda era pior);

- Os músicos que acompanhavam eram “quadrados” e completamente fora de contexto no que se refere ao aspecto físico e comportamento: um de sapatos de atacador e fato, outro de tshirt, outro parecia um gorila musculado, o outro, um músico de flamengo.

Ela, já sabemos que canta bem, profissionalmente, mas sem alma. Tem uns braços espantosos, longos e expressivos. Soube-me a artista de circo em fim de carreira.

Tive saudades da Laurie Andersen – uma verdadeira senhora, bicho de palco e sempre a surpreender-nos.

No fim o Pedro quase me fez passar vergonhas porque dizia alto "Margarida Rebelo Pinto, Margarida Rebelo Pinto..."

Ute Lemper foi-me essencial para perceber que não gosto de tudo o que me dão, ainda que venha com o selo de qualidade.

Thursday, May 03, 2007

Digam-me como não gostar de Manchester...


... quando as ruas estão cheias disto?

Wednesday, May 02, 2007

Dia do trabalhador

Ainda hoje. O primeiro de Maio foi, para mim, um verdadeiro dia do trabalhador. Trabalhei o dia inteiro. Doem-me as costas de estar aqui sentada a escrever. Mas saiu-me bem! Como acho que ninguèm vai ler o que escrevi (esta é a condição do nosso sistema de planeamento - escrever tudo, para ninguém ler!) ao menos tenho este espaço para me auto-elogiar. Admirei-me com a minha capacidade de trabalho, de síntese e de concretização. Conformei a minha tese, quando quero sou capaz de fazer tudo. Mas fora o auto-elogio, foi para mim bom, num documento concentrar tudo o que venho pensando ao longo dos anos - um bom final para quem durante anos navegou nestas águas e agora se inícia noutros destinos, será?

Tuesday, May 01, 2007

os nomes

Quando leio não fixo a sonoridade dos nomes e por isso não consigo reproduzi-los. Fixo apenas um conjunto ordenado de símbolos que identificam um personagem. Às vezes fixo os nomes porque eles têm um significado: quando o autor dá um significado ao nome que tem a ver com a caracterização da personagem. Em Haruki Murakami é assim. Fixei Sumire, porque quer dizer violeta; fixei Canela, porque canela é exótica e cheira bem; fixei Noz-moscada pelos mesmos motivos. Mas canela e noz-moscada são nomes ficcionados na ficção da história. São nomes escolhidos pela mulher sem nome para se auto-nomear e permitir a relação. Quando estiveres de costas e eu te quiser chamar, se não tiveres um nome, como farei? Também agora, em Kafka à beira-mar, o velho, de que não me lembro o nome, sei apenas que tem um K e alguns A’s, precisa de um nome e inventa um nome para se relacionar com o gato. Quando os nossos amigos passam a ser entidades precisamos de as nomear. É pena que os nomes nos sejam oferecidos e não escolhidos em função da nossa personalidade ou será que o nome molda a nossa personalidade? Molda pelo significado ou molda pela forma, pelo som? Um nome doce, um nome breve, um nome complicado.

Monday, April 30, 2007

Jorge Queirós

Fui rever Jorge Queirós. Na inauguração, por entre ritmos sociais, tinha ficado impressionada, no sentido literal do termo (desse dia ficara-me a dimensão dos desenhos, alguns com cerca de 1,50m por 1,00m e a quantidade).Por isso falei dessa impressão a alguns amigos e tinha que ir confirmar qual o tipo de impressão que me causara.

Os desenhos, muitos, que usam diversos materiais sobre suporte de papel, grafite, de diferentes durezas, pastel, lápis de cera, aguarela, guache, são a expressão incontida da mente. Um desenho compulsivo e impulsivo, pouco crítico -aqui entendida a crítica como censura mental, ou condicionamento mental, ou fidelidade a um conceito.

O desenho é a tradução exacta de um sonho, só. Sem medo, sem angústia, pouco voltado para nós, os que vamos ver, interpretar, julgar, criticar. Por isso pouco importam as incoerências, alguns tiques, alguns desequilíbrios, algumas infantilidades. Creio mesmo que o seu maior valor é a sua própria condição incoerente, paradoxal, contraditória – um conjunto inimaginável de histórias incontáveis de outro modo. E as histórias são muitas, as dele e as nossas.

E as histórias são outras, desdobram-se quando observadas a diferentes distâncias. Uma caixa de surpresas que abre o nosso imaginário.

Quem trabalha tanto, em tanta quantidade tem que ter muita disciplina. Mas essa disciplina não se traduz em processo mental e por isso não se traduz nos desenhos. Os desenhos são indisciplinados no seu conteúdo e disciplinados na sua forma.

Comentávamos entre nós: Como será este homem? Como será o seu ambiente e forma de trabalhar? Os homens concluem: tem que ser “direitinho”.


Centro de Arte Contemporânea de Serralves, até 1 de Julho

Saturday, April 28, 2007

The Dream of Togetherness


playlist de hoje, download aqui. (o mesmo de sempre)

de Daniel Faria

Abriu-se em ferida a cerca do seu sopro

E deixas vindimar-me quem quer

Que passe

Até o muro é sombra que não floresce

Enquanto me repetem a pergunta

Tu me cultivaste

Tu me deixaste a geada sobrevir

Thursday, April 26, 2007

Isto é Manchester


Tenho uma review para fazer do cd novo da Björk, que ainda não saiu, e que portanto não vou publicar até dia 7 de Maio. Tive acesso a ele porque os meninos do iTUNES UK fizeram asneira da grossa. Mas aviso-vos é despojado, simples, delicado e rude e muito muito bonito. Oupa, já tinha saudades da música da miúda!

Wednesday, April 25, 2007

Cravo

O que queria ter fotografado estava pousado em cima de uma guitarra cor de mel e de um pano laranja. Este trouxe-o da festa para a minha jarra.

25 no estrangeiro

25 de Abril
Acordei em Manchester e tenho a apresentação de um trabalho daqui a uma hora. E eles não sabem que dia é no meu País. Ainda assim, tenho o Zeca Afonso a cantar e hoje, no estrangeiro, sinto-me tão mas tão portuguesa e tão mas tão livre! Obrigada aos que por mim e por hoje lutaram.

25 de Abril

Há trinta e três anos o dia não amanheceu com chuva. Eu tinha quinze anos, a idade do Pedro. Ontem quando ele chegou a casa, à meia-noite, vinha a cantar a Grândola Vila Morena. O Pedro canta bem. É bom que eles, os mais novos, não esqueçam o que a gente lhes conta: não esqueçam que houve um “antes do 25 de Abril” no qual, os que tinham a minha idade, a idade dele, sentiam que era preciso libertar o grande monstro invisível que espiava sem dó e castigava sem remorso. O monstro tornou-se visível nesse dia, assumiu milhares de olhos, rostos e braços. Hoje tem forma, cara, que ficou presa na nossa memória. É esta memória que sinto ser minha tarefa passar-lhes, aos mais novos, para que a tentação da verdade absoluta e fanática não volte a justificar censura, manipulação, tortura e morte. Para que Salazar seja para sempre enterrado.

Tuesday, April 24, 2007

O Nódoa

O Nódoa regressou depois de uma estadia fora. Ao que consta para defender a sua dama, que depois de ter uma ninhada de gatos, iniciou a sua vida activa. Tem sido uma correria, cá para as imediações, de tudo quanto é gato: de família ou vadio, sem dentes ou bem posto, felpudo ou de pelo raso. Todos sentem a aura que paira no ar. Mas ele monta guarda e corre com todos os que aparecem para desfrutar a oportunidade, sem outros encargos. A eleita é a "magrinha", que apesar da sua leve compleição, cumpre exemplarmente os deveres da maternidade e da "vida".

Assim é, regressou “penteadinho”, no dizer do mais velho cá da casa. Pousou ao meu lado exibindo o seu porte de gato residente. Ainda vou pensar se merece que abra a lata da ração!

Monday, April 23, 2007

And Enjoy Every Bit of You


AQUI
(penso que já sabem o que fazer. dúvidas=comentários)

Sunday, April 22, 2007

Sem título

Trabalho & conversa

A chinesa esteve no meu quarto e conversámos durante horas. Foi bonito e, apesar de culturas diferentes, partilhamos a mesma intensidade, vibramos com as mesmas coisas. Os nossos olhos são diferentes, os delas pequenos e rasgados, os meus estas duas azeitonas pretas na cara morena, mas brilham com a mesma intensidade. É bom tê-la no meu quarto, depois de um intenso dia de trabalho. Isso e a nova música da Björk, I See Who You Are. Dia bom.

Saturday, April 21, 2007

C

C de calor, de cor, de casa, de caos, de catástrofe, de canto, de chá, de coerente, de cuidado, de cuidadora, de calma, de cama, de cultura, de cinema, de cultour, de coração, de corpo, de cansaço, de coincidência, de conta-mina, de conceição.

O C é a minha letra.

(hoje também foi de Caimão)

Thursday, April 19, 2007

Manchester Guide


Ainda com os textos errados mas LINDO!

Wednesday, April 18, 2007

muitas idades

Aqui, nesta casa em diáspora somos muito sensíveis ao tempo meteorológico. O tempo influência atitudes. Felizmente aqui, o calor da primavera não tem qualquer efeito depressivo. Apenas o homem mais velho geme…mas por nada especial. Apenas porque a sua vida sedentária, os maus hábitos e a “velhice” dão sinais físicos que se assemelham ao mau estar. A nós, aos outros três, o calor puxa-nos para fora de casa, como amantes, que sempre fomos da natureza e do corpo. “Castigar o corpo” como ouço às minhas colegas da piscina, para que ele reaja positivamente à mudança, se revigore com a vitamina D, que o sol recria quando brinca com a nossa pele. Fazer fintas ao tempo meteorológico e cronológico é o que mais me atrai nesta intensa Primavera. Simplesmente o tempo cronológico que se adivinha no meu corpo dá-me outra disposição para contemplar a primavera. É isso que me apetece: uma pedra, um raio de sol, um horizonte aberto, um livro e o silêncio das músicas que me preenchem. Apetece-me fazê-lo ao lado dos meus pais, sinal do tempo e acontecimento feliz nesta minha idade.

Castle Irwell


Hoje tenho de trabalhar e não posso ir lá para fora. Os ingleses são assim, ao fim da tarde pegam nas bolas, nos discos, nos tacos, nas mantas e nas cervejas e coca-colas e aproveitam a relva. E são felizes, vos digo. Não percebo porque não fazemos o mesmo. Não temos tempo?

acumulação do erro

Esta é a reflexão que me apetece hoje. A acumulação de informação corrige o erro ou amplia o erro? Tenho por adquirido, ensinamento do meu percurso escolar, que se na premissa existir um erro, a solução do problema estará errada. No entanto esta máxima pode não ser verdade nas ciências humanas. A acumulação de muitas perspectivas diferentes, de muitas informações contraditórias, pode levar-nos a chegar a conclusões verdadeiras. Esse é o conceito da wikipédia, enciclopédia virtual, livre e aberta. Ponho esta questão porque tive que procurar uma biografia de Nuno Portas e deparei-me com informação contraditória e errada, que por isso não me satisfez. Juntei pedaços, recolhi memórias e construí a biografia que me interessava para um efeito determinado. O facto de não ter encontrado uma biografia correcta levou-me mais longe do que esperava e deixou-me muito mais satisfeita. Construí uma verdade a partir de muitos erros, que se excluíram por sobreposição.

Monday, April 16, 2007

À porta de casa, hoje.

Tarde de Domingo ao sol



O sol brotou em Manchester e apesar de o céu se ter fechado hoje, ontem eu e o A. sentámos-nos bancos da cidade e percebemos como as pessoas se movem. Nos domingos de sol, os ingleses sentam-se no chão em práticas orientais, nos bancos a ler o jornal e livros ou só a conversar. Penso porque não há em Portugal o hábito de aproveitar o sol e porque se fecham as pessoas em centros comerciais. A dois meses de partir definitivamente, começo, desde já, a sentir a pontada das saudades. De vida boa percebem eles! De espaços limpos aos olhos, das cervejas ou frappuccinos ao fim da tarde. Mas, como já se começa a sentir em outros países, a população jovem perde-se e fecha-se em casa. Disto falámos eu e o A., ontem. Nós somos os jovens maravilhados com os bancos de Domingo, no entanto. E ficámos ligeiramente mais morenos.

Ovo


Gosto disto.

Sunday, April 15, 2007

Cornerhouse


Para que melhor se entenda a coincidência de conceito, uso duas imagens da Joana que ilustram as refeições oferecidas pela Cornerhouse. A Cornerhouse é um espaço arquitectonicamente interessante e limpo, organiza ciclos de cinema, exposições e espectáculos, tem uma livraria. Lá as pessoas encontram-se. Ouve-se música óptima, concertos ou sessões orientadas por DJ's. A Cornerhouse é uma casa onde apetece parar. Quem tem oportunidade de crescer assim será certamente melhor, consigo e com os outros.

Friday, April 13, 2007

museus

Museus, um conceito diferente. Abertos e gratuitos. Sem aqueles guardas fardados que aqui nos perseguem como se nós fossemos criminosos sedentos de destruir a arte! Não será este o caminho? Em conversa com o Alberto Carneiro, dizia-me ele, que as crianças serão homens diferentes se conviverem desde sempre com arte, se ela fizer parte do seu quotidiano. Também o creio e senti-o em Inglaterra: no bom gosto dos ambientes feitos de espaço, côr, desenhos, músicas, programas e pessoas. Manchester não é uma cidade para os turistas, é uma cidade só. Lá há coincidência entre quem passa e quem está.

Wednesday, April 11, 2007

justificação

Para quem estranhou a ausência das duas autoras, saibam que elas se passearam juntas por Manchester. Saibam que a mãe foi excelentemente guiada pela filha e que por isso, os olhos de uma e de outra, não serão nunca mais iguais. Chegarão muitos ecos explícitos e implícitos desta viagem onde "os do norte" impressionaram... pela paisagem, pela despudorada nudez perante o frio, pela noite e até pela primavera que lá também desponta.

Tuesday, April 03, 2007

Arquiturismo

Apenas uma voltinha pela net antes de recomeçar o trabalho.
A Cultour este fim de semana esteve em grande no "Fugas" do Público. Arquiturismo. Um novo conceito de turismo, uma nova porta para a arquitectura. Sem melindres, sem complexos, apenas com a consciência do valor que temos e que somos. Sem pedir nada a ninguém, de cabeça levantada, mostramos ao mundo o melhor da arquitectura portuguesa. Seriamente e exigindo o retorno que nos é devido. Cá estamos para ficar.

Sunday, April 01, 2007

mar


Apesar do frio não resistimos ao apelo do mar...

dignidade

Do debate que ouço, ainda neste momento em “ Um certo olhar”, uma frase de Jorge Wemens reteve-me a atenção e sugere este comentário. Sobre a falta de dignidade humana, sobre o pouco valor que cada homem dá a si próprio, neste caso comentando a situação desumana a que se sujeitaram os trabalhadores portugueses em Espanha: viviam, sem se questionarem, a troco de cama, tabaco e meninas. Ele dizia que a falta de respeito por eles próprios decorre da falta de devolução social de uma imagem digna. Como se a sociedade fosse um espelho. Como se nós fossemos o espelho que devolve a imagem de grandeza e dignidade aos outros. Assim mesmo. Também assim penso. A auto-estima e a confiança de cada um depende da força e do respeito que a sociedade lhe demonstra. Uma sociedade que se limita a devolver-lhe, como necessidades básicas dormida, tabaco e meninas é uma sociedade visivelmente doente, especialmente podre e desequilibrada.

A “minha” imagem grande de pessoa humana é aquela que “tu” ajudas a construir. Quanto maior e melhor for, melhor serei. E a ela não podem nunca estar alheios valores de respeito pela individualidade, pela liberdade e pela diferença. Valores de democracia e de igualdade de direitos e deveres.

o prazer de ler

O prazer de ler. Peguei no livro de manhã, logo a seguir a acordar e não parei de ler até o acabar. Tive que alterar o plano do dia. Ainda não sei escrever sobre ele, ou talvez nunca consiga escrever sobre ele. Suscita-me silêncio, pensamentos, frases soltas apenas inteligíveis para quem o leu. Suscita reflexão e contraponto. Haruki Murakami, Sputnik meu amor, apenas o posso recomendar, para depois o poder ler nos vossos olhos.