Monday, June 02, 2008
banho de mar
" Vai entrando. A água salgadíssima é de um frio que lhe arrepia e agride em ritual as pernas.
Mas uma alegria fatal - a alegria é uma fatalidade- já a tomou, embora nem lhe ocorra sorrir. Pelo contrário, está muito séria. O cheiro é de uma maresia tonteante que a despeerta do seu mais adormecido sono secular.
E agora está alerta, mesmo sem pensar, como um pescador está alerta sem pensar. A mulher é agora uma compacta e uma leve e uma aguda - e abre caminho na gelidez que, líquida se opõe a ela, e no entanto a deixa entrar, como no amor em que a oposição pode ser um pedido secreto."
Lispector, Clarice; Uma aprendizagem ou o livro dos prazeres; Relógio de Água; pág.67
Sunday, June 01, 2008
O erro de Descartes
Porque é que a nossa cabeça está sempre a trabalhar? Não para de pensar - é preciso ter a humildade de lhe dar descanso: não somos nem a consciência, nem a salvação da humanidade.
Wednesday, May 28, 2008
concentração
Tuesday, May 27, 2008
sinais
Eu, na pacífica paz do lar, regresso ao tema de há uns dias pela leitura do artigo de opinião de Mário Soares no Diário de Notícias " Pobreza e Desigualdades" - o velhote continua lúcido!
Monday, May 26, 2008
Silêncio
Pode-se depressa pensar no dia que passou. Ou nos amigos que passaram e para sempre se perderam. Mas é inútil esquivar-se: há o silêncio. Mesmo o sofrimento pior, o da amizade perdida, é apenas fuga. Pois se no começo o silêncio parece aguardar uma resposta - como arde, Ulisses, por ser chamada a responder- cedo se descobre que de ti ele nada exige, talvez apenas o teu silêncio."
Uma aprendizagem ou o livro dos prazeres; Clarice Lispector; Relógio de Água; Maio de 1999
Sunday, May 25, 2008
contra senso
Sinto muitas vezes que vivo num mundo de disparates. Parece que perdemos o sentido de espécie, a vontade da sua perpetuação e andamos a devorar-nos uns aos outros.
Penso: eu não sou daqui!
Friday, May 23, 2008
Laços de aniversário
Wednesday, May 21, 2008
erros
Tuesday, May 20, 2008
evocação
Escavação
Numa ânsia de ter alguma cousa,
Divago por mim mesmo a procurar,
Desço-me todo, em vão, sem na
E a minh’alma perdi
Na
Brando a espa
E chama genial que tudo ousa
Unicamente à força de sonhar…
Mas a vitória fulva esvai-se logo…
E cinzas, cinzas só, em vez de fogo…
- Onde existo que não existo em mim?
………………………………………..
………………………………………..
Um cemitério falso sem ossa
Noites d’ amor sem bocas esmaga
Tudo outro espasmo que princípio ou fim…
Mário Sá Carneiro
Poemas Completos
(edição de Fernando Cabral Martins)
Retirado providencialmente da edição do poemário deste ano de 2008, porque faz todo o sentido.
Saturday, May 17, 2008
tic's
Acho que vou ver o PDM da Maia em papel se ainda existir nessa versão. Se assim não for este modo de participação é um bom modo de ninguém participar.
Friday, May 16, 2008
Silêncio
Há momentos em que é preciso o silêncio.
Será muni?
Wednesday, May 14, 2008
eva
Esta é das metáforas bíblicas que mais aparece no meu dia a dia. Não assim, evidentemente. Até porque eu sou daqueles que sou tentada e não resisto a provar, talvez por ser eva. Levarei comigo todos os Adões que quiserem. Mas às vezes, noutras circunstâncias, penso que queremos saber de mais, possuir demais, dominar de mais, e depois ficamos embaraçados nas teias da inveja, do ciúme, do poder e de outras fraquezas humanas.
Tuesday, May 13, 2008
Validades
Monday, May 12, 2008
Seria?
O que permanece. Sabemos das leis da física e da química que tudo se movimenta e se transforma e nada permanece imutável. Para além do universo ínfimo, reino imponderável da transformação, também no visível, tudo se transforma.
Sabemos que alma pesa 21 gramas - tal é a diferença de peso entre o ser vivo e o ser morto, no momento imediato ao vivo. Ou não sabemos?
Eu entendo e procuro o “algo” que identifica e que distingue cada ser: uma árvore, um pássaro, uma pedra, um rio, o arco-íris - aquilo que não muda - o imutável, o que permanece. Seria "rucshi"?
Thursday, May 08, 2008
aniversários
Mas hoje também faz anos a nossa amiga. O ano passado festejou os anos com a Joana em Inglaterra. Ainda o ano passado disse aqui que ela faz também parte de muitos dos nossos dias luminosos. Novamente e sempre muitos parabéns!
modelos
De regresso a casa. Quando estava na secretaria da Casa de Saúde da Boavista vi um paninho de crochet, nada de especial, mas cujo efeito de conjunto era muito bonito. Desenhei-o para memorizar e cheguei a casa e reproduzi-o. Não está correcto, mas já sei qual é o erro: o segredo está no modo como pegam as rosetas.
Lembrei-me da minha mãe, que sem a muleta do desenho, reproduzia panos de crochet, pontos de malha e outros modelos. Se não herdei dela as mãos de fada herdei-lhe o gosto.
Sunday, May 04, 2008
outras correntes
Ontem à noite estávamos a jantar e o fogão na cozinha deu um estouro e o exaustor desligou. Pensei que tinha avariado. Hoje descobri que não deixou de funcionar mas tinha desligado a corrente eléctrica no quadro.
É preciso ver o que se passa.
Thursday, May 01, 2008
O primeiro 1ºde Maio
“… fazia-me bem aquele ulular compassado, o braço martelado, as pernas marchando sincopadas, sentia-me respirar colectivamente, identificava-me com propósitos que desconhecia, transpessoalizava-me, como gota de água desindividualizada integrando o bloco compacto da onda direccionada por um só caminho para um só fim, fazia-me bem a despersonalização, anulando-me, prendendo-me a uma corrente colectiva, ressurgia senhora de mim, desejosa de ser como todos, igual a todos, submersa na mesma vaga, consciente de que a minha força só era força se unida à força dos outros, …”
Comecei a lê-lo ontem e acabei-o hoje. É um livro pequeno, falarei sobre ele mais tarde.
Uma Segunda Juventude e A Ilha dos Jacintos Cortados
Apetece-me escrever conjuntamente sobre “Uma segunda Juventude” e “ A ilha dos jacintos cortados” livro de Gonzalo Torrente Balester. Teria mais lógica escrever sobre o filme de Copola e o livro de Mircea Eliade que o funda, mas não li o livro e não me apetece lê-lo. Tanto o filme como o livro de Balester, têm todos os condimentos que me fazem gostar de…
não que sem uma espécie de resistência original que se vai dissolvendo com a duração do acto de ver ou do acto de ler e depois, ainda mais, quando pedaços nos assomam em confronto. As viagens no tempo, a simultaneidade de erupção de acontecimentos passados no presente, a procura do início, da razão das coisas, estão presentes nos dois objectos, combinando-os, mais o livro, com um modo leve e onírico de nos ler no mundo. No filme este voltar no tempo assume uma dimensão física que se materializa na segunda e efectiva juventude. No livro o presente é espectador do passado, ainda que se diga que passado, presente e futuro são simultâneos: a história é uma grande tela plana onde tudo se desenrola ao mesmo tempo.
No filme confesso algum cansaço. Achei-o longo e às vezes perdido em efeitos estéticos algo desconjuntados. O livro achei-o denso, mas tão agudo sobretudo na narração do presente/ presente que ainda anda por cima das mesas, das estantes, no carro, para reler passagens, que pressinto não apreendidas naquilo que (me) podem significar.
Saturday, April 26, 2008
Aviso
Friday, April 25, 2008
Wednesday, April 23, 2008
Sunday, April 20, 2008
Centro Interpretativo do Monte Padrão
A inauguração do Centro Interpretativo de Monte Córdova e reflexões à volta.
Que bom é que se façam obras fora dos centros, onde há outras pessoas que olham para a cultura erudita e para a arquitectura de outro modo - talvez com olhos perdidos e incapazes de perceberem no todo as partes. Olhos que lentamente se vão habituando à forma e à luz, e que já gostam, ainda que não entendam.
Que bom perceber que se pode encher esta sala com esta gente, para ouvir o arqueólogo falar de construção de memória, de identidade, de percepção e entendimento da história.
Que bom pensar que se pode encher mais vezes esta sala com esta gente e que só deste modo estas portas não se fecharão.
Quem contribuiu para a construção deste edifício sabe que os caminhos que trilha um arquitecto municipal, um engenheiro municipal, os construtores locais, não é fácil nem a direito: é tortuoso, implica cedências e dúvidas - dúvidas que recomeçam amanhã quando o Centro abrir as portas a um público que vai ter que conquistar.
É fácil chegar a Monte Córdova, ao Monte Padrão, ao Centro Interpretativo e ao Castro. Fica apenas a 20 minutos do Porto e é um local excelente para passeios de Verão.
Corações - Alain Resnais
Conversávamos à saída do filme: “ Não entendi nada do filme:” “ Eu também não” “ Não é especialmente bonito, não tem diálogos bons…” “ não se percebe aquela “gaja”, bíblias, igrejas e depois aquilo das cassetes” “ Depois estão sempre a dizer é tudo muito complicado, muito complicado e nunca sabemos a razão dos comportamentos, do porque é complicado”. “ Só se for para dizer como são frágeis as relações entre as pessoas.”
Vou por aí. Foi o que me ficou, algum desencanto que advém da monotonia das nossas comuns vidas, ainda que à noite, fora de horas, em frente à cama de um moribundo depravado, se vista a pele de bacante para ficcionar outro ser. Algum desconcerto perante a atitude jovem pura, em jogo de engate nocturno, escandalizada com o deleite do irmão, entradote, em frente aos vídeos oferecidos pela casta colega de trabalho.
Está bem. Talvez seja por aí que Alain Resnais nos quer levar, trocando-nos as voltas, não nos dando nada em troca, a não ser o espectáculo comum da precaridade das nossas vidas e dos nossos amores: tudo se faz e se desfaz num ápice.
Confesso que não percebo bem o louvor dos críticos.
De notar que Resnais faz este ano 86 anos.
Monday, April 14, 2008
cinema caseiro
No seu melhor porque também um filme dos melhores!
a pianista
Maria João Pires, ontem à tarde, na Casa da Música, por ocasião do quarto aniversário com Pavel Gomaziakov, no violoncelo.
Espero as críticas dos críticos, mas para mim chegou e sobrou para armazenar. Gostei também do décor: a mesa e as velas a arder e o jarro com água.
Sunday, April 13, 2008
acordo ortográfico
Há temas que arrumo, talvez por preguiça ou porque são demasiado pesados para nos metermos neles a sério. O acordo ortográfico está nesta categoria. Hoje de manhã no entanto ele entrou na minha cabeça através do debate da antena 2. É realmente um tema pesado, complexo e que, egoistamente, não me interessa muito, porque vou poder continuar a escrever como sempre até ao fim dos meus dias.
Mas intuitiva e superficialmente acho um verdadeiro contra-senso. Porque criar regras exteriores para uma língua viva? Porquê a necessidade de formatar situações que estão em mutação? Porquê o medo à mudança e à invenção? Alguma vez as diferenças ortográficas foram impedimento a que lêssemos Jorge Amado, Machado de Assis, Clarice Lispector e outros? E escritores como Mia Couto respeitam que acordo?
Como dizia Maria João Seixas é inacreditável como se vai gastar imenso dinheiro para implementar o acordo, quando nunca se fez nada para promover, desenvolver e cultivar a língua portuguesa. Disso é exemplo a actividade do Instituto Camões.
Somos assim em tudo ( este somos não sei se refere aos portugueses ou aos humanos) é-nos muito difícil defender por dentro, defender evoluindo, criando, sem medo de ser revolucionário, sem medo da mudança. Somos essencialmente conservadores e precisamos de regras ainda que seja para as transgredir a todo o momento: a regra e a transgressão fazem parte do mesmo mundo conservador – são as duas faces de uma mesma moeda.
Saturday, April 12, 2008
Toalha de chá

.jpg)
No passado domingo quando cheguei a casa dos meus pais vi esta toalha na mesa. Era a toalha do chá bordada pela minha Avó Sílvia. Lembro-me de ela a bordar: escolhia o tecido, o desenho, passava-o a papel químico, escolhia as linhas e as cores e depois iniciava a tarefa. Esta é bordada com "perelé" ( não tenho a certeza se é assim que se escreve mas é assim que se pronuncia). Foi com a minha Avó e com a minha Mãe que aprendi a bordar. Bordava paninhos para lhes oferecer nos anos e elas faziam anos seguidas: a Mãe a 19 de Março e a Avó a 21. O da Mãe era instruído pela Avó e bordado às escondidas para ela não saber e o da Avó ao contrário. Vejam o meu drama: tinha que bordar ao mesmo tempo dois paninhos, às escondidas e sem contar nada às instrutoras, que eram parte interessada.
Gostei de rever a toalha e achei-a lindíssima!
Thursday, April 10, 2008
silêncio
Mas o que é o silêncio? Neste caso são apenas ruídos ou músicas ao fundo não provocados por mim nem pela minha vontade.
Tuesday, April 08, 2008
lilases com filetes de polvo
Lilases. Os lilases são flores de arbusto que florescem na primavera. Têm um cheiro intenso. Associo-os ao domingo de ramos, quando os colhia dos lilaseiros de casa dos meus pais para os oferecer à minha madrinha, que era a minha Avó Mimi. A Avó Mimi gostava de lilases. Em minha casa tenho este pé que veio de casa dos meus pais. No domingo trouxe outro rebento, de um lilaseiro branco, para plantar no meu jardim.
PS: hoje fiz um jantar óptimo: filetes de polvo com arroz do mesmo. Que me desculpem os restaurantes e o meu querido irmão, excelente cozinheiro, mas os meus estavam mesmo muito bons. Filetes de polvo devem ser panados com pão ralado, como sempre se fez lá em casa.
Monday, April 07, 2008
Capela de Quebrantões
Obra datada ou obra intemporal? À intemporalidade aspiram as grandes obras de arte: o parténon não tem tempo, o panteon não tem tempo, o Guggenhein de Nova York não tem tempo...
Outras obras têm tempo, mas não são datadas, isto é: o tempo passa e não se desactualizam, mas são presentes, sempre no presente.
Esta capela de Quebrantões é assim, é desta categoria: não se desactualiza, não tem por onde, porque tem pouco desenho, mas é matéria, é quase só matéria: o peso da madeira, a transparência do vidro, os rasgamentos das aberturas, o peso do betão,... e nela sentimo-nos gente!
Saturday, April 05, 2008
José Fernando Gonçalves
José Fernando Gonçalves brindou-nos com a sua sabedoria e descrição tão pouco comuns nos tempos que correm. Obrigada.
Thursday, April 03, 2008
retornadas
Tuesday, April 01, 2008
Sunday, March 30, 2008
Fim de semana
Thursday, March 27, 2008
Evocações
Antes ouvira o delicioso assobio de Andreas Scholl. Já me tinham dito que ele assobiava, mas eu ainda não tinha ouvido.
Sunday, March 23, 2008
Igreja de Santa Maria
O domingo de Páscoa terminou no Marco. A porta da Igreja de Santa Maria abriu-se para deixar entrar um rasgo de crepúsculo na nave. As cruzes do compasso recolhiam. Dentro a parede grávida recolheu-nos no seu conforto. Foi a primeira vez que assisti a um ofício nesta igreja. Hoje na companhia de arquitectos que fizeram a dupla experiência: crentes (ou não) celebraram a ressurreição e absorveram os múltiplos significados da obra. Cá fora alguns foguetes iluminaram a noite.
Saturday, March 22, 2008
Ovos da Páscoa


Desde que me conheço são estes os nossos ovos da Páscoa. Nunca foram de chocolate, sempre foram ovos de gema e clara. Sempre foram tingidos desta cor, com cascas de cebola. Sempre os partimos nas cabeças uns dos outros. Eram só de uma cor, sem desenho, quando eram feitos pela R. e passaram a ter estas folhinhas quando a outra R. se lembrou, um dia, de lhes colar salsa à casca. E agora são assim. A nossa Páscoa, cá em casa e em casa dos avós, só faz sentido com estes ovos bonitos.
Frésias
Frésias. Flores que acompanham a Páscoa de cheiro intenso e fino. Há-as de várias cores: vermelhas, amarelas, liláses. As de casa dos meus pais são estas. Esta, por acaso já é de minha casa. Vieram num vaso que trazia outra planta e os bolbos das frésias também lá estavam. Depois ficaram e desdobraram-se. Agora já são alguns pés, não muitos.
São as que eu mais gosto, pequenas, delicadas de desenho, mas fortes e resistentes ao tempo, com um cheiro intensíssimo e cores suaves.
Friday, March 21, 2008
Dia Mundial da Poesia II
Dia mundial da poesia
Antes de ir passear a Santo Tirso, onde com ela se convive na rua, deixo este ofício (de poeta) de António Osório, este ano lá homenageado.
Ofício
Armazenar sofrimento.
Distribuí-lo depois
límpido.
António Osório; Casa das Sementes
Thursday, March 20, 2008
Jantar de aniversário
Monday, March 17, 2008
A minha mãe

Não temos por hábito por fotografias nossas aqui. Esta já foi há muito tempo, já não somos assim. A minha mãe tem muitas estórias, como lembrar-se sempre da roupa que vestiu em determinados dias especiais, ou como se rir com certas palavras estúpidas, até como lhe darmos mimos e ela empurrar-nos subtilmente com o braço e virar-se para o outro lado. A minha mãe faz bolos nos dias seguintes a noites do piorio. A minha mãe ri-se das desgraças. A minha mãe só pensa na piscina e no ioga. Eu e o meu pai não temos mão nela. Às vezes, a minha mãe "empequenece", com uma toalha do banho na cabeça e a cara dorida, e eu não sei muito bem o que fazer. E eu gosto muito da minha mãe. E ela muito de mim.
Sunday, March 16, 2008
Domingo de Ramos
Saturday, March 15, 2008
A maestrina
Conhecia-lhe a cara de olhos grandes e expressivos, o cabelo liso e a sua fala viva - uma mulher muito interessante. Ontem vi uma maestrina enérgica, elegante que em cada gesto excedia o próprio gesto. Frente a uma orquestra imensa, de múltiplas cores e sons, ela impunha-se com a sua leveza e emotividade. Tudo ligava.
Será esta a diferença entre uma mulher e um homem a dirigir uma orquestra: Joana Carneiro entrega-se e eleva-se em movimentos redondos e precisos sem pesar no chão - é energia pura, feita "gente".
Com Bach, eterno, celebramos a eterna páscoa. De Mahler a recordação da infância quando reconheci uma das sinfonias preferidas do meu pai - muito onírica, muito colorida, muito saltitante e ao mesmo tempo com o lado sombrio e fúnebre que sempre acompanha o autor.
Gostei
Wednesday, March 12, 2008
Muros
Quando tiver a máquina fotográfica, promoverei neste blog!
Sunday, March 09, 2008
Jardins & fotografias

A mãe estava a falar dos cantos do jardim: aquele lá em cima, encostado ao muro da casa do tio; este aqui no pátio, com azálias, tulipas e folhas de diospireiro. Estava a falar que é bom ter uma máquina para fotografar estas coisas. Eu disse que a máquina fotográfica é para se guardar as coisas boas do dia. As coisas boas do ano. As melhores coisas. Eu tenho uma máquina para isso. Maria, a tua vem a caminho. Entretanto, troca flores com a avó.
Saturday, March 08, 2008
No Country for old Men - Joel e Ethan Coen
Vamos lá fazer o exercício retrospectivo que me faz encontrar o sentido de alguma coisa. Neste caso de “No country for old men”. Saí de lá completamente vazia. Sem saber o que pensar: um filme inverosímil – não é possível matar assim sem ser apanhado e sem sequer ser perseguido !-, um filme sem moral e sem lei, sem justiça, em que a sequência fria das mortes vai dolorosamente perdendo significado. Um bom filme, excelentes imagens, excelentes sequências, um western actual, um road movie. Pode tudo fazer sentido, mas para quem não é um profissional do métier, dispensável, prescindível. Não me parece que tenha ganho grande coisa com esta ida ao cinema.
mal estar
O país está doente há já muito tempo. Um difuso mal estar -como reflectem com lucidez alguns. Mas sinto que não é apenas Portugal ( J. desafava sentado num banco de jardim em Madrid que os espanhóis são piores do que nós). Para onde fugir? Não há fuga possível a não ser dentro de nós e com aqueles que nos são próximos. Criar contra-poder, resistir, conta-minar viver o lado sério e bom da vida e simplesmente encontrar a paz a olhar para o sol que banha as árvores na proximidade da primavera.
Até sempre.
Porque ando nisto das mortes, na universidade. E porque isto é muito bem feito, apesar de custar imenso ver. E porque tem os arcade fire. E porque a optimus já não é o que era.
Thursday, March 06, 2008
comboios
O meu Avô, aquele gostava de relógios e tangerinas também gostava de comboios.
A casa, que se tornou dele quando casou com a minha Avó, é o “Paço da Marquesa” casa do séc. XVIII, que se foi transformando ao longo dos tempos e subdividindo em diversas fracções e funções: era na Rua Cimo de Vila e dava para as traseiras da estação de São Bento. O meu Avô sabia o horário dos comboios e ia frequentemente esperar a sua chegada à estação. Não ia esperar ninguém, ia simplesmente esperar o comboio e conversar com o chefe da estação e com o pessoal da CP. Aliando a paixão pelos relógios e pelas horas certas à dos comboios, determinava exactamente cada atraso na chegada.
As viagens para a Lamego eram feitas, até à Régua, de comboio. Obrigava a comitiva a estar na estação com meia hora de antecedência, para proceder calmamente à arrumação dos “volumes”: pacotes contados, para não se perder nenhum na viagem. Nestes contavam-se pelo menos um gato e um canário. Como seria de esperar há imensas peripécias à volta do transporte destes animais, que enjoavam, caíam da prateleira, mas sobreviviam sempre às quatro horas em trânsito. O meu Avô gabava-se de uma vez ter feito atrasar a saída do comboio, não por sua causa, mas porque esperava uma encomenda que se atrasou por qualquer razão circunstancial.
Havia também aquela figura dos carregadores, que transportavam as malas e tinham um número que os identificava: na Régua o arrumador da família era o 4.
Estas viagens duraram muitos anos, desde que o meu pai e as irmãs eram ainda filhos até às últimas já feitas com os netos: nós, os quatro irmãos e os meus primos.
Tuesday, March 04, 2008
_______________________
MGL, Finita
"Em toda a forma há vida e movimento, compreensão e projecto, percepção e sensibilidade."idem
Com as suas palavras vivo o meu luto hoje - nela... talvez que reencontre na dobra do destino o sentido do projecto vivo.
Monday, March 03, 2008
Maria Gabriela Llansol
Far-me-á falta ... fica a sua palavra.
Sunday, March 02, 2008
voltas de um texto
O mundo dá voltas e o texto também andou a voltear até chegar às mãos da minha mãe na loja do Avô.
Juno de Jason Reitman
Mas é por dentro de uma jovialidade permanente, de um bom humor discreto que somos transportados suavemente nesta história e postos à prova nas nossas próprias convenções.
Resta-me uma dúvida: quais os efeitos do filme na geração retratada? Será que eles percebem a subtileza do discurso sem se desresponsabilizarem?
Tuesday, February 26, 2008
infinitamente
A noite chega e nada importa. O dia passou entre esperas, compras, cozinhas, textos, filas de trânsito, o dia passou
Nada importa, porque a vida está muito para além disso: está no espaço que a gente consegue abrir dentro de nós – sempre o espaço e o tempo –
A respiração é suave e completa embora o ar não seja puro… mas será também esta a nossa condição,
não importa – tudo depende do espaço que conseguimos criar cá dentro. O infinito, o infinitamente pequeno, contraditoriamente - infinito e pequeno - por isso infinitamente grande.
Monday, February 25, 2008
Caranguejos
Sunday, February 24, 2008
A Magnólia
A exaltação do mínimo,
e o magnífico relâmpago
do acontecimento mestre
restituem-me a forma
o meu resplendor.
Um diminuto berço me recolhe
onde a palavra se elide
na matéria – na metáfora -
necessária, e leve, a cada um
onde se ecoa e se resvala.
A Magnólia,
o som que se desenvolve nela
quando pronunciada,
é um exilado aroma
perdido na tempestade,
um mínimo ente magnífico
desfolhando relâmpagos
sobre mim.
Luísa Neto Jorge
Poesia, 1960-1889
Ainda porque as magnólias enquadram os nossos dias de inverno.
Saturday, February 23, 2008
magnólias
As magnólias já lá estão. Depois do apelo de Graça Dias, traduzido no semanário de maior tiragem no país, choveram as magnólias para o pátio da Capela Mortuária de Santa Eulália, em Oliveira do Douro, projectada por José Fernando Gonçalves. Ainda pequenas, esgueiram-se para o céu e mostram as pétalas brancas e oxidadas caídas de dias no relvado. Era assim que as queria o arquitecto: pétalas brancas, puras que morrem no chão, na terra, para descanso dos olhos dos que enterram os seus mortos. Símbolos, simples e despretensiosos que nos agarram à vida nas horas de viver outras mortes.
Foi deste modo que hoje de manhã as conheci: a capela mortuária de Santa Eulália e a Capela de Quebrantões. Na pacificidade conquistada aos subúrbios, estas obras levantaram um turbilhão de perguntas e de reflexões: sobre a arquitectura, sobre o exercício da profissão, sobre as cidades e os subúrbios, sobre a morte e sobre a vida…em sábado de manhã.
No próximo dia 5 de Abril a Cultour vai com o arquitecto reconhecer estes lugares.
Sweeney Todd
Thursday, February 21, 2008
intimidade
Omitir é faltar à verdade? A intimidade implica contar tudo? A fidelidade implica abdicar da nossa intimidade pessoal?Até que ponto é importante a realização individual para o bom relacionamento a dois ou mesmo em grupo? Na actualidade este pensamento de Conie universaliza-se, no bom mas mais no mau sentido: no sentido egoísta, da desresponsabilização, na falta de investimento na verdade das relações.
Wednesday, February 20, 2008
descansos
Monday, February 18, 2008
TED - ideas worth spreading
TED
Sunday, February 17, 2008
novidades

O conta-mina mudou.
Deste modo ganhamos um novo alento para continuar com o mesmo conceito:
“Contamina - de contaminar; aquilo que contagia; por contacto ou por ideia; alastra...”
Sem preconceitos e sem pretensão: apenas para testemunhar a vida, feita de filmes, de livros, de pensamentos, de exposições, de viagens, de trabalho.
Mas sempre em volta da arte.
Afinal o que é a arte? – a não ser esta acentuação vital que nos move para a procura da luz?
O preto no fundo é uma opção prática pela poupança energética.
Com a mudança apostamos também na vossa fidelidade.
Wednesday, February 13, 2008
Guiding- architects
Sem máquina fotográfica recordarei apenas com a memória este fim de semana.
Foi o encontro anual dos Guidings-architects, este ano em Roma.
Friday, February 08, 2008
!!!
Sunday, February 03, 2008
Candelária
Candelária a chorar o inverno está a acabar."
Hoje é dia da Senhora das Candeias. A Candelária está a rir: um dia de sol intenso e céu azul: o inverno está para vir.
Desde que me lembro, sempre este provérbio serviu para aferir o futuro, pela boca da Sr.ª Rosalina e agora pelo meu hábito em lembrá-la.
Saturday, February 02, 2008
PM
Preciso de escrever sobre a polémica à volta de Sócrates. A nova polémica que confirma cada vez mais a intuição de que os valores do país se estão a mudar para muito pior.
Independentemente da maneira como O Público pega no caso, que é evidentemente na perspectiva da caça às bruxas, o que é certo é que a conduta do PM é bem representativa do nosso comportamento em sociedade. O que interessa é estar legalmente limpo e não moralmente. O que interessa é que Sócrates não recebeu dinheiro pelas actividades que exerceu e não o modo como as exerceu. O que interessa é que Sócrates afirma que é autor dos projectos que assinou e não a (não) qualidade dos projectos que assinou. O que interessa é que, quando ele era responsável pelo alvará de uma empresa de construção civil, o Instituto da Construção e do Imobiliário ainda não tinha recusado o seu nome, por lhe faltar o certificado de habilitações e não o facto de ele saber que não poderia fazê-lo sem ele.
Quem é este Primeiro Ministro de aparência tão correcta? O que mais se esconde por trás dela? Ou será que esta conduta é actualmente tida como correcta? Que o interessa é ter a papelada em dia e as desculpas encadeadas para se viver na aparência de que se é correcto.
Thursday, January 31, 2008
outrora agora
É bom ter a capacidade de ser feliz outrora agora. Ler o passado com os olhos crentes do presente, dar-lhe outras matizes, se for o caso, e recuperar com a memória o sentido e a alegria de viver. Sabedoria do tempo, coloratura do tempo... o tempo cura, o tempo engana, o tempo transforma, o tempo...
Qual de nós não olha sorridente para as lágrimas do passado que se transformam em condescêndencia e nostalgia?
Wednesday, January 30, 2008
ah - cd mix

telepopmusik | brighton beach
lykke li | little bit
cocteau twins | half-gifts
uh huh her | explode
telepopmusik | close
bonobo | silver
i love you but i've chosen darkness | long walk
uh huh her | run
cocteau twins | heaven or las vegas
brian eno | an then so clear
bardi & noemi | dream
stephanie dosen | way out
DOWNLOAD
Monday, January 28, 2008
Sunday, January 27, 2008
Pavilhão Multiusos de Gondomar
O Pavilhão não usa materiais nobres, tecnologias sofisticadas ou soluções construtivas inovadoras. É na humildade demonstrada que se releva a grandeza do projecto. Siza usou chapa pintada e caixilhos de série, blocos acústicos aparentes, monopavimentos, rebocos projectados e é com esta matéria que articula o gesto, livre mas consciente, que unifica o projecto e que o interliga com o resto da sua obra.
Siza o arquitecto que já ganhou o pritzker, o meu ídolo arquitectónico, que me habituou a granito, mármore, madeira; que me habituou a programas nobres, bibliotecas, museus, escolas, lazeres; tem neste pavilhão a humildade de usar materiais feios, com pormenores em série de desenho duvidoso, sem que isso afecte a qualidade e o empenho do seu desenho. É também a particularidade do programa: este é um programa difícil porque é um programa múltiplo. Grandes contentores com a obrigatoriedade de se encherem com múltiplos conteúdos e com a ambição de todos acolherem funcionalmente bem. Tarefa díficil e talvez impossível, mas sinal das necessidades contemporâneas.
Outra das reflexões foi gerada na sala de treinos, onde a sensação de clausura é reforçada pelas suas qualidades acústicas. A ausência de reverberação confunde a percepção da dimensão do espaço. A propagação do som dá-nos a medida do espaço. Aqui a ausência de eco fecha-nos sobre nós. Talvez não seja boa para a prática desportiva mas é, sob ponto de vista formal, um objecto notável.
Tuesday, January 22, 2008
Tangerinas
Quando eu era miúda os meus avós paternos moravam no Porto. Ao fim de semana, ao sábado ou ao domingo, vinham primeiro de autocarro e depois de eléctrico, passar a tarde à Maia. A razão da mudança de meio de transporte deveu-se ao lugar da entrada: o autocarro, o L, partia do cimo da Avenida dos Aliados e o eléctrico, o 7, partia da Praça da Liberdade. Os meus Avós moravam na rua Cimo de Vila, nº 25. A minha Avó andava mal, porque tinha bicos de papagaio, por isso custava-lhe subir a avenida e então começaram a ficar pelo 7. Esta opção implicava que o meu pai os fosse buscar à Ponte da Pedra por volta das duas da tarde, quase sempre acompanhado dos filhos ou pelo menos de alguns (somos quatro).
O Avô chegava e, nesta altura do ano, fazíamos uma digressão até à tangerineira que ficava ( e fica ainda agora já velhota e pouco fecunda) à beira do tanque de cima. Nós parecíamos macacos a correr nas bordas do tanque ou a trepar aos ramos para lhe colher as tangerinas com que ele se deleitava. Tangerinas, laranja claro, redondas e achatadas, de sabor agreste, ligeiramente doces, que espirram abundantemente quando se descascam… tangerinas que ainda hoje existem e me chamam à casa da minha infância.
O ritual terminava na sala de jantar quando a minha mãe ia buscar o "aparelho" para medir a tensão aos avós. Nós ficávamos em obrigatório silêncio à volta da mesa a observar o acto. Em silêncio mesmo, para a Mãe ouvir bem o bater do coração, primeiro da Avó e depois do Avô. Quando chegava a vez do Avô, a Mãe media uma vez e não dizia o resultado. Dizia antes: "Vamos lá a acalmar Papá!" À segunda vez os parâmetros baixavam um ou dois pontos e então a minha mãe lá comunicava o resultado ao qual juntava alguns conselhos saudáveis. Depois media-nos a nós com aquela mistura de paciência e ilusão que só as mães sabem usar.
Sunday, January 20, 2008
Expiação
Gosto de escrever sobre o que vejo e ouço sem ler a opinião dos críticos previamente. Esta é uma outra leitura, a leitura do público não especializado, a leitura do espectador amante de cinema, de música, de literatura, de pintura ou de escultura ou de… qualquer forma de arte. Arte aqui entendida como modo de expressar sentimentos e emoções através de manifestações no tempo e no espaço.
Assim será com o filme que hoje fomos ver “ Expiação” de Joe Wright. Não vou, pelas razões expostas, falar do filme como objecto fílmico. Vou falar daquilo que, ainda muito fresco, me impressionou. A cena em Dunquerque, um passageiro contra corrente, observador anestesiado do espectáculo decadente da guerra. Uma vítima da guerra e a guerra vista de outro modo, sem a coerência dos actos, mas lida nas coletaridades da vida dos homens que a fazem. Para mim um modo inovador de filmar a guerra. A atmosfera tem qualquer coisa de felininiano, nas cenas, nas filmagens, nas cores, nas personagens. Depois todas as outras interrogações bem vivas na pequena mas fulgurante intervenção de Vanessa Redegrave: o que é a verdade? De que vale a verdade? Os múltiplos modos de ler a realidade e o modo como uma leitura, verdadeira aos olhos de quem a lê, condiciona o curso da vida e como se transforma ao longo dela. A realidade da ficção, a redenção (expiação) pela ficção.
Parece-me que, não fosse alguma imaturidade no tratamento destes temas, traduzida em excessos de tempo e de imagem, ou cedência a alguns clichés e o filme seria um daqueles que eu elegeria para o patamar dos favoritos. Da música não gostei nada.
Monday, January 14, 2008
Adega Maior
Adega Maior – Campo Maior – 2003/2006
Fixar o edifício na paisagem aberta e imaculada do Alentejo constitui o primeiro desafio para o arquitecto. Foi preciso encontrar, através da leitura sensível e premonitória de que talvez só ele seja capaz, o “acidente” que determina o local certo para pousar o objecto estranho: estranho à cor, estranho à forma, estranho às culturas e construções locais. É o cruzamento de dois elementos artificiais construídos pelo homem, uma estrada e uma escavação, que dita a localização do edifício.
É uma adega, programa funcional decorrente da actividade agrícola local. A conjugação de espaços com características formais e funcionais específicas permite a articulação de escalas que, se exteriormente afirmam claramente o edifício na paisagem, internamente constroem uma sucessão de espaços sombrios e recolectores, como convém à função e à agressividade climática.
A cobertura verde e com um plano de água acentua o oásis na aridez crua da paisagem.
Sunday, January 13, 2008
manhã de chuva
A imagem gráfica que associo a este estado de introspecção profunda, é a de corpos a devorarem-se a si próprios, voltando-se do avesso, com muitas cores. A esta introspecção associo as cores e as formas da cultura pop, talvez para atenuar ou tornar mais lúdico o acto que assim descrito poderia parecer tenebroso.
A chuva parou - mas atmosfera densa mantém-se - o interior dos corpos permanece visível na impossibilidade do desfrute.
6ª Sinfonia de Bruckner
Na Casa da Música às seis da tarde, a ONP dirigida por Emilio Pomàrico.
Thursday, January 10, 2008
Pavilhão Multiusos de Gondomar
Tuesday, January 08, 2008
quando acontece
Ontem de regresso a casa, mergulhada em raciocínios complexos, num automóvel com a lotação completa, já noite e com chuva, liguei o rádio e mergulhamos todos nos acordes do segundo andamento do concerto em sol, para piano de Ravel.
Saturday, January 05, 2008
pequenos poderes
Muitos dos pequenos poderes constroem-se através do sonegar de informação. Deste modo as pessoas tornam-se imprescindíveis e não permitem que o seu trabalho seja avaliado.
Na função pública instituem-se muitos pequenos poderes que conduzem ao desespero de quem tem a obrigação e o desígnio de decidir e de quem gosta de trabalhar de um modo aberto e participado. Não pensemos que se mudaram muitas coisas após o 25 de Abril! As atitudes continuam a ser parecidas: as pessoas têm as cabeças fechadas, só pensam nelas, gostam de mandar e precisam visceralmente de ser publicamente reconhecidas. Conjugando estes vícios com uma fraca cultura de exercício do direito de manifestação e de participação, o quadro em que se move a função pública é deprimente. Junto ainda uma boa dose de machismo que anda de braço dado com o caciquismo e pronto, temos um dia a dia que só dá vontade de aspirar pelo fim de semana.
Ei-lo finalmente!
Tuesday, January 01, 2008
Paranoid Park de Gus van Sant
Aqui discordo dos críticos: para eles Gus Van Sant tem uma visão jovem, é mais um deles. Fui ao cinema com um jovem de 16 anos, tal qual o protagonista do filme. Gostou, não o inclui entre os melhores filmes do ano, talvez porque o nosso retrato nos é tão familiar que nunca nos passará pela cabeça que possa ser destacado.
Monday, December 31, 2007
paraíso
Sunday, December 30, 2007
ideias para juntar
Um único senão - alguns fantasmas do passado, desnecessários, que nos distraem o olhar da essencialidade das obras mais recentes.
(algumas coisas fizeram-me lembrar Goya - eu sei que Goya é um dos seus pintores favoritos)
Confirmo que vale a pena ver.
Álvaro Rocha, Estrada de Santiago


Fomos visitar o Avô ao hospital e, depois, fomos visitar a exposição do Avô. São muitos quadros (mais de 90?) e, como sempre, alguns desnecessários. Mas é o Avô que sabemos existir, como se estes últimos anos de pintura, em que sempre se repetiu o mais do mesmo, o tivessem feito desabar nestas coisas novas. Nunca nenhum de nós teve tanta vontade de comprar uns quadros dele. Nunca nenhum de nós suspeitou que por trás do "estou a preparar uma exposição" estivesse este conjunto de quadros tão novos. Vejam-na, está em Viana, no Centro Académico - IPVC, até 13 de Janeiro. Como assinámos no livro, "Boa, Avô!", boa!
Saturday, December 29, 2007
tempo de natal
Hoje ao almoço encontrei-me com duas amigas: uma queixava-se do dia de Natal em casa dos sogros. Castro Laboreiro, numa aldeia, longe de tudo, segundo ela. Ouvi a descrição com a reserva mental de pensar que era exactamente o que me teria apetecido! A outra, mais próxima, contava que tinha estado em frente à televisão a ver um desses filmes românticos que falam das vidas dos casais. Sózinha no conforto morno de um lar quente, tinha-se deixado chorar. Que bom! Deixar-se chorar com o filme, sem ter que controlar as lágrimas doces...
Ainda não tive a sorte de chorar lágrimas doces neste natal!
Friday, December 28, 2007
Benazir Bhutto
A morte assim mitifica ainda mais a personagem: mulher, prémio nobel, exilada, política, assassinada.
Fiquemos com o mito e glorifiquemos a mulher.
Thursday, December 27, 2007
Monday, December 24, 2007
A nossa história de Natal
Porém um telefonema aflito e atordoado de uma Avó à deriva decidiu a ida precoce. O Avô estava novamente internado no hospital. Ela estava muito confusa e não sabia bem o que se tinha passado. As compras de natal, o bulício, a obrigatoriedade de preparar a consoada em família e a solidão fizeram-na mingar, encolher perante a vida que jorra em catadupas a um ritmo que já não lhe é confortável.
No domingo, antevéspera de Natal sem projectos mas com um destino fixo, fomos a Viana - os quatro. Esperamos a hora da visita para reencontrar o Avô. Os três de cá de casa e a Avó, aqueles que partilham do seu sangue, foram vê-lo. A primeira foi a Joana, recebida por um espantado " Tu! O que fazes aqui?". No dizer deles o Avô está mais pequeno na cama do hospital. Ele vai passar o Natal no hospital.
A Avó recuperá-mo-la. Precisa de mimo, de muito mimo, dizem os netos. Vão buscá-la de tarde para o mesmo Natal, este no lado materno da família dos meus filhos.
Sunday, December 23, 2007
dia de inverno
Às vezes gostava de me expressar pelo desenho e pela pintura. As minhas ideias conformam-se em desenhos que vejo no espaço mas que não sou capaz de traduzir no papel ( ou simplesmente não tento). As minhas ideias e os meus pensamentos são essencialmente gráficos.
Hoje esteve um dia de sol óptimo e o Porto ofereceu-se aos meus passos, horas de passos que comeram lentamente distâncias, pararam, entraram, viram, falaram... em muito boa companhia.
Passeio fora dos tradicionais locais de compras de Natal, do Campo Alegre a Massarelos, pelos caminhos do romântico, de Massarelos ao Infante, ao Largo de São Domingos, Rua das Flores, Clérigos, Carmelitas, Carregal, Palácio, D. Pedro V e novamente ao Campo Alegre.
Com o declinar do dia encontrei Handel na Casa da Música, Messias em concerto do Natal.
Thursday, December 20, 2007
Muito bem feito
Talvez seja a azafama do Natal que ilude vontades e atira as pessoas para histeria colectiva. Todos os anos, ou talvez apenas nos mais recentes, tento fugir-lhe e encontrar um modo calmo de fazer as necessárias compras ou recomposições de prendas que criam o colo para bem estar na quadra... sem ser mal entendida pelos que realmente me são queridos. Estive cinco dias de férias: passeei pelas lojas ( nunca em centros comerciais gigantes), fui ao cinema, fui a Aveiro, li na cama de manhã, fiz sudokus, transportei meninos, fiz bolos, suspiros, salames, gozei os meus pais e os belíssimos cozinhados do meu irmão, fui ao yoga, conversei com amigos e hoje fui trabalhar para amanhã iniciar o fim de semana grande e festivo - muito bem feito.
Sunday, December 16, 2007
Estamos todos malucos?
Na CCDR andam a discutir medidas para melhorar a qualidade do ar. Uma delas será a de diminuir a emissão de gases provenientes da combustão de lareiras! Por um lado temos que diminuir a nossa dependência energética, temos que diminuir a dependência de energias não renováveis, temos que cumprir a regulamentação térmica, criam-se centrais de produção de biomassa e por outro proíbem ou desincentivam o aquecimento através da combustão de madeira ( será que não é o mesmo que a biomassa?). Querem taxar as lareiras domésticas e pedem às Câmaras Municipais para colaborarem nessa tarefa.
E tomem nota que este Plano de melhoria da qualidade do ar parece que é mesmo para ir para a frente!
Estamos todos malucos?
Saturday, December 15, 2007
Promessas Perigosas
Num filme em que Cronenberg nos surpreende pela "banalidade" do enredo, afinal uma história de máfia, tinha que ficar esta ponta por desvendar: mas afinal quem és tu? És bom, és mau, és julgador, és conivente, és um anjo ou és demónio? Quando tudo parecia ser claro, Nikolai surge sentado no restaurante, sem outras personagens, no lugar do antigo "padrinho" que entretanto supomos foi preso. O motorista, que se tinha infiltrado na máfia para a desvendar e destruir, que ganhou o estatuto de "filho" para ser imolado, aparece sózinho no quadro do poder e capaz de tudo, tão inexpressivo é o seu olhar.
Para além de tudo o mais um filme na tradição do bom cinema clássico, uma atmosfera pesada e redonda onde o conforto e o luxo nos fazem admitir o maquiavélico: o poder do luxo, do negro, do vício: o poder do poder.
Uma boa escolha em dia de aniversário.
Promessas Perigosas de David Cronenberg com Vigo Mortensen; Naomi Wats; Armin Mueller-Stahl
Friday, December 14, 2007
No dia do meu aniversário
Wednesday, December 12, 2007
Manoel de Oliveira
Saudável lucidez de um homem de 99 anos em entrevista ao Expresso!
Manoel de Oliveira, muitos parabéns e muitos anos de vida.









