Wednesday, November 05, 2008

Yes you can, Mr. Obama!


YES
YOU
CAN

Fico feliz por perceber que na cabeça do senhor Barack Obama, presidente eleito dos Estados Unidos da América, não caberá um chapéu de cowboy. Isso, por si só, já faz dele uma pessoa bonita e da América um país que sabe, finalmente, votar. Ar fresco. Yes you can, Mr. Obama. Yes you can, United States of America.

Tuesday, November 04, 2008

Samurai


Eis o novo hóspede - de nome Samurai!

Lua Cheia


Sunday, November 02, 2008

MGL em domingo outonal

“ Decido passar a trabalhar, a partir de Setembro, apenas (ainda) três dias por semana; queria deixar, mais do que o trabalho da quinta, as suas relações humanas; sinto-me vencida por elas - sexo, poder, inveja, confrontação, sentimentos que levados ao paroxismo de um movimento sem paragem, não estou preparada para viver. Se eu pudesse convertê-los em éter, ou tirar o hálito nauseante às bocas.”
Maria Gabriela Llansol; “Finita”; Assírio e Alvim; Edição 0065; Junho de 2005

Na ousadia de um diário, ela, apesar de vencida pelos humanos sentimentos, abre-nos a porta da casa, num vislumbre de paz. Em nenhuma escrita leio, como na sua, o som do ar e da luz, o peso da imanência, a cor do tempo físico, a pacífica melancolia da existência.

Saturday, November 01, 2008

Convento de Santo António dos Capuchos



Esqueci-me de levar a máquina fotográfica, por isso as fotografias são o que são e não espelham o lugar: o Convento de Santo António dos Capuchos em Guimarães, propriedade da Santa Casa de Misericórdia. Aliás, foi pela mão desta instituição, por sua iniciativa, competência e determinação, que ontem nos foi dado um fim de tarde e uma noite fora de comum a propósito da inauguração de um percurso museológico e do orgão ibérico, depois de restaurado. Gostei da singeleza, da escala, da discrição, do aconchego... e também o evento não andou longe disso: sem exagero elevou-se pelo bom gosto e pela simplicidade. Muito bom exemplo neste país e neste mundo de espavento oco.

Róisín Murphy live (Optimus Alive! vs. Casa da Música)



Dois concertos com condições completamente distintas: em Julho uma tenda, ainda nem era bem noite, uma barreira imensa entre o público e o palco, como em qualquer festival, e as pessoas a circular, o tempo de concerto contado até aos segundos; ontem uma sala pequena e chique cheia de pessoas que ali estavam só para a ver, sem distância entre palco e audiência, a lembrar as pequenas salas de Manchester, tarde o suficiente (muito tarde!) para tornar a coisa ainda mais sexy, mas a poder durar horas e horas. O resultado foram dois concertos distintos e sobre os quais vou tentar não escolher por ser quase impossível: um fulminante, uma rápida pastilha do melhor da pop e da performance; o outro uma injecção demorada dessa mesma pop futurista, com ligeiros intervalos para todos respirarmos, ganharmos fôlego, descansar os olhos daquela mais saborosa cabeleira loira.

Se, em Julho, Róisín Murphy trocou tantas vezes de roupa como ontem, então fê-lo mais rápido, com um ritmo estonteante, sem tempo para a música parar. Hora e meia de cantar e trocar de roupa e dançar e seduzir. E é provável que em Julho a senhora tenha mudado de roupa tantas vezes quanto ontem. Essas mudanças de roupa foram, ontem, demoradas, estudadas, com pessoas a segurar o ambiente por ela e ela a surpreender-nos sempre com uns óculos novos, ou um casaco estúpido (sendo que em róisín estúpido significa extraordinário e lindo!).

Também a diferença de público sortiu enfeito na cantora. Se em Julho tinha, à frente, maioritariamente uma enchente feminina, ontem tinha um fifty/fifty bem arrojado. Inclui: um puto de 10 anos, alguns fotógrafos, gajos de óculos de massa, um rapaz que pronto, uma gaja como eu (ou que era eu), e aqueles putos do porto pertencentes àquelas coisas ou, seja, subgrupos desta nova cultura urbana ou qualquer coisa do género (o electropop, as calças justas e cheias de cor, a tshirts com decote em v). E, em Róisín Murphy, as pessoas que se encontram à frente podem mudar um concerto, porque a senhora é provocadora, adora eye contact e até contact, puro e duro, ao que parece. Canta sempre a olhar para alguém ou quase sempre. Se no alive! visto a população feminina ornamentar toda a primeira fila e o único homem ser homossexual ela me ter eleito (e não, não estou a ser convencida) como o alvo principal dos seus olhos muitas vezes, ontem com tanto homem, só lhe apanhei os olhos a sério uma vez. Esta dispersão de olhares e atenção, no entanto, fez de ontem um concerto mais provocador. Houve mãos, houve cantar mesmo ali ao nosso lado, houve pequenos lamas a beijar meninos e quase que houve um trambolhão (e eu até já tinha esticado a minha mão para a agarrar!).

Outra das coisas que fez do concerto de ontem altamente diferente do de Julho foi a interpretação das canções e o alinhamento em si. Se no alive! tivemos hit after hit, sendo as canções lentas normalmente do último álbum (leia-se Scarlet Ribbon), e até um Forever More dos falecidos Moloko a rebentar-nos o corpo e a espalhá-lo dançante por todo o lado; ontem houve muito mais Moloko mas nenhum hit dos mesmos, muito menos Overpowered e muito mais Ruby Blue. Houve muitas canções mais lentas. Nota-se que, depois de tanto tempo em tournée com Overpowered, o espetáculo está a mudar e assumir novas formas, novos corpos, novas linhas. Assim, nenhuma das músicas foi tocada na versão original pelo que pensei, muitas vezes, estar a ouvir um concerto mixado. A Ramalama apareceu no fim a rebentar toda a sala, a fazer flashar as luzes e as pessoas e o pequeno (rama)lama que Róisín trouxe as costas.

Se me obrigarem a escolher (e isto só acontece com uma pistola encostada à cabeça ou uma faca no pescoço) escolheria o concerto do alive! como meu concerto preferido de Róisín Murphy. Mas afastando o meu coração um bocadinho, o concerto de ontem foi exemplar no que toca à pop mais refinada: bem montado, estético, provocador e sexy, todas as pessoas extremamente bonitas em palco, bem tocado. Foi até provavelmente melhor que o do alive!. Acho que tenho em mãos um daqueles concertos que cresce com o tempo e quanto mais tempo passar mais gostarei dele. Hoje acordei a pensar naquelas horas.

Só uma nota: Róisín, nós não precisamos de saber que gostas de homens ou que gostas mais do Porto do que Lisboa porque o Porto é um rapaz e Lisboa uma rapariga. És capaz de ter estripado alguns sonhos de pessoas naquela sala. Desnecessário. Provocador. Gosto. Sorriso.

Friday, October 31, 2008

Thursday, October 30, 2008

do outro lado fatih Akin

Filme de itinerários e desencontros. Filme de angústias e dores surdas, de pessoas muito queridas e mal amadas, de solidões, de indivíduos que muito têm em comum e nunca se encontram no conforto uns dos outros. Filme de olhos expressivos, doces, duros, vagos, quentes. Filme de itinerários, da Turquia à Alemanha e à Turquia, das ruas, das estradas, dos carros. Da literatura. " Como me reconheceu?" " Era a pessoa mais triste desta sala!" É assim um filme triste e de espera: ficaremos a olhar eternamente o mar.
Depois é bom rever Hanna Schigulla.

Sou cor de róis-ín!




Amanhã vou ver esta miúda, já não nos Moloko, mas ainda assim a ser extraordinária todos os dias. E tenho a certeza que vou adorar. Já no ALIVE! foi uma loucura futurista, amanhã, na casa da música, será loucura de certeza, outra vez. E é gira. E é sexy. Bastante. Muito. Go, Róisín, go!

Sunday, October 26, 2008

Parabéns ó!




Aos vinte e dois, o meu dia de anos tem vinte e cinco horas!

Friday, October 24, 2008

Peter Zumthor



Peter Zumthor é indefinível, dizem os críticos. O adjectivo que lhe encontram “certo” ou é erro de tradução ou não me parece nada adequado. “Certo” é anódino, é frio, é correcto. Zumthor é suíço, mas não anódino, frio, nem só correcto.

Dizia a Joana que Zumthor é cósmico. A Joana percebeu Zumthor melhor que os críticos. Sim Zumthor é cósmico no sentido em que percebe exactamente qual é o seu lugar no universo e o interpreta enquanto arquitecto. No exercício da profissão Zumthor deixa que a o universo fale através dele: usa a matéria, transforma-a, assumindo por vezes ele mesmo o papel de construtor, participando na construção da obra e vivendo-a.

Mas o que me impressionou mais no que vi foi a liberdade com que ele não é “certo”: ele é o que é, o que lhe apetece ser e o que o contexto humano e físico lhe sugere: por isso encontramos nas suas obras diversidade de abordagem e consequentemente diversidade expressiva. Apesar de suíço, Zumthor fala-nos da terra, das bruxas, do terror, da paz ou de amor… Zumthor é cósmico!

O Último Tango em Paris

Fui no domingo à noite rever "O Último Tango em Paris". Ia com alguma apreensão. Tinha visto o filme, talvez em 1975, no cinema, muito novinha. Há altura, o encarar o sexo fora de qualquer contexto e o evidenciar o desejo físico, foram para mim não tanto uma revelação, mas mais um desafio aos modelos - não esquecer que era a época de todas as liberdades.
Confirmei no domingo um grande filme, onde apenas as modas denunciam a época. Bertolucci um realizador ambíguo e romântico, que se compromete pessoalmente com a obra. Nos filmes de Bertolucci não conseguimos perceber a distância entre o realizador e a obra, tudo parece auto-biográfico: a maneira como filma, a música que escolhe, neste caso o argumento, tudo sublinha uma visão subjectiva e comprometida. Neste filme o grande tema do conhecimento pelo corpo, eterno tema sempre censurado, vem à luz do dia de um modo cru e sem ruído, porque todo o ruído se passa fora das quatro paredes do apartamento em trânsito, à espera de ser alugado. E ele o corpo e os corpos, são o reflexo das relações de poder, de posse, de dádiva, de morte. Tudo se perde quando os corpos ganham nome e com ele um passado que destrói qualquer vontade de futuro. Aí a universalidade da experiência choca com a minudência de uma vida banal.

Monday, October 20, 2008

Macaquinhos de imitação


Isto é o que acontece quando estamos as duas sozinhas em casa a ver o jogo duplo. Se alguém diz que sabe fazer qualquer coisa nós experimentamos para termos a certeza que também sabemos. Esperamos, no entanto, ser mais inteligentes que a senhora que disse que sabia escrever ao contrário, em espelho, porque ela não passou da primeira ronda.

Thank you Mr. Alan Fletcher

Sunday, October 19, 2008

Clarice Lispector ii

Acabei há pouco de ler "A Maçã no Escuro" de Clarice Lispector. Depois de "Uma Aprendizagem ou o Livro dos Prazeres", este voltou a tocar-me. Mais pesado, mais denso, o outro quase parecia uma novela, estrutura-se em três capítulos: Como se faz um homem; Nascimento do Herói; A Maçã no Escuro. Os títulos espelham bem o evoluir do tema, mais do que da acção, porque ela é praticamente inexistente. O tema: a destruição e a reconstituição do homem, até ao herói - senhor de si e dominador da natureza e depois a desconstrução novamente, o desajuste, a angústia do sentir fora da coincidência, a vida como se fossem diversos tempos sobrepostos num mesmo presente - incompreensível presente e incompreensível mistério o de viver em relação.
Há realmente qualquer coisa de iniciático nestes livros: uma filosofia e um sentimento que se apanha e nos envolve como se de uma membrana invisível se tratasse.

Saturday, October 18, 2008

A casa e a Música

Há algum tempo que não ia à casa da música. Hoje estive quase para não ir, mas ainda bem que fui. Nada melhor que um concerto para entrar numa introspecção centrada que nos atira para fora de nós. Não foi sempre assim e tive alguns momentos de distracção, sobretudo na primeira parte, de que gostei menos. Nela, Nicolai Lugansky, tocou Janácek e Chopin, o concerto nº3. Na segunda Liszt de que gostei muito. Não sou perita na arte para apreciar bem, mas não me soou ao tecnicismo que normalmente é apanágio dos jovens músicos, talvez não dos da escola russa.
A Casa da Música estava cheia e soube ver de dentro o cair da tarde.

Friday, October 17, 2008

...

Diz-me outra vez

Como me vês

Sem confronto

Resta a imagem

Virtual ou ao invés

Sem saber como me vês

Serei apenas miragem


Devorada pela entropia

Exagero a miopia

Poço escuro abafado

Onde a acalmia

Mais soa a enfado

Do que a qualquer

Pressentida sintonia


Rota

invertida

Desfocada

Pouco querida

Mal amada

Sem saber como me vês

Serei miragem outra vez

Thursday, October 16, 2008

Juliette

Porque é que a Juliette Grécco não vem ao Porto? O Porto não a merece, ou poucos a merecem no Porto? Que aproveite Lisboa.

De tanto olhar, tanto olhar.


A minha praia (o meu mar) é assim. A tua praia também o é, não é, Maria? O poema é do Eugénio de Andrade e foi encontrado durante o pequeno almoço silencioso de hoje.

Wednesday, October 15, 2008

Fall 08


Bom dia contamina(n)dos! Saudações, saudações! Partilho agora o meu outono em música com vossas excelências e pode ser que vos revele a playlist mais tarde! É possível que faça um cd disto em breve e, é certo, que este será endereçado a algumas das pessoas que por aqui passam. Enquanto a preguiça por aqui anda e o trabalho também, podem fazer download aqui.

(eu sei que esta entry não foi muito sã. mas que frases mais mal amanhadas! não sei que se passa.)