Tuesday, October 14, 2008
regras de boa educação
" A uma pergunta, nunca se responde com outra pergunta!". Bem visto e muito razoável, senão pensemos...
Monday, October 13, 2008
Domingo de serralves
Serralves é um sítio bestial porque se vai, quase sempre, com as melhores companhias, vê-se as melhores coisas da arte e as pessoas mais soltas e descontraídas. Serralves hoje acolheu-nos tão bem. E eu cá falo por mim, não há melhor que ser aconchegado pelos braços tão grandes e abertos das árvores e das paredes. (Mais fotografias aqui)
(Vou fazer um esforcinho por escrever uma entry sobre a magnífica exposição "Intersecções Intersectadas" de David Goldblatt, porque é, sem dúvida, um marco na minha vida recente e um exemplo do que melhor se faz no mundo. Forcem-me!)
Saturday, October 11, 2008
Flickr addicted
1. madison county, ia; 2. birdhouse; 3. meryl streep; 4. out with the old; 5. green: movie, postcar and olive oil; 6. 1010081754.jpg; 7. untitled; 8. face; 9. good morning people!; 10. untitled; 11. untitled; 12. bravooooo!; 13. full; 14. untitled; 15. circles-2; 16. paper doll #83; 17. hello!; 18. cave; 19. lops plotting her escape; 20. totally fucking ridiculous; 21. sl; 22. untitled; 23. la valse à mille temps; 24. la valse à mille temps; 25. untitled; 26. untitled; 27. life on a thread; 28. untitled; 29. untitled; 30. untitled; 31. untitled; 32. jo13; 33. banho de mar; 34. caleidoscópio i; 35. untitled; 36. untitled
Ondas
Aqui não há lugar para tudo mais... apenas para tudo o menos.
Il Gattopardo
Hoje o filme. Felizmente o TCA está a passar um ciclo de cinema italiano. Aí vou ter a possibilidade de rever alguns filmes que pontuaram o meu crescimento.
Para o bem e para o mal, não o meu crescimento ( esse, modéstia à parte foi para o bem), mas a revisão de icónes!
Hoje: Il Gattopardo. Aqui, no conta-mina, ficou o testemunho da recente leitura do romance de Giuseppe Tomasi Lampedusa: príncipe siciliano.
Lucchino Visconti, oriundo da aristocracia milanesa, realizador maior da cinematografia mundial e meu.
Depois da leitura recente do singular romance, o filme poderia ser inconsistente. Não, o filme não é o livro. O capítulo que mais me impressionou no livro não é descrito no filme: o filme não chega lá. Mas a Terra, o vento que preserva a Terra da Morte, a inalterabilidade da história, "muda-se para se ficar na mesma", a presença da história e a sua permanência feita destino, "fomos sempre colónias", o Príncipe de Salina, genialmente interpretado pelo soberbo homem, o pó…………………………….
O filme, extenso, com uma particular gestão do tempo, impõe o contexto como essencial na leitura do tema. Aquilo que pode parecer supérfluo, a mais, é fundamental para a caracterização do príncipe: e o príncipe é a Sicília. Às tantas pensava: se retirássemos tempo ao filme, se as valsas e as mazurkas fossem metades, encurtávamos o filme,mas ele seria? Ele é por aquilo que não é, como a aristocracia siciliana se define por dar importância aquilo que nós, ( os plebeus) não damos importância.
No filme faltou-me o devaneio científico do príncipe de Salina bem presente no livro!
Depois a maravilhosa valsa de Nino Rotta dá mesmo vontade de trautear tal é a familiaridade.
Friday, October 10, 2008
O Segredo de um Cuzcuz - Abedl Kechiche
Para um crítico cinematográfico será muito interessante! Para mim, amante no sentido do gozo e sem qualquer pretensão três ideias:
- Achei muito interessante a manipulação do tempo: duas ou três cenas, diálogos incessantes, repetitivos, massacrantes, exaustivos, mas muito provocadores - se encarados como um mantra chegam ao coração!
- O desempenho dos actores é excelente! não sei quem são nem se SÃO, são-no simplesmente, como se representar fosse a nossa vida.
- As filmagens, pouco fixas: não induzem, não julgam, vagueiam pelos rostos, meios rostos, locais, movimentos - tensas, perdidas, exaustivas, incessantes ---- encontradas.
Wednesday, October 08, 2008
A música certas às nove da manhã.
São aqueles bocadinhos da música certa na hora certa que tornam as manhãs preciosas e o dia comprido, leve e intemporal. São eles que fazem raiar a melancolia de mansinho e que acolhem, ao de leve, o corpo frio, enchendo tudo com um pleno vazio.
Obrigada, johnny, por hoje.
Sunday, October 05, 2008
Terra Mãe
terra: plena; cheia; madura; dádiva; abraço; berço; acolhedora; calma; parada; lenta; espectante; sábia; mãe.
hoje fui isto também: mãe: insegura deixei que a dúvida me caçasse e as lágrimas soltaram-se lentas.
viagens
“ E agora, olhando Martim, a mulher teve medo de perder este contacto insubstituível que a informava sobre a natureza mais secreta daquele homem ali em pé; e de quem, ignorando tudo, ela possuía o ilimitado conhecer que vem de se olhar e ver. Os factos tantas vezes disfarçavam uma pessoa; se ela soubesse factos talvez perdesse o homem inteiro.”
Clarice Lispector;“A maçã no escuro”; Relógio d’Água; pág 269/270
Sobre a densíssima densidade do livro, aparentemente desconexo, que frequentemente me deixa também esta sensação: mais vale lê-lo e entendê-lo como um todo, sem tentar discernir partes. A atenção sobre os factos talvez me faça perder o livro inteiro. Lê-lo embala-me e leio-o como quem embarca numa viagem sonâmbula ao centro do mundo, ao coração das trevas (humanas).
Saturday, October 04, 2008
Friday, October 03, 2008
outros doces
Comprei um melão que sabia a abóbora. Andei a comê-lo aos poucos, chamando a vocação de mãe, que aproveita tudo. Ontem de manhã comentei com a minha "empregada" o facto. Diz-me ela " Porque não faz compota?" Aqui está, e está boa, não sabe a melão nem a abóbora! Sabe a canela e limão.
Para quem "descasca" no casamento não está nada mal esta recomposição do lar, não acham?
Thursday, October 02, 2008
casamento
Prefiro ser contra o casamento. Para que é que as pessoas se casam? Para garantirem o futuro?
Nenhum papel garante o futuro... garante chatices: agarra pessoas quando elas já não querem estar agarradas; faz perder dinheiro, tempo e paciência; culpabiliza as partes; alimenta o desrespeito pelas opções individuais e trá-las ao juízo público.
Porque é que o casamento não se transforma num simples contrato, regido pelo mesmo código que os outros contratos e com liberdade de ser celebrado entre quem quer independentemente do género ou do número? Um contrato que dá benefícios fiscais a quem decide cohabitar com outro(s) e tem uma economia familiar conjunta. Sendo contrato como os outros, rescindivel a qualquer momento por acordo entre as partes.Porque não libertamos o casamento do preconceito e da matriz judaico-cristã? Se assim fosse escusavamos de andar agora a discutir na AR o casamento entre homosexuais, questão do foro íntimo que não devia ser regrada por qualquer legislação.
Primeiros restos de Outono.
Wednesday, October 01, 2008
Clarice Lispector
“Apenas isso? Quase nada! ainda rebelou-se o homem, mas meu Deus isso é quase nada.
Não, isso é muito. Porque, por Deus, havia muito mais do que isso. Para cada homem provavelmente havia um momento não identificável em que teria havido mais do que farejar: em que a ilusão fora maior que se teria atingido a íntima veracidade do sonho. Em que as pedras teriam aberto seu coração de pedra e os bichos teriam aberto seu segredo de carne e os homens não teriam sido “outros”, teriam sido “nós”, e o mundo teria sido um vislumbre que se reconhece como se se tivesse sonhado com ele; para cada homem teria havido aquele momento não identificável em que se teria aceite mesmo paciência de a monstruosa Deus? Essa paciência que permitia que homens durante séculos aniquilassem com o mesmo obstinado erro outros homens.” pág 230/1; edição Relógio de Água
Tuesday, September 30, 2008
A hora da canção (pt2)
Under my love
Wake up to your window
The day calls in billows
It’s echoing moonlight on to the blue nightmare of your heart
In cosy red rainbow
It’s shaking off halos
And the memory of our sacred so and so’s
Oh take my hand sweet
Complete your release and bury your feet
And married we'll be
Alone in receiving ours is a feeling not that they would see
They don’t know that we could be
That way your cradle escaped the sea
?
Were laying in the shadow of your family tree
Your haunted heart and me
Brought down by an old idea whose time has come
And in the shadow of the gallows of your family tree
There's a hundred hearts soar free
Pumping blood to the roots of evil to keep it young
I’ll be your mind
Is it safe to say that we’ve waited patiently
Call me on time
And well go over to nanas place disgracefully
Fall into line
There's the garden grave and a place they've saved for you
I'll fall by your side
?
Were laying in the shadow of your family tree
Your haunted heart and me
Brought down by an old idea whose time has come
And in the shadow of the gallows of your family tree
There's a hundred hearts soar free
Pumping blood to the roots of evil to keep it young
And now we’ll gather in the shadow of your family tree
In haunted harmony
Brought down by an old idea whose time has come
And in the shadow of the valley of your family tree
There's a hundred hearts soar free
Pumping blood to the roots of evil to keep us young
Friday, September 26, 2008
5.as de leitura
Gonçalo M. Tavares, jogou à defesa, preferindo uma "conferência" ao tradicional formato da entrevista, que é mais comum nestes eventos. Na conferência traduziu duas ideias em duas partes do discurso: na primeira, sobre o poder ( julgamento e punição) e na segunda, sobre o homem na era da tecnologia. Nada que me comovesse ou que me impressionasse. Competente, um pouco convencido e nada emocional: arrancou duas ou três gargalhadas tímidas à assistência ( a mim apenas sorrisos) e umas palmas por deferência, pelo menos as minhas.
De resto, não houve performances, que normalmente me surpreendem pela positiva. Bernardo Sasseti, foi pouco, muito pouco, mas valeu quase a pena pela primeira peça. A guitarra de Alexandre Soares, não me perturbou.
Caramel - Nadine Labaki
Wednesday, September 24, 2008
casamento - adopção
Não era sobre isto que ia hoje escrever… mas este tema ocupou o meu pensamento durante algum tempo o dia de hoje: o casamento homossexual e a adopção por casais homosexuais.
Antes de mais, concordo com os dois. Depois, concordo com muito mais do que isso, ou seja, acho que somos limitativos e preconceituosos nas relações funcionais e afectivas que conscientemente e socialmente admitimos: casal: homem/mulher, apenas, ou qualquer sucedâneo deste tipo, mais tolerante se for homem só ou mulher só, solteiro(a), viúvo ou viúva e menos consensual, mas já maioritariamente admissível, divorciado(a)/separado(a).
Para mim tudo é admissível. A célula base na qual se vive, ou se decide viver, pode ser homem/mulher ou pode ser homem/homem, mulher/mulher e as relações afectivas que as ligam podem ser as mais diversas, pai/filho(a); mãe/ filho(a) irmãos, amigos,… se são amantes ou não, não é para mim relevante, como também não o é, qual é natureza das suas relações. Quantos casais, que supostamente têm uma vida sexual “normal”, não se enquadram na normalidade, que provavelmente não existe em nenhum casal (o eterno problema das médias ou das normas).
Mas no meio disto tudo misturar a adopção? Parece-me completamente fora de contexto. Porque é que para adoptar se avalia a natureza das relações afectivas do(s) pai(s)? No caso de ser um casal a adoptar, avalia-se se o sexo é bom ou a quantidade de sexo, ou a capacidade de educar? Então porque é que se avalia a natureza da relação da pessoa individual, ou conjugada, que pretende adoptar?
Porque é que se mistura casamento com adopção?
Monday, September 22, 2008
Rui Paes
O que é certo é que eu, aquela que tinha tirado o avental há minutos e aberto este mesmo computador, me senti irresistivelmente atraída pela conversa do artista com Alberta Marques Fernandes no jornal da 2. O que conheço da sua produção? Algumas das ilustrações em "Pipas de Massa" que ofereci no natal de 2006 à minha sobrinha mais nova. Cativou-me a personagem e a fluência do discurso despretensioso e vivo. Parecia que estava no mais confortável dos sítios a falar para a mais antiga das suas amigas. Um discurso pouco comum em entrevistas e muito menos comum num telejornal: lúcido, coerente e imaginativo.
E a figura: homem de quarenta e muitos, meio careca, as pálpebras um pouco descaídas, alguma inércia na figura que soma o conjunto dos mais comuns atributos de homem de meia idade. Fez-me lembrar William Hurt, estranho não?
