Tuesday, June 05, 2007

Sobre fotografia

A minha relação com a fotografia não é fácil, comentava-o à hora de almoço. Por isso quando cheguei a casa fui procurar um texto de Renato Roque, que li no seu blog e que divide a fotografia em três tipos:

· a “fotografia artística” - atributo traiçoeiro - que é olhada com desdém, pois na opinião do autor esta fotografia “esquece que as aspirações da fotografia artística à invenção formal, expressão individual e marca autoral são perpetuamente circunscritas, senão determinadas, por decisões de manufactura e produção ";
· a “outra fotografia”, que nem artística é e que parece corresponder - digo parece porque o autor não a define - à fotografia que o cidadão comum faz para registar as férias, os passeios, as festas, à fotografia industrial, comercial, etc.;
· a “fotografia ferramenta” ao serviço da arte – arte, leia-se artes plásticas - que para o autor parece ser a fotografia que realmente interessa, numa perspectiva artistica.

A fotografia que eu preciso de fazer talvez não seja nenhuma destas, embora também faça a "outra fotografia". Às vezes preciso de registar imagens que, para mim, tem significado ainda que às vezes puramente estético. Não me interessa tanto o resultado final, mas apenas o registo de uma forma, uma cor, ou uma forma , uma cor que tem a ver com uma cultura e que funcionam depois como modelos para construir outras coisas: arte, ou pretensão a ela, ou textos, ou conversas sobre, ou até a sua reprodução nas coisas excêntricas do quotidiano. É talvez uma fotografia ferramenta, mas para outras artes...e não para a arte da fotografia.

Andrew Bird, Armchair Apocrypha



Andrew Bird já anda por aí, em assobios, violinadas e piruetas há algum tempo e eu já pousei os ouvidos na música dele há uns anos também. Nunca lhe liguei imenso, mas nunca me passou ao lado. Faz parte daquele grupo novo cheio de talentos com os Arcade Fire, Final Fantasy e talvez até o Rufus Wainwright. Todos eles para se ouvir com a maior das atenções. São novos e sabem bastante de como nos encher os olhos de lágrimas, de nos dar vontade de saltar e de sorrir.
O novo álbum Armchair Apocrypha é mais forte que os outros. Não que os outros não o fossem (eram!), mas este é mais rock (será?). Talvez mais pretensioso, mais escuro. Não sei bem, talvez. Mais crescido?
Sexta, vou com o Andrea ao concerto. Quero perceber como funciona o álbum em palco. E tirar uma fotografias.
Entretanto ouçam o disco e vejam esta actuação ao vivo.

a casa

A casa está quente. Todos tem direito a ter uma casa. Todos deviam ter direito a ter uma casa bonita como a nossa. Mas será que todos acham a nossa casa bonita? Não. Todos deviam ter direito à beleza. Todos deveriam saber deixar-se tocar pela beleza. Ainda que saibamos que o conceito de beleza depende da cultura. Mas também sei, que independentemente da cultura, nem todos se deixam tocar pelo belo. A experiência do belo é a experiência mais próxima de Deus.

Monday, June 04, 2007

...

Pronto, quero ir embora. Quero ir para casa.

Saturday, June 02, 2007

falar

Porque é que as pessoas falam tanto?
A mim cada vez me apetece falar menos.

ainda os livros

Quando há quatro, cinco anos, cheguei a Barcelona no dia 23 de Abril, era o dia do livro. A cidade estava em festa. As pessoas andavam com os livros na mão, na rua havia livros, ofereciam-se livros. Com "A sombra do Vento" fiquei a conhecer o Cemitério dos Livros Esquecidos. Uma grande biblioteca, com um guardião Isaac. " Este é um lugar de mistério, Daniel, um santuário. Cada livro, cada volume que vês, tem alma. A alma de quem o escreveu e a alma dos que o leram e viveram e sonharam com ele. Cada vez que um livro muda de mãos, cada vez que alguém desliza o olhar pelas suas páginas, o seu espírito cresce e torna-se forte. Há já muitos anos, quando o meu pai me trouxe pela primeira vez aqui, este lugar já era velho. Talvez tão velho como a própria cidade. Ninguém sabe de ciência certa desde quando existe, ou quem o criou. Dir-te-ei o que o meu pai me disse a mim. Quando uma biblioteca desaparece, quando uma livraria fecha as portas, quando um livro se perde no esquecimento, os que conhecemos este lugar, os guardiães, asseguramo-nos de que chegue aqui. Neste lugar, os livros de que já ninguém se lembra, os livros que se perderam no tempo, vivem para sempre, esperando chegar um dia às mãos de um novo leitor, de um novo espírito. Na loja nós vendemo-los e compramo-los, mas na realidade os livros não têm dono. Cada livro que aqui vês foi o melhor amigo de alguém. Agora só nos têm a nós, Daniel. Achas que vais poder guardar este segredo?".
Quantos segredos somos capazes de guardar, quantos livros passam esquecidos no tempo - livros demasiado importantes para alguém, que às vezes temos a sorte de nos virem parar às mãos, ainda que não pela mão do pai desvendando o segredo do Cemitério dos Livros Esquecidos. Aqui os livros que não se lêem destróem-se, não pela força purificadora do fogo, mas pela mão impiedosa da sociedade de consumo.

A hora do desenho (parte 2)

A hora do desenho

Friday, June 01, 2007

os livros

“(…) – Esta cidade é bruxa, sabe, Daniel? Mete-se-nos na pele e rouba-nos a alma sem darmos por isso.

- Fala como a Rociíto, Fermím.

- Não se ria, que são as pessoas como ela que fazem deste mundo cão um sítio que vale a pena visitar.

- As putas?

- Não. Putas todos o somos, mais tarde ou mais cedo. Eu digo as pessoas de bom coração. E não olhe assim para mim. (…)”

“(…) Bea diz que a arte de ler está a morrer muito lentamente, que é um ritual íntimo, que o livro é um espelho e que só podemos encontrar nele o que já temos dentro, que ao ler aplicamos a mente e a alma, e que estes são bens cada dia mais escassos.(…)”

Mesmo em Barcelona, a cidade dos livros. Faço parte desses seres que começam a escassear, que adoram ler livros e se deixam levar para outros mundos, ainda que apenas aqueles mundos infinitos que temos dentro de nós sem o sabermos.

dois extractos de "A sombra do vento" de Carlos Ruíz Zafón

Thursday, May 31, 2007

as palavras

Durante o dia lembro-me de palavras: uma, duas no máximo, que justapostas, sobrepostas ou separadas me sugerem ideias, para este espaço. Muitas das vezes ao longo do dia evaporam-se, como hoje. Tinha ideia de escrever sobre...
As palavras oprimem-me, às vezes. As minhas palavras oprimem-me. Na minha boca tornam-se fantasmas que crescem, repetem-se sem eu querer, são estribilhos ou cordas que me apertam. No meio de um discurso, saem-me soltas, sem que ninguém as oiça - apenas eu- para me fixarem num tempo passado que me faz esquecer, plissar, atrapalhar as ideias que pressigo na ânsia de me expressar. Por isso, também gosto de ler e gosto de escrever. Quando leio, as palavras dos outros coincidem comigo, aproximam-se e afastam-se, leio-me e leio outros. Quando escrevo uso as palavras dos outros, aproximo-as e afasto-as, releio, corrijo, escrevo, aproximo e afasto. Às vezes as minhas palavras, levam-me mais longe do que o meu pensamento e soltam-se em formas inconformáveis pelo papel. Mas não as ouço e não me ouço. A falar as palavras são meios, a escrever as palavras, para mim, são fins.

Tuesday, May 29, 2007

Conta-nos...

... lá a tua experiência com o sistema de saúde inglês!

Monday, May 28, 2007

Ó pá...

... santa paciência! calor vá!

Sunday, May 27, 2007

Jazz com Brancas e Domingos de manhã.

Ora, é Domingo. O meu penúltimo Domingo aqui por minha conta. Levantei-me às 8.30 e preparei o pequeno almoço, enquanto o Drew me falava na cozinha. Uma chávena de café com leite, um fatia de pão torrado com doce de framboesa e uma maçã. Voltei para o quarto, abri o jornal e pus-me a ouvir o jazz com brancas. A internet é uma coisa boa e o site da rtp também. O meu melhor amigo daqui de casa foi embora ontem. Despedimo-nos bem. Talvez um dia lhe volte a pôr os olhos em cima. Gosto da vida assim. Encontros e partidas. Gosto, sim.

Stanley Jordan

Tive sorte. Tivemos sorte. Nunca vi nada assim. Nunca vi tocar guitarra assim. Tento reproduzir o gesto para perceber como aquelas mãos se moviam para tirar os sons. Como é possivel tirar acordes com as duas mãos? Não dá para entender, apenas para ver e ouvir. Foi isso que fizemos. Só me vêm à cabeça adjectivos: espantoso, impressionante, surpreendente, todos superlativos. Só tenho pena que os temas base não sejam muito do meu agrado, Beatles, Jonh Lenon, Simon and Garfunkle... mas quase se esqueciam pela transmutação efectuada. Stanley Jordan: really amazing.
No Festival Internacional de Guitarra de Santo Tirso, no autidório da Artave, nas Caldas da Saúde em Areias. O festival vai continuar, não percebo bem como depois deste concerto.

Saturday, May 26, 2007

SMS

Andei intrigada com a história de um SMS que recebi, ou melhor, que recebeu quem usa o meu número de telefone antigo. Nunca chegaria lá. A mensagem era a seguinte: "Obrigada pelo texto no catálogo do Alberto". O texto eu sabia qual era. Talvez o meu melhor texto e o que mais gostei de construir. A hora a que chegou a mensagem 3.58h, e a referência familiar ao Alberto, assim só, confundiu-me. Construi histórias que batiam em tudo certo. Histórias que descartei depois de confirmado o engano. Sem hipóteses. Restava-me apenas telefonar para o número irreconhecível. Uma voz de homem! Aventei? N.? T.? Não, não estava certo. Perguntei: Quem és? O nome soou-me claro, evidente, antigo e presente. Nunca imaginado a partir das minhas actuais relações diárias. Mas era. Foi bom. Saber que em qualquer lado, há distância de anos, ainda que a poucos quilómetros, nos encontremos pelos mesmos sentimentos. Afinal, alguns de nós continuam vivos e com uma luz acesa, que nos guia no entendimento da arte da vida.

Friday, May 25, 2007

a espuma dos dias

Parecemos perdidas. Mas não estamos, pelo menos deste lado, no continente. A parte da Ilha aproveita, pelo menos assim o espero. Faltam poucos dias para que do lado de cá, continuemos, doutro modo, a dar conteúdo a este espaço. São muitas as ideias que durante o dia ( e a noite) me passam pela cabeça e sugerem comentários para este espaço. Os acontecimentos sucedem-se e as ideias submergem em vagas de actividade. Como no mar, voltarão à superfície, à luz do sol, envoltas na espuma do dia, para ficarem presas neste areal. Desde a música, actualmente muito actual ( Arcade Fire têm-me acompanhado nas viagens e nos intervalos delas, momentos de espera no serviço diário de "transportes colectivos"), até às leituras que continuam intensas e extensas, para além de maravilhosas conversas sobre "as hormonas na adolescência" povoam os meus dias. Ah! esquecia-me que na última semana convivi de perto com Valentim Loureiro, em pessoa, duas vezes! Melhor, muito melhor, que os bonecos do Gato Fedorento. Invejam-me? Não vale a pena!

Tuesday, May 22, 2007

Coincidências



pelos meus olhos.

Sunday, May 20, 2007

o limbo

Reflicto a partir da conversa que ouvi em “Um certo olhar”, sobre o limbo. Diz a igreja que o limbo acabou, não existe, ou nunca existiu. Mas como pode acabar um lugar que durante séculos “existiu”? Apaga-se da nossa história? Mas se ele também a moldou!

Ainda, como referia Vicente Jorge Silva, que não é católico, o limbo é um lugar poético, de suspensão. O limbo existe como lugar poético, um não-lugar suspenso no tempo e no espaço. Inês Pedrosa que não gosta da palavra limbo inventa em “Fazes-me Falta” o noante. Um lugar onde a personagem depois de morta, se mantém suspensa para “arrumar” alguns sentimentos humanos.

Mesmo que a igreja decrete que o limbo acabou, à boa maneira autocrática e dogmática, o limbo não se apaga da história e esse noante não deixará de povoar o nosso imaginário… para desespero da igreja, que por mais pecados e mandamentos que tenha, não consegue penetrar no nosso sonho.

Qualquer dia dir-nos-ão que não há céu nem inferno, que não há paraíso. Mas será que nós não o sabemos há muito? A fé não é contrária ao dogma?

Six Feet Under, Nobody Sleeps (temporada 3; episódio 4)

Escrevo-vos de um silêncio profundo. Há coisas que me tocam demais. Que me ensinam estupidamente. São sempre livros, filmes ou séries ou músicas. Ando a rever os sete palmos de terra de fio a pavio, porque tentei sempre seguir mas nunca consegui vê-los todos. E há o espisódio de hoje, que é denso e fulminante, que me toca nos pontos todos, que me ensina a cada frase. Há coisas tão bonitas neste mundo. Há coisas bonitas para se fazer, talvez apenas não tenha encontrado ainda a minha razão para cortar uma orelha.

E se quiserem podem vê-los todos, como eu, online, aqui.

Saturday, May 19, 2007

preciso do livro

O conta-mina merece mais. Continua a ser aquele espaço de descontracção de que preciso. Independentemente de quem lê e de como lê. Perco rastos. Não procuro mais nada para além deste espaço. Depois de uma semana alucinante que eu não soube moldar, como é hábito. Ainda bem que hoje é sexta-feira. Comi mal, dormi mal, não fiz exercício físico, trabalhei de mais e o tempo "entre" foi inútil. Semana de alta voltagem. Preciso de ligar o fio de terra para descarregar a energia. Assim vai ser. A lista de tarefas do fim de semana é parca para ser maior em descontracção. Falta-me um livro que virá - já está escolhido: "A sombra do vento" de Carlos Ruiz Zafon.

Thursday, May 17, 2007

Chove (2)

Chove em Manchester. Já chove há quase duas semanas. Desde Segunda chove de uma forma mais metafórica. Mas chove e fico presa em casa numa vaga muito grande de inutilidade. Vejo episódios seguidos dos Setes Palmos de Terra. Não tenho grandes planos para amnhã e está-me a parecer que este próximo mês será uma seca. Chove.

Chove

Parece que as duas partes deste blog estão mal dispostas. Tão mal dispostas que até nem lhes apetece falar uma com a outra. A parte de cá de excesso de complicações. Ao fim do dia o tempo espraiou-se e perdeu-se nas vagas de inactividade aos tropeções. A parte de lá... chove em Manchester. Também chove em Vermoim. Uma copiosa chuva quente, cheia de sol e calor que promete. Mas chove muito em Vermoim.

Sudden Sun


Tuesday, May 15, 2007

o nosso tempo

No tempo em que eu tinha a idade do Pedro, não quero dizer no meu tempo, porque o meu tempo é este, a educação de um jovem adolescente, a minha educação, baseava-se na dualidade corpo e espírito ( alma). O corpo era um veículo para um espírito puro. O corpo não podia sentir, não podia desejar, porque o prazer e o desejo estavam reservados para um local físico e temporal exacto, balizado por um contrato para a vida – o casamento. Os meus olhos, de rapariga tinham que irradiar a pureza capaz de aplacar o desejo dos rapazes, porque a eles sempre era dado demonstrarem desejo ainda que não o devessem consumar, pelo menos connosco. Nós, as raparigas devíamos, ser amigas, boas conselheiras, poços de virtude. Por isso sentia a minha consciência pesada, sentia-me mal, quando, com a idade dele, nos bailes de garagem, às escuras e embalada pelos famosos slows sentia o corpo ceder ao calor de outro corpo.

Hoje, quando ele me fala tão naturalmente do corpo (até ele se estranha como é que fala disso com a mãe) o mundo é outro. Ele dá-me a volta. Eu digo: Tem cuidado. Ele responde: Não te preocupes, já sabes que eu tenho bom gosto. Eu digo: Não é isso que interessa, tanto me faz que seja bonita ou feia. Ele responde desconcertando-me em forma de pergunta: E se eu namorasse com uma “burra”?

Concluo que continuo a separar o corpo de espírito.

Monday, May 14, 2007

liriodendro

Desculpem os botânicos mas não me apetece ir procurar o nome científico. Para mim é assim liriodendro tulipeiro. Está em flor. Esta flor, recolhi-a em acto de corte, cultural, porque contrário à natureza. Trouxe-a para a sala e da sala para este espaço. Muitos de nós passam todos os dias por uma árvore com flores como esta, antes mesmo de entrar no local de trabalho. Essa também está em flor.

Sunday, May 13, 2007

mais suspiros

Cá estão eles, os suspiros. Mais suspiros ao domingo de manhã - um ritual. Os domingos de manhã são dados a isso, aos rituais. Substituindo a missa por suspiros, música, contemplação, tarefas simples...

Thursday, May 10, 2007

O jogador... (suspiro)


que nos acompanhou por Manchester!

Bolha

Hoje aquela bolha que me é dada, ou que eu conquisto, de eternidade presente, sobreveio. Continuo nela. No vácuo que me transporta para o outro mundo. Aquele que não me é dado ver a não ser em momentos, por momentos. Eles porém fazem-me crer na eternidade. Uma eternidade criada sem fé e sem tempo. Naquele tempo para além do tempo finito que nós podemos recriar com os nossos precários meios de pensamento humano. Como ainda não me foi revelado esse tal outro estado transcendental, que outros humanos vislumbram, acalmo-me e espero serenamente na minha insignificante condição de partícula universal. Dentro desta sublime bolha que partilho com alguns. Bem hajam.

Wednesday, May 09, 2007

Parabéns

Hoje são oito de Maio. A nossa amiga faz anos. A homenagem parte daqui, deste lado. No outro, lá na ilha, está ela com a outra metade do blog, que pode dar-lhe os parabéns de perto. Merece-os. Agradecemos-lhe a rebeldia, a ousadia, que nos faz felizes e vivos. Muitos dos melhores momentos da nossa vida foram partilhados com ela. Muitos parabéns e OBRIGADA.
Hoje também faz anos Keith Jarret! Magnífica coincidência.

Tuesday, May 08, 2007

Snooker e o jogador

Cheguei a casa exausta mas bem disposta. Como sempre, quando estou atrasada, tudo me atrasa mais. Esqueci-me da chave e tive que sair para pedir uma emprestada para fechar a minha sala, o gás acabou em casa e tive que ligar novamente o esquentador. Mas, por fim, já passava muito das nove horas lá nos sentamos à mesa. Telefonei à Joana, ausente deste espaço e já de férias. A "curtir" com a L. uns dias chuvosos em Manchester. Diz-me ela para ligar o Eurosport e ver um jogo de snooker. Melhor, ligar a Eurosport e ver um jogador de snooker! Ela via o jogador e a L. o jogo. Sim senhor, confesso que era mais interessante o jogador que o jogo, não porque o jogo não seja interessante, mas porque eu, que sei pouco das regras do jogo, apenas me fico pela observação da sua beleza e do contexto, neste caso o jogador.

Monday, May 07, 2007

Saturday, May 05, 2007

Ute Lemper

Fui vê-la com o Pedro. Gostei de ir, mas não gostei do concerto. Achei-o completamente anacrónico. O Pedro dizia que era para pessoas de meia idade: “Está bem para a mãe da B. (colega dele na escola)".

Explico-me:

- Não se pode ver um espectáculo de cabaret na Casa da Música. Por mais que Ute Lemper tente reproduzir o ambiente, é tudo teatro. Não há envolvimento, soa a falso.

- Não gostei do conteúdo: uma salgalhada – Kurt Weil, Edit Piaf, Jacques Brel, Leo Ferré, pop de Berlim dos anos 80, Lili Marleen,…tudo cosido por uns apartes, ditos por ela num inglês mal dito, à alemã ( e o francês ainda era pior);

- Os músicos que acompanhavam eram “quadrados” e completamente fora de contexto no que se refere ao aspecto físico e comportamento: um de sapatos de atacador e fato, outro de tshirt, outro parecia um gorila musculado, o outro, um músico de flamengo.

Ela, já sabemos que canta bem, profissionalmente, mas sem alma. Tem uns braços espantosos, longos e expressivos. Soube-me a artista de circo em fim de carreira.

Tive saudades da Laurie Andersen – uma verdadeira senhora, bicho de palco e sempre a surpreender-nos.

No fim o Pedro quase me fez passar vergonhas porque dizia alto "Margarida Rebelo Pinto, Margarida Rebelo Pinto..."

Ute Lemper foi-me essencial para perceber que não gosto de tudo o que me dão, ainda que venha com o selo de qualidade.

Thursday, May 03, 2007

Digam-me como não gostar de Manchester...


... quando as ruas estão cheias disto?

Wednesday, May 02, 2007

Dia do trabalhador

Ainda hoje. O primeiro de Maio foi, para mim, um verdadeiro dia do trabalhador. Trabalhei o dia inteiro. Doem-me as costas de estar aqui sentada a escrever. Mas saiu-me bem! Como acho que ninguèm vai ler o que escrevi (esta é a condição do nosso sistema de planeamento - escrever tudo, para ninguém ler!) ao menos tenho este espaço para me auto-elogiar. Admirei-me com a minha capacidade de trabalho, de síntese e de concretização. Conformei a minha tese, quando quero sou capaz de fazer tudo. Mas fora o auto-elogio, foi para mim bom, num documento concentrar tudo o que venho pensando ao longo dos anos - um bom final para quem durante anos navegou nestas águas e agora se inícia noutros destinos, será?

Tuesday, May 01, 2007

os nomes

Quando leio não fixo a sonoridade dos nomes e por isso não consigo reproduzi-los. Fixo apenas um conjunto ordenado de símbolos que identificam um personagem. Às vezes fixo os nomes porque eles têm um significado: quando o autor dá um significado ao nome que tem a ver com a caracterização da personagem. Em Haruki Murakami é assim. Fixei Sumire, porque quer dizer violeta; fixei Canela, porque canela é exótica e cheira bem; fixei Noz-moscada pelos mesmos motivos. Mas canela e noz-moscada são nomes ficcionados na ficção da história. São nomes escolhidos pela mulher sem nome para se auto-nomear e permitir a relação. Quando estiveres de costas e eu te quiser chamar, se não tiveres um nome, como farei? Também agora, em Kafka à beira-mar, o velho, de que não me lembro o nome, sei apenas que tem um K e alguns A’s, precisa de um nome e inventa um nome para se relacionar com o gato. Quando os nossos amigos passam a ser entidades precisamos de as nomear. É pena que os nomes nos sejam oferecidos e não escolhidos em função da nossa personalidade ou será que o nome molda a nossa personalidade? Molda pelo significado ou molda pela forma, pelo som? Um nome doce, um nome breve, um nome complicado.

Monday, April 30, 2007

Jorge Queirós

Fui rever Jorge Queirós. Na inauguração, por entre ritmos sociais, tinha ficado impressionada, no sentido literal do termo (desse dia ficara-me a dimensão dos desenhos, alguns com cerca de 1,50m por 1,00m e a quantidade).Por isso falei dessa impressão a alguns amigos e tinha que ir confirmar qual o tipo de impressão que me causara.

Os desenhos, muitos, que usam diversos materiais sobre suporte de papel, grafite, de diferentes durezas, pastel, lápis de cera, aguarela, guache, são a expressão incontida da mente. Um desenho compulsivo e impulsivo, pouco crítico -aqui entendida a crítica como censura mental, ou condicionamento mental, ou fidelidade a um conceito.

O desenho é a tradução exacta de um sonho, só. Sem medo, sem angústia, pouco voltado para nós, os que vamos ver, interpretar, julgar, criticar. Por isso pouco importam as incoerências, alguns tiques, alguns desequilíbrios, algumas infantilidades. Creio mesmo que o seu maior valor é a sua própria condição incoerente, paradoxal, contraditória – um conjunto inimaginável de histórias incontáveis de outro modo. E as histórias são muitas, as dele e as nossas.

E as histórias são outras, desdobram-se quando observadas a diferentes distâncias. Uma caixa de surpresas que abre o nosso imaginário.

Quem trabalha tanto, em tanta quantidade tem que ter muita disciplina. Mas essa disciplina não se traduz em processo mental e por isso não se traduz nos desenhos. Os desenhos são indisciplinados no seu conteúdo e disciplinados na sua forma.

Comentávamos entre nós: Como será este homem? Como será o seu ambiente e forma de trabalhar? Os homens concluem: tem que ser “direitinho”.


Centro de Arte Contemporânea de Serralves, até 1 de Julho

Saturday, April 28, 2007

The Dream of Togetherness


playlist de hoje, download aqui. (o mesmo de sempre)

de Daniel Faria

Abriu-se em ferida a cerca do seu sopro

E deixas vindimar-me quem quer

Que passe

Até o muro é sombra que não floresce

Enquanto me repetem a pergunta

Tu me cultivaste

Tu me deixaste a geada sobrevir

Thursday, April 26, 2007

Isto é Manchester


Tenho uma review para fazer do cd novo da Björk, que ainda não saiu, e que portanto não vou publicar até dia 7 de Maio. Tive acesso a ele porque os meninos do iTUNES UK fizeram asneira da grossa. Mas aviso-vos é despojado, simples, delicado e rude e muito muito bonito. Oupa, já tinha saudades da música da miúda!

Wednesday, April 25, 2007

Cravo

O que queria ter fotografado estava pousado em cima de uma guitarra cor de mel e de um pano laranja. Este trouxe-o da festa para a minha jarra.

25 no estrangeiro

25 de Abril
Acordei em Manchester e tenho a apresentação de um trabalho daqui a uma hora. E eles não sabem que dia é no meu País. Ainda assim, tenho o Zeca Afonso a cantar e hoje, no estrangeiro, sinto-me tão mas tão portuguesa e tão mas tão livre! Obrigada aos que por mim e por hoje lutaram.

25 de Abril

Há trinta e três anos o dia não amanheceu com chuva. Eu tinha quinze anos, a idade do Pedro. Ontem quando ele chegou a casa, à meia-noite, vinha a cantar a Grândola Vila Morena. O Pedro canta bem. É bom que eles, os mais novos, não esqueçam o que a gente lhes conta: não esqueçam que houve um “antes do 25 de Abril” no qual, os que tinham a minha idade, a idade dele, sentiam que era preciso libertar o grande monstro invisível que espiava sem dó e castigava sem remorso. O monstro tornou-se visível nesse dia, assumiu milhares de olhos, rostos e braços. Hoje tem forma, cara, que ficou presa na nossa memória. É esta memória que sinto ser minha tarefa passar-lhes, aos mais novos, para que a tentação da verdade absoluta e fanática não volte a justificar censura, manipulação, tortura e morte. Para que Salazar seja para sempre enterrado.

Tuesday, April 24, 2007

O Nódoa

O Nódoa regressou depois de uma estadia fora. Ao que consta para defender a sua dama, que depois de ter uma ninhada de gatos, iniciou a sua vida activa. Tem sido uma correria, cá para as imediações, de tudo quanto é gato: de família ou vadio, sem dentes ou bem posto, felpudo ou de pelo raso. Todos sentem a aura que paira no ar. Mas ele monta guarda e corre com todos os que aparecem para desfrutar a oportunidade, sem outros encargos. A eleita é a "magrinha", que apesar da sua leve compleição, cumpre exemplarmente os deveres da maternidade e da "vida".

Assim é, regressou “penteadinho”, no dizer do mais velho cá da casa. Pousou ao meu lado exibindo o seu porte de gato residente. Ainda vou pensar se merece que abra a lata da ração!

Monday, April 23, 2007

And Enjoy Every Bit of You


AQUI
(penso que já sabem o que fazer. dúvidas=comentários)

Sunday, April 22, 2007

Sem título

Trabalho & conversa

A chinesa esteve no meu quarto e conversámos durante horas. Foi bonito e, apesar de culturas diferentes, partilhamos a mesma intensidade, vibramos com as mesmas coisas. Os nossos olhos são diferentes, os delas pequenos e rasgados, os meus estas duas azeitonas pretas na cara morena, mas brilham com a mesma intensidade. É bom tê-la no meu quarto, depois de um intenso dia de trabalho. Isso e a nova música da Björk, I See Who You Are. Dia bom.

Saturday, April 21, 2007

C

C de calor, de cor, de casa, de caos, de catástrofe, de canto, de chá, de coerente, de cuidado, de cuidadora, de calma, de cama, de cultura, de cinema, de cultour, de coração, de corpo, de cansaço, de coincidência, de conta-mina, de conceição.

O C é a minha letra.

(hoje também foi de Caimão)

Thursday, April 19, 2007

Manchester Guide


Ainda com os textos errados mas LINDO!

Wednesday, April 18, 2007

muitas idades

Aqui, nesta casa em diáspora somos muito sensíveis ao tempo meteorológico. O tempo influência atitudes. Felizmente aqui, o calor da primavera não tem qualquer efeito depressivo. Apenas o homem mais velho geme…mas por nada especial. Apenas porque a sua vida sedentária, os maus hábitos e a “velhice” dão sinais físicos que se assemelham ao mau estar. A nós, aos outros três, o calor puxa-nos para fora de casa, como amantes, que sempre fomos da natureza e do corpo. “Castigar o corpo” como ouço às minhas colegas da piscina, para que ele reaja positivamente à mudança, se revigore com a vitamina D, que o sol recria quando brinca com a nossa pele. Fazer fintas ao tempo meteorológico e cronológico é o que mais me atrai nesta intensa Primavera. Simplesmente o tempo cronológico que se adivinha no meu corpo dá-me outra disposição para contemplar a primavera. É isso que me apetece: uma pedra, um raio de sol, um horizonte aberto, um livro e o silêncio das músicas que me preenchem. Apetece-me fazê-lo ao lado dos meus pais, sinal do tempo e acontecimento feliz nesta minha idade.

Castle Irwell


Hoje tenho de trabalhar e não posso ir lá para fora. Os ingleses são assim, ao fim da tarde pegam nas bolas, nos discos, nos tacos, nas mantas e nas cervejas e coca-colas e aproveitam a relva. E são felizes, vos digo. Não percebo porque não fazemos o mesmo. Não temos tempo?

acumulação do erro

Esta é a reflexão que me apetece hoje. A acumulação de informação corrige o erro ou amplia o erro? Tenho por adquirido, ensinamento do meu percurso escolar, que se na premissa existir um erro, a solução do problema estará errada. No entanto esta máxima pode não ser verdade nas ciências humanas. A acumulação de muitas perspectivas diferentes, de muitas informações contraditórias, pode levar-nos a chegar a conclusões verdadeiras. Esse é o conceito da wikipédia, enciclopédia virtual, livre e aberta. Ponho esta questão porque tive que procurar uma biografia de Nuno Portas e deparei-me com informação contraditória e errada, que por isso não me satisfez. Juntei pedaços, recolhi memórias e construí a biografia que me interessava para um efeito determinado. O facto de não ter encontrado uma biografia correcta levou-me mais longe do que esperava e deixou-me muito mais satisfeita. Construí uma verdade a partir de muitos erros, que se excluíram por sobreposição.

Monday, April 16, 2007

À porta de casa, hoje.

Tarde de Domingo ao sol



O sol brotou em Manchester e apesar de o céu se ter fechado hoje, ontem eu e o A. sentámos-nos bancos da cidade e percebemos como as pessoas se movem. Nos domingos de sol, os ingleses sentam-se no chão em práticas orientais, nos bancos a ler o jornal e livros ou só a conversar. Penso porque não há em Portugal o hábito de aproveitar o sol e porque se fecham as pessoas em centros comerciais. A dois meses de partir definitivamente, começo, desde já, a sentir a pontada das saudades. De vida boa percebem eles! De espaços limpos aos olhos, das cervejas ou frappuccinos ao fim da tarde. Mas, como já se começa a sentir em outros países, a população jovem perde-se e fecha-se em casa. Disto falámos eu e o A., ontem. Nós somos os jovens maravilhados com os bancos de Domingo, no entanto. E ficámos ligeiramente mais morenos.

Ovo


Gosto disto.

Sunday, April 15, 2007

Cornerhouse


Para que melhor se entenda a coincidência de conceito, uso duas imagens da Joana que ilustram as refeições oferecidas pela Cornerhouse. A Cornerhouse é um espaço arquitectonicamente interessante e limpo, organiza ciclos de cinema, exposições e espectáculos, tem uma livraria. Lá as pessoas encontram-se. Ouve-se música óptima, concertos ou sessões orientadas por DJ's. A Cornerhouse é uma casa onde apetece parar. Quem tem oportunidade de crescer assim será certamente melhor, consigo e com os outros.

Friday, April 13, 2007

museus

Museus, um conceito diferente. Abertos e gratuitos. Sem aqueles guardas fardados que aqui nos perseguem como se nós fossemos criminosos sedentos de destruir a arte! Não será este o caminho? Em conversa com o Alberto Carneiro, dizia-me ele, que as crianças serão homens diferentes se conviverem desde sempre com arte, se ela fizer parte do seu quotidiano. Também o creio e senti-o em Inglaterra: no bom gosto dos ambientes feitos de espaço, côr, desenhos, músicas, programas e pessoas. Manchester não é uma cidade para os turistas, é uma cidade só. Lá há coincidência entre quem passa e quem está.

Wednesday, April 11, 2007

justificação

Para quem estranhou a ausência das duas autoras, saibam que elas se passearam juntas por Manchester. Saibam que a mãe foi excelentemente guiada pela filha e que por isso, os olhos de uma e de outra, não serão nunca mais iguais. Chegarão muitos ecos explícitos e implícitos desta viagem onde "os do norte" impressionaram... pela paisagem, pela despudorada nudez perante o frio, pela noite e até pela primavera que lá também desponta.

Tuesday, April 03, 2007

Arquiturismo

Apenas uma voltinha pela net antes de recomeçar o trabalho.
A Cultour este fim de semana esteve em grande no "Fugas" do Público. Arquiturismo. Um novo conceito de turismo, uma nova porta para a arquitectura. Sem melindres, sem complexos, apenas com a consciência do valor que temos e que somos. Sem pedir nada a ninguém, de cabeça levantada, mostramos ao mundo o melhor da arquitectura portuguesa. Seriamente e exigindo o retorno que nos é devido. Cá estamos para ficar.

Sunday, April 01, 2007

mar


Apesar do frio não resistimos ao apelo do mar...

dignidade

Do debate que ouço, ainda neste momento em “ Um certo olhar”, uma frase de Jorge Wemens reteve-me a atenção e sugere este comentário. Sobre a falta de dignidade humana, sobre o pouco valor que cada homem dá a si próprio, neste caso comentando a situação desumana a que se sujeitaram os trabalhadores portugueses em Espanha: viviam, sem se questionarem, a troco de cama, tabaco e meninas. Ele dizia que a falta de respeito por eles próprios decorre da falta de devolução social de uma imagem digna. Como se a sociedade fosse um espelho. Como se nós fossemos o espelho que devolve a imagem de grandeza e dignidade aos outros. Assim mesmo. Também assim penso. A auto-estima e a confiança de cada um depende da força e do respeito que a sociedade lhe demonstra. Uma sociedade que se limita a devolver-lhe, como necessidades básicas dormida, tabaco e meninas é uma sociedade visivelmente doente, especialmente podre e desequilibrada.

A “minha” imagem grande de pessoa humana é aquela que “tu” ajudas a construir. Quanto maior e melhor for, melhor serei. E a ela não podem nunca estar alheios valores de respeito pela individualidade, pela liberdade e pela diferença. Valores de democracia e de igualdade de direitos e deveres.

o prazer de ler

O prazer de ler. Peguei no livro de manhã, logo a seguir a acordar e não parei de ler até o acabar. Tive que alterar o plano do dia. Ainda não sei escrever sobre ele, ou talvez nunca consiga escrever sobre ele. Suscita-me silêncio, pensamentos, frases soltas apenas inteligíveis para quem o leu. Suscita reflexão e contraponto. Haruki Murakami, Sputnik meu amor, apenas o posso recomendar, para depois o poder ler nos vossos olhos.

Friday, March 30, 2007

mulheres

Ouvia calmamente António Barreto na Grande Entrevista. É bom ouvi-lo. Retenho a sua reflexão sobre as extraordinárias mudanças sociais das últimas décadas. Retenho a sua reflexão sobre a condição da mulher. Dizia que as mulheres de hoje são também as mulheres de há cinquenta anos. Fazem o que faziam há cinquenta anos e acumulam na sua vida diária as conquistas benéficas que a evolução social lhes trouxe: trabalham em casa e trabalham fora de casa. Tão simples quanto isto. Todos nós o sabemos. Mas nós sofremos. É isto que eu não quero, ser esta super mulher que se realiza no trabalho, nos outros trabalhos e cumpre escrupulosamente os seus deveres de mãe. Felizmente as tarefas que herdei de há cinquenta anos são compensadas por dois filhos maravilhosos e por um pai (deles) que apesar de ser ausente, como os pais de há cinquenta anos, tem a exemplar virtude de ser referência no exercício profissional e no seu trôpego amor por nós. É assim possível desmultiplicar momentos únicos de diálogo interminável, vencido apenas pelo cansaço do corpo.

Esta é uma casa fora do comum. Onde o correcto está muitas vezes ausente, onde a luz não se apaga, onde está sempre alguém. Onde quando toca o alarme todos voltam.

Mas não estou satisfeita e por isso, entre nós, discutimos muitas vezes outras formas de organização social. Delas não está de fora o tal “gineceu”, talvez o post mais polémico deste blog.

Wednesday, March 28, 2007

Vazios

A prova de que este blog não se tornou um correio entre mãe e filha será a sua continuação. Pois. A Joana está cá de corpo inteiro para encher a casa. Não há skype, mas há blog!
Apetece-me deixar aqui um texto, que alguns já conhecem, e que aparecerá na Trienal de Arquitectura em Lisboa. Um texto sobre o medo do vazio.

"Vazio.

No urbano o “vazio” não existe. Podem existir espaços sem construção. Podem existir espaços não construídos mas ocupados com funções urbanas – espaços públicos que estruturam o urbano. Podem existir espaços memória de outra ocupação – terrenos agrícolas ou florestais. Mas não são vazios. São sempre espaços “entre”, contidos por construções, agarrados por estruturas, interstícios que fazem parte do organismo urbano…

A necessidade de preencher o vazio e a incomodidade perante o vazio, são uma pulsão e um sentimento que sobrevêm depois da pós-modernidade.

Dos quatro projectos que Santo Tirso apresenta nesta Trienal nenhum deles tem como génese a necessidade de preenchimento do vazio. Todos são uma requalificação do espaço que ocupam: dando-lhe uma nova função, recuperando-o para a mesma função, ou enfatizando a sua actual função.

Dando ao “vazio” uma nova função:

Complexo Desportivo Municipal – Rótula de ligação entre a cidade dos anos setenta e as novas estruturas da década de noventa. Nele o Pavilhão Desportivo Municipal é uma peça maior. O conjunto ficará concluído com a construção de um polidesportivo, campos de ténis e estruturas de apoio.

Habitação a Custos Controlados – Conjunto habitacional construído em terrenos agrícolas abandonados, na periferia da cidade. Qualifica e estrutura o urbano.

Recuperando o “vazio” – Reabilitação do Cine-Teatro, intervenção sobre um edifício degradado mantendo a função. Recupera a memória para um novo conceito de espaço cultural.

Enfatizando o “vazio” – Renaturalização e Requalificação da frente de rio, um percurso no “vazio”, o espaço natural também como espaço urbano.

Dando ao “vazio” uma nova função. Recuperando o “vazio”. Enfatizando o “vazio”.

O vazio tem lugar no espaço urbano.




Saturday, March 24, 2007

Bem...

Até já!

Saudades

É assim mesmo. Hoje em directo, sem rascunho. Porque a semana foi muito completa. Tanto que não tive tempo para, aqui, confessar pensamentos.
A internet, tem para mim, muitos benefícios. Gosto, gosto muito de vir aqui, todos os dias para pontuar o meu dia. Sei que este é um lugar de exposição. Aqui escrevo o que quero, só o quero, sem a pretensão de fazer literatura, mas com intensão de escrever português correcto. Apenas isso, português corrido, para deixar alguns pensamentos que, para mim, fazem sentido. Este lugar faz-me falta. Entendo a Joana desesperada quando lhe falta a internet, lá naquele país frio, onde não há cheiro a estrujido ou a sopa, onde as árvores florescem mais tarde, onde a quentura é artificial para disfarçar o frio, lá fora.
Amanhã esta casa terá um jantar português para ela, em sua honra!
Porque é que as saudades são maiores quando a proximidade da presença se avizinha?

Friday, March 23, 2007

Hussein Chalayan



Se aguentarem o início, eu juro juro que vale a pena.

As manhãs...


...em colagens.

Thursday, March 22, 2007

o dia

Dia de efemérides e de comemorações. Juntam-se no mesmo dia 21 de Março: dia da árvore (as árvores marcam o meu espaço); dia da poesia (a poesia pauta a minha vida); dia do sono (adoro dormir bem); dia de aniversário de João Sebastião Bach (Bach é cada vez mais a música).

Dia em que a poesia continuou numa conversa a três que não acabou, porque o encontro do homem com Deus, do homem com ele próprio, ou do homem com a natureza, infinitamente benéfica ou infinitamente maléfica, continuará na leitura do pré-sono.

Não tenho medo.

Wednesday, March 21, 2007

mimalhos

Cheguei cedo a casa para planear o dia de amanhã e de depois de amanhã. Dias com programas especiais que exigem sabedoria para coordenar sem deixar de fora prazer e obrigações prazenteiras de mãe. Tudo se compõe nesta casa. Basta ter a chave da porta para entrar. Basta entrar para estar em casa. Quente ou “fria”, porque o tempo meteorológico assim o determina, mas todos sabemos que aqui há sempre lugar a outra espécie de aconchego – mimalho, mimado, independente mas presente…até hoje ninguém faltou à chamada.

Tuesday, March 20, 2007

Babar



tenho saudades dele.

Monday, March 19, 2007

Santo Tirso

Santo Tirso no seu melhor, parado no tempo, ou para trás no tempo.
Domingo dia 18 de Março, a "Poesia está na Rua".

O meus vinte graus.

Neve, granizo e cara de sofrimento. Lá fora gela-se até aos ossos. Faz doer a cabeça e os maxilares. É complicado, estou habituada ao quentinho e tenho inveja dos vossos vinte graus. (não queria por a minha cara, mas é realmente ilustrativa do assunto, desculpem.)

Sunday, March 18, 2007

By this river.

Abri o itunes e pus a tocar a "by this river", do Brian Eno. É uma daquelas canções à qual volto sempre, com uma amargurada doçura. É uma canção de solidão. A primeira vez que a ouvi foi no filme “O quarto do filho” do Nanni Moretti. Comprei o cd. É antigo e nota-se, tirando esta canção que é, todos os dias, mais eterna e mais intemporal. Aliás completamente intemporal.

Pus-me a pensar, hoje, tem quarenta anos, a canção. Quarenta anos é muito, é o dobro da minha idade. Foi composta vinte anos antes de eu nascer, trinta anos antes de eu começar a ouvir musica, trinta e cinco anos antes de eu começar a ouvir música boa. Precede-me. E, se a ouvir como se fosse a primeira vez, não parece que foi composta ontem, ou o ano passado, ou há quarenta anos. Parece, sim, que sempre existiu. Como se fosse anterior ao humano, como se já pairasse nas estrelas. E, desenganem-se os cientistas, as estrelas não têm anos. Sim, a "by this river", é viva desde sempre.

Meus queridos:

Se alguma coisa aprendo com a vida é que ela se deslaça sobre desequilíbrios que tentamos equilibrar.

Qualquer relação profunda é a tentativa de encontrar o equilíbrio, a sintonia absoluta e momentânea. É raro o momento em que dois caminhos se encontram no ponto mais alto do corpo e do espírito. Se mesmo olhando para cada um de nós, é difícil recolher de nós estes momentos de sintonia entre corpo e espírito, consegui-lo com outro(s) será ainda mais raro. Duas linhas quebradas, quatro linhas quebradas e probabilidades matemáticas dão-nos a solução deste problema que é a vida.

Na minha cabeça conceptualizo um desenho que não posso tornar visível. Esse desenho persegue-me e apazigua a minha alma. Dá-me a força para desfiar fios, teias frágeis e luminosas que lanço para trazer o ponto mais alto de outra linha quebrada para junto do meu. Outras vezes olho de baixo para o “teu” ponto mais alto e a custo subo com cuidado pela teia que “me” lanças. E quando são três, ou quatro, ou… no mesmo ponto alto?

(Explicará isto a força das multidões?)

Mas no materialismo em que nos criamos é difícil saber conviver com os desequilíbrios. Perseguimos a segurança das certezas. Ilusão.

Por isso, meus queridos, percebo a dor da insegurança mas também percebo a doce subtileza do caminho e custa-me não puder tornar a vossa vida constante e linear, sempre na haste mais alta da comunhão ( não da melancolia, perdoa-me Eugénio). Paradoxo do sentimento amoroso.

Peixinho



Como somos todos um bocadinho peixinho, às vezes, tomei a liberdade de pôr o meu peixinho dentro deste aquário, emprestado pelo google. Acabei o romance que também era sobre um peixinho. Muito bonito. Leiam.

Saturday, March 17, 2007

Ao que me obrigas, Maria

Obrigada pela mãe, Joana "posta" fotografia do par de sapatos novos. Lentamente ficando foleira como as inglesas?

primavera

É impossível ignorar a Primavera! Ela não chega por calendário. Chega pelas árvores ( que estão cheias de tenras folhas verdes) chega pelo sol ( que se concentra na pele para irradiar calor depois) chega pelo céu azul, chega pela memória de outras Primaveras ( retalhos, quadros, cenários vividos), chega pela fantasia…

Chega pela melancolia, a tristeza mais alegre, mais doce… Ouvia hoje que os portugueses são como os russos, são tristes. Por isso gosto da música dos russos, Prokofiev, Shostacovich, Tchaikovsky, Stravinsky,… ou mais recentemente Arvo Pärt, que não sendo russo vem de lá perto.

Hoje a casa não tem música, apenas o ruído… das máquinas, dos bichos, dos passos, dos teclados… não caibo nesta casa, como não caibo dentro de mim. Mas também não quero conversar, nem ouvir, quero apenas estar, porque “naufragar é doce neste mar.”

Thursday, March 15, 2007

...e menino

Wish you were here.


A Manchester Gallery tem uma zona didáctica, para os mais pequenos. Tem várias brincadeiras para as crianças perceberem as peças do museu e a arte. Quase tudo em Manchester é feito para pequenos e graúdos. Há, na Manchester Gallery, um projecto na zona das crianças, que adoro. Chama-se “Wish you were here”. Tem muitas malas antigas e umas etiquetas para escrever uma mensagem. Tem duas minhas e muitas, muitas de outros.

Cavalinho

O cavalinho voava no ar

às três da tarde no monte do xisto.

Ninguém mais fixou o cavalinho no ar

quando às três da tarde

ele dançava lento no azul grego do céu.

Pégaso ou cavalinho de pau?

A infância dos sixty ou

a eterna ternura da antiguidade clássica?

Mas o cavalinho

(apesar de ser apenas um balão perdido

por uma criança qualquer)

tirou-me de mim e levou-me à grécia

hoje - lá

onde também se perdem cavalos

num domingo à tarde.

Rapazes

Gosto de rapazes. Gosto da conversa dos rapazes. Para mim é um divertimento ir buscar três, quatro ou cinco rapazes ao treino de basquete. São divertidos e leves nas conversas. Riem-se, dão gargalhadas, provocam-se e eu com eles. Também dou gargalhadas.

O meu rapaz provoca-me “ Isso são conversas de mulheres! Gostam de ser sempre as rainhas do mundo. E depois não ligam a ninguém!” Respondo “ Eu não sou assim:” “ Ai não! Claro que és.” E pronto, fico a pensar…é certo que nós gostamos de segurança. O risco é sempre calculado…ou então desculpado. Quando tomamos a iniciativa, medimos antes muito bem, as probabilidades do não. E se apesar de o medirmos ele nos surpreende, encontramos sempre uma fantasiosa razão, para interpretarmos positivamente esse não. Há sempre uma razão, uma desculpa para o nosso “fracasso”, porque para nós, é disso que se trata. Seremos sempre rainhas ainda que só na nossa efabulação.

Com a idade cada vez gosto mais de homens.

Tenho saudades da minha companheira.

Sunday, March 11, 2007

Cartas de Iwo Jima

de Clint Eastwood

Discutimos e não concordamos ou então não soubemos explicar-nos. A causa foi a atitude do Barão de Nishi, que manda os seus homens juntarem-se aos sobreviventes do outro lado da ilha e fica na gruta do Monte Suribachi ferido de morte para se suicidar. A questão que nos pôs em discórdia resulta do facto de ele dar o tiro de morte ainda quando era audível para os seus homens.

Se para os japoneses é uma questão de honra morrer pelas próprias mãos, sendo o acto do suicídio a última e eterna libertação, para mim o momento que ele escolheu para o fazer chocou, ou no mínimo perturbou, os homens que, sabendo que só lhes restava a morte, tiveram que continuar a lutar até ao fim. Na opinião deles a expressão no rosto dos soldados foi de dor pela morte do general.

A visão que o filme nos dá, para além de ser evidentemente uma perspectiva nova sobre o que se passou, a perspectiva japonesa, não deixa de ser uma visão ocidental e americana. As personagens chave do filme, o general Kuribayashi e Nishi, têm fortes ligações ao mundo ocidental e são recriadas no dilema entre o patriotismo heróico e a sua condição de homens. O general redime-se deste dilema, quando salva pela terceira vez Saigo, devolvendo-o pela rendição à família, que também podia ser a dele. Os sentimentos humanos são aqui mais fortes do que o suicídio consentido ou imposto. Kuribayashi suicida-se, pede a Saigo que o enterre para que ninguém encontre o seu corpo, o que aconteceu na realidade e liberta-o da honra patriota para a dimensão humana.

Discordamos ainda noutro ponto: para eles, Kuribayashi não quer ser encontrado porque acha que fracassou, para mim porque para além disso, a morte pelas suas mãos é a suprema redenção. Gostei.

Saturday, March 10, 2007

impressões de mãe

O sol aquece-me a pele.

A diferença de idades entre os meus dois filhos mostra-se providencial. A minha companheira está longe no espaço mas fiquei com um companheiro. Hoje de manhã disse-me “Vamos à praia!” Sugestão imprevista que aceitei. Afinal que diferença faz entre Julho e Março se está sol? Ir, deixar que a vida corra…ouvir quando há que ouvir, falar quando mesmo não há nada “especial” para dizer.

A casa está desarrumada de vida. Haverá um bolo simples para fazer, um grande “queque” como ele gosta. Faço-o com gosto, porque sei que nos agarra uns aos outros, é presença e será sempre memória de uma qualidade de ser mãe.

Friday, March 09, 2007

upgrade

O que eu gostava de ser era empresária, ou antes, mentora de empresas. Nas minhas divagações surgem-me muitas ideias para novas empresas. Até gostava de ter uma empresa de ideias para novas empresas. Será este o meu próximo upgrade?

A última, que surgiu juntando alguns dados, é uma empresa direccionada para a terceira idade. Porque sei que:

- Cada vez há mais idosos;

- Nós “os de meia idade” debatemo-nos com o apoio amante aos pais e com vidas profissionais em pleno;

- Os idosos não gostam de deixar as suas casas, as suas coisas;

- Os sistemas de informação são essenciais, quando bem aplicados, para melhorar a qualidade de vida;

- As domóticas e as robóticas permitem o controlo remoto.

Então construir uma empresa de apoio aos idosos, ou a quem vive sozinho, à distância, uma empresa que vele pela sua segurança e lhes faça companhia sem interferir e sem ferir as suas individualidades, é a ideia.

Esta empresa permitiria lembrar a tomada de um medicamento, acorrer em situações de doença súbita, de queda, de depressão, de necessidade de um serviço urgente, de entrar em contacto com uma pessoa, etc.

Pode incorporar ainda pessoal para assistência domiciliária comum ou associar-se a outras que o façam.

Quando tenho estas ideias fervilho e só tenho pena de não possuir os meios para a poder realizar.

Wednesday, March 07, 2007

Balão

memórias

Divirto-me e emociono-me. Deito o "rabo do olho" para a televisão pública que faz cinquenta anos. Desde que me lembro como gente que o pequeno ecrã me acompanha. O meu pai comprou a primeira televisão em 1968 para os jogos olímpicos do México. Com ela vi "O nascimento de uma nação", "Nosteratu"; aprendi a conhecer os desenhos animados da europa oriental e do Canadá, Norman McLaren; ouvi "Se bem me lembro", João de Freitas Branco,"Histórias da Música"; vi Vilaret, Mário Viegas; David Mourão Ferreira, Nemésio e Agostinho da Silva; vi Almada Negreiros; muito desporto, muitos filmes, muitos documentários...
menos, cada vez menos, vejo televisão.

premonições

Não foi premonição mas ontem falei de mimos. Hoje chegaram-me três explícitos: primeiro uma dedicatória, depois um livro, e depois um mimo dentro de outro mimo e outro dentro, uma carta muito especial.

Do livro:

Coisas de Partir

Tento empurrar-te de cima do poema
para não o estragar na emoção de ti:
olhos semi-cerrados, em precauções de tempo
a sonhá-lo de longe, todo livre sem ti.

Dele ausento os teus olhos, sorriso, boca, olhar:
tudo coisas de ti, mas coisas de partir...
E o meu alarme nasce: e se morreste aí,
no meio de chão sem texto que é ausente de ti?

E se já não respiras?Se eu não te vejo mais
por te querer empurrar, lírica de emoção?
E o meu pânico cresce: se tu não estiveres lá?
E se tu não estiveres onde o poema está?

Faço eroticamente respiração contigo:
primeiro um advérbio, depois um adjectivo,
depois um verso todo em emoção e juras.
E termino contigo em cima do poema,
presente indicativo, artigos às escuras.

Ana Luísa Amaral; Poesia Reunida 1990/2005; edições quasi

ten days of perfect tunes



DOWNLOAD AQUI

Penso que já estejam familiarizados com o site em que guardei o ficheiro. O ficheiro é .rar e tem a compilação de canções, a capa e a parte de trás do cd. Tudo feito com amor. Isto é um kit. Adoro isto, a sério. Aproveitem, divirtam-se.

Tuesday, March 06, 2007

novos mimos

Durante o dia são vários os temas que me sugerem reflexões para este blog. Vou falar de mimos. Porque agora, assim estou. Vivemos de mimos ou os mimos fazem-nos viver. Pequenos gestos de mim para os outros e dos outros para mim, mantêm-me agarrada. Circunstâncias. Todos somos circunstâncias na vida de cada um. Como diz Joseph Conrad “ Vivemos como sonhamos-sózinhos”. Eu sei. Tu decerto também sabes. Porque esta é uma ideia maior que perpassa por este blog. Mas porque o sei, quero que saibam, todos e cada um, que cada gesto que me faz lembrar que não estou sozinha é bem vindo. “Se a vida é dura e mais dura é a razão que a sustém”, como diz o Poeta, então que ela seja mais doce e mais leve pela demonstração do amor que nos agarra. Aqui, neste blog, também.
É muito importante expressá-lo, para que os outros perssintam o gesto e para que a dádiva nos fortifique. Como digo muitas vezes ( pensando nos meus filhos e não só) só quem é bem amado é bom. Com muito amor, muito carinho, somos melhores, superamo-nos.

Monday, March 05, 2007

miss u


Não costumo pôr a minha figureta neste blog, mas esta mensagem é muito muito muito importante. A todos, e os todos sabem quem são, MISS U! (Parabéns, Inês.)

Saturday, March 03, 2007

Moonless



Eclipse total da Lua.
Visto aqui, aí e em Barcelona

às vezes outra voz

É como se estivesses aqui
( quando te sei ausente)
e quando estás presente
( também te sei ausente)
distante, não indiferente.

Moldo o vazio com a luz da perda:
assim encontro a minha medida.
Tão só, tão louca, às vezes perdida.

Caminho no areal da música em tempos
medidos pelo relógio do sentimento
que ela me sugere ou activa.
Tão só, tão frágil, às vezes perdida.

O mote é ausência presente
numa casa de memórias únicas.
Viver não só nem somente:
Tão plena, tão forte, sempre diferente.

Março, o mês da Primavera


março
(é o mês da primavera)




Desculpem esta vontade estúpida de partilhar esta assimilação do momento. Às vezes os ventos de Manchester irritam-me. E voltei a adormecer, hoje de tarde, em cima da cama.

Friday, March 02, 2007

slogans

Alguns dos slogans da minha juventude acompanham-me.
“Vida sã e luta dura” é um deles. A minha adolescência caminhou a par com a revolução de Abril. Fui educada nas “escolas” da esquerda e assumi muitos princípios como princípios de vida. Com o tempo aprendi a ser mais tolerante comigo: a fazer concessões à vida sã ( as noitadas, alguns cigarros, o prazer de um bom copo, de um bom cozido…) e à luta dura ( algumas concessões ao dever pelo prazer). Quem me conhece dirá: tretas! Mas não é assim. Simplesmente as concessões são quase sempre derrapagens controladas. Quando não o são, a minha vida anda às cambalhotas! Não se dão conta disso, pois não? Sou uma boa “actriz”, excepto para aquela meia dúzia de eleitos a quem abro a minha alma. Felizmente tenho o privilégio de ter alguns amigos que me aturam.
Tudo isto para dizer que esta semana li no meu signo que deveria ter cuidado. Defendi-me. Dormi mais do que o costume, esqueci-me de algumas tarefas, conversei muito, fui menos vezes ao ginásio e à piscina e…
Hoje estou leve. Corpo? Não tenho, as minhas pernas não existem. A cabeça paira entre a terra e o céu porque tudo está em ordem.
Fui compensada por ti, e por ti também!