Quando o desejo não se conjuga no plural
Sobrevive o singular parco e trémulo
Em momento não reeditável – sopro.
Quando o desejo não se conjuga no singular
Apenas na memória e nela sobrevive
Como um sopro trémulo – evasivo.
Quando o desejo se conjuga noutro tempo
Leve e solto, etéreo e intenso
Morre evasivo em ondas interiores – ardente.
Sobrevive no ar o desejo intenso
Material sem corpo e sem objecto
Queima ardente as pregas da existência – denso.
Voa leva e eleva quem nele vive fora
Dentro dele longe vai sem ser apenas sendo-o
Sopro evasivo ardente denso.
Nas recolhas que fazemos (às vezes) encontramos coisas interessantes e sem nome.
Nas recolhas que fazemos sem tema e sem tempo apenas vagueando por papéis escritos, livros, jornais, folhas velhas – actividade de respigar que me fascina. Deixo aqui um testemunho dessa actividade de respigar, sem nome, sem lugar, sem tempo.
Com o temporal caiu uma árvore sobre a minha casa e vim mais cedo, respigar árvores, folhas e textos.