Sunday, May 23, 2010
em torno de um livro
Monday, May 10, 2010
Valentina Sereno
Thursday, September 18, 2008
novamente o tempo
“Oh, havia pouco tempo, sim, ele sabia. Quase podia ouvir o enorme silêncio com que os ponteiros do relógio avançavam. Mas não se sentia revoltado por ser o guardião de tempo tão curto: o tempo de uma vida inteira também seria curto. Aquele homem já aceitara a grande contingência. (…)
Aliás no seu trabalho de construção da realidade, havia em desfavor de Martim a novidade de as coisas não serem mais óbvias; ele esbarrava a cada momento. Contra si, também, havia consciência do tempo preciso. Embora Martim tivesse uma grande vantagem: se a vida era curta, os dias eram longos. Ainda a seu favor ele tinha o facto de saber que devia andar em linha recta, pois seria pouco prático perder o fio da meada. A seu desfavor tinha um perigo à espreita: é que havia um gosto e uma beleza em uma pessoa se perder. A seu desfavor tinha ainda o facto de entender pouco. Mas sobretudo a seu favor tinha o facto de que não entender era o seu limpo ponto de partida.”
Clarice Lispector; A Maçã no Escuro; Relógio d’Água; pág. 144, 145
Tuesday, September 09, 2008
pensar, não pensando
“ O ser humano é uma criatura pensante, mas as suas grandes obras realizam-se quando ele não pensa nem calcula”( D.T. Suzuki), ou seja, “ pensa, embora não pensando”. E este “não pensar” é o pequeno grande segredo a que se deve aspirar, fonte da coisa única, a face do inimitável e do irrepetível”.
Moreira, José Guardado; Ecos do Japão; Revista LER; Junho de 2008