Saturday, December 20, 2008

natal alternativo

Só a andar contra a corrente é que a gente sobrevive! Reeditando um sábado de 2007, este ano percorremos o Porto, como só o fazemos quando estamos fora de Portugal: com olhos e coração aberto à procura das portas que se nos abrem e das paisagens que se nos apresentam.
D. Pedro V, D. Manuel II, Miguel Bombarda, Infante D. Henrique, Avenida, D. João I, Passos Manuel, Cândido dos Reis, Cordoaria, Passeio das Virtudes, Viriato, D. Manuel II, D. Pedro V - do meio-dia às 19.45 horas.
Sobrevivi à FNAC, a maior tortura do dia, para conhecer a loja da UP e aprender com a exposição de fotografia do Centro Português de Fotografia:“O Livro Vermelho de Um Fotógrafo Chinês” de Li Zhensheng.

Friday, December 19, 2008

sofrimentos

Sofrer: é emocional e também pode ser físico.
Dor: tem uma conotação física. Mas também pode haver dor só emocional?
Sofrer nunca é só físico.

Wednesday, December 17, 2008

Monday, December 15, 2008

Prendas

O que mais gosto nas prendas - de outros para mim ou de mim para outros- é o tempo que perdem ou que perco com elas. É assim que gosto de receber prendas, sem valor comercial mas com valor afectivo: prendas escolhidas e trabalhadas especial e especificamente para a pessoa: aquela, a única! É por isso especialmente gratificante recebê-las, com sentido, com dedicatórias, com o coração. Sou realmente uma mulher feliz e espero, sinceramente, fazer os outros felizes com a minha atenção feita em prendas.Recebi muitas e belas prendas: livros, música, queijo em forma de bolo de anos,chá, adereços exóticos importados de memoriais viagens, uma begónia ( planta memória das casas das nossas avós), palavras e sacos cheios de cereais e alfazema e ... uma magnífica bola de natal!

Parabéns Maria!


hoje (ontem) fizeste muitos e bons anos, não é?

Sunday, December 14, 2008

coincidências

Continuando com as coincidências:
Nada mais apropriado para comentar o meu post de ontem que este estrato que apareceu às primeiras linhas da leitura matinal:

"Façam o que fizerem os homens – diz ela-, o que sentiram quando o fizeram permanece ali. Se foi para fazer dinheiro, vai cheirar a dinheiro. É por isso que estas casas são tão feias, continuam nelas todas as economias com que as ergueram. É por isso que as catedrais são tão belas, as damas e os nobres vestidos de veludo e arminho, arrastam pedras pelas rampas. Pensa num pintor. Põe-se diante da tela com tinta no pincel. Seja o que for que se pense, quando faz o seu traço, se está cansado ou aborrecido… ali ficará. A mesma cor… mas senti-la-emos como impressões digitais, como a caligrafia. O homem é um meio para transformar as coisas num espírito e transformar o espírito nas coisas.”

Fala de Jill, personagem de
Regressa Coelho; Jonh Updike, Pág.156; Civilização Editora

Saturday, December 13, 2008

A Casa e a Música- Olivier Messiaen

Messiaen "era fascinado pelo som e a cor dos sons como um fim em si mesmo. Assim a sua música mais característica consiste em sucessões de afirmações musicais directas, sem transição." Eu gosto, eu gosto muito... e foi isso que eu ouvi, mas muito mais do que isso! Se Deus existe, e Messiaen era profundamente crente, Ele esteve presente na Casa da Música hoje de tarde. A ONP e sobretudo Stefan Asbury, foram interpretes da vontade divina feita momento. Verdadeiramente místico e telúrico o movimento que saído da terra, pela mãos dos instrumentos, nos envolveu. Nunca tinha visto de maneira tão evidente e voluntariosa o silêncio tornar-se música: o maestro obrigava ao silêncio no final de cada andamento e esses segundos/minutos de contemplação eram um tempo para além do tempo ( desconheço se eles estão inscritos na partitura).
"Et exspecto ressurectionem mortuorum" não sei se vou voltar a viver esta experiência ainda que volte a ouvir esta obra. Pena que a sala estivesse a menos de metade e eu ficasse com o bilhete por utilizar.

A Casa e a Música no Natal

Para mim hoje foi "Visions de l'Amen" de Messiaen por Nina Schumann e Luís Magalhães. Para a Maria, saberemos mais logo.

Eu gosto de diálogos. Gosto muito. E gosto das palavras. Gosto muito. E gosto de expressões e movimentos. Gosto muito. Agora imaginem as palavras mais bonitas. Messiaen são as palavras mais bonitas. Agora imaginem o diálogo mais recíproco. Visions de l'Amen é o diálogo mais recíproco. Agora imaginem os corpos mais expressivos. Nina Schumann e Luís Magalhães são os corpos mais expressivos. Agora imaginem a sala vermelha, as cadeiras pretas e roxas e aquela cortina a deixar entrar a luz retalhada e os pianos de cauda a encaixarem um no outro - uno. A minha hora do almoço de hoje foi outra vez assim, como há dois anos. Desta vez, eu sem mãe e a M. sem filha. E é Natal.

Thursday, December 11, 2008

Meryl Streep - The winner takes it all



Se o videoclip dos ABBA para a The Winner Takes it All fosse este bocado do filme, eu gostaria dos ABBA. Visto que já partilhei este bocadinho convosco torna-se quase desnecessário verem o filme (que é uma sequinha) porque esta é a melhor cena dele. A mestria da Meryl está em todo o lado.

Tuesday, December 09, 2008

Feijões

Acabei de ouvir na televisão: é um jogo a feijões em que o feijão está bastante caro. Só queria anotar isto porque é, de facto, (a)notável.

Monday, December 08, 2008

Musa


Eu não queria mesmo postar esta fotografia, mas não aguentei.

A Casa e a Música (2)




Também eu regressei à Casa em dia de muita chuva. Mais uma edição de clubbing, uma de pessoas menos conhecidas e, por isso, as salas só a metade do que se tinha visto na edição anterior.
Ólafur Arnalds acolheu-nos com o seu inglês marcado da Islândia, fez-nos sentar no chão (sentar no chão no clubbing?) e seguir com ele pelas paisagens sonoras, de cordas e teclas e batidas, da islândia. Parece-me impressionante que aquela ilha tenha uma identidade tão própria e marcada, pela qual podemos ligar todos os actos musicais de lá provenientes (björk, sigur rós, múm são os nomes sonantes, mas também estes mais pequenos) e, no entanto, cada um criar um universo constelar próprio, orbitando sobre sua própria experiência e interior. Deve ser a luz de verão e a falta dela no inverno e a neve e as termas e a pequenez das suas cidades, não sei.

Seguiram-se os The Faint e confesso que tinha feito razoavelmente mal o trabalho de casa de os conhecer, por não me chamarem especialmente. Tinha lido que eram bastante interessantes em palco e não se confirma. Se interessante é mexerem-se sempre da mesma maneira durante todas as canções então terei de reformular este conceito. Se interessante é estragar (quase) todas as músicas depois da introdução então preciso mesmo de rever o conceito de interessante. Encontrei-os aborrecidos, fazendo saltar apenas meia dúzia de pessoas mais tocadas pela música, com "style" a mais, a torná-los presunçosos, americanos foleiros e irritantes. É, no entanto, de realçar o facto de as projecções em palco dos senhores serem bastante (e aqui sim) interessantes. Mas não, não foi para mim.

E pirámo-nos para uma salinha onde tínhamos toys will be toys e claro toys! e música com brinquedos. Os rabos alapados nas escadas, esperando todas as vezes mais uma surpresa e susto vindo de um qualquer barulho estranho desencadeado por brinquedos que os meus primos tiveram. Se é música não sei. Mas é performance e deu-nos muito gozo. Se tiverem oportunidade de ver, vejam.

Com a noite a acabar, mas não a chuva, os também islândeses Gus Gus, invadiram o bar em formato dj set, abriram a pista de dança com sigur rós e abusaram bem da linha de baixo. Teria dançado muito mais não fosse o chão a colar-se às sapatilhas e o sono a começar a pesar no olhos. Mesmo assim, Gus Gus é bom.

(mais fotografias aqui. e note to self: escrever sobre o deslocamento da pop.)

A Casa e a Música

Regressei à Casa em dia de muita chuva para me acolher nos seus envolventes tentáculos: físicos e sonoros. Esperava-me Leif Ove Andsnes, até sábado, para mim totalmente desconhecido. Beethoven, Schönberg e Mussorgski preencheram o concerto, mais dois extras. Foi em Mussorgsky que o pianista mostrou o seu virtuosismo. Potente e seguro, pelo menos sob a minha perspectiva.
Fica-me no entanto uma dúvida que, suscitada por críticas de especialistas sobre outros músicos, me assaltou neste concerto. Será que o tecnicismo não se impõe à emoção e à sensibilidade?
Isto porque apesar de materialmente arrebatador o concerto não me arrebatou. Ou seria da escolha do repertório?

Saturday, December 06, 2008

Qualidade de Vida

O meu macbook pro chegou e pôs-me a pensar. Como designer, aprendi que os objectos devem facilitar-nos a vida e como pessoa aprendo que os objectos devem tornar a nossa vida mais leve, encaixar no que já temos, ser mais uma peça do puzzle. Agora, com o computador novo, parece-me tudo bastante simples, como se ele tivesse sido feito para mim e para esta casa. Também a casa parece ter sido feita para mim. E quando as coisas encaixam, a vida parece ligeiramente mais perfeita. A minha máquina fotográfica é amiga do meu computador, que é amigo da minha loiça de pequeno almoço, que é amiga do meu caderno que, por sua vez, é amigo dos meus livros. Os meus livros são amigos das minhas janelas, que são amigas das minhas pessoas, que são minhas amigas e eu sou amiga dos meus cobertores. E, assim sim, assim quero ser designer.

Friday, December 05, 2008

Balão vermelho.

O Illustration Friday pediu balão e teve balão. 
Vermelho.

Thursday, December 04, 2008

A minha vez



Granada (Alhambra), Sevilha e Mérida - particularidades!

Sevilha


dois bocadinhos menos convencionais.

Wednesday, December 03, 2008

O quadrilátero

Redes, confiança, parceria, cidades criativas, cidades inteligentes, visão estratégica. participação, liderança, redes de produção, sistemas, monitorização, inovação, cluster, pólos de competitividade, nós, talentos, expectativas, atractividade, apropriação, alavancagem, governança. Se quiseres ser moderno e ter sucesso usa estas palavras, não interessa o que querem dizer.
Assim foi o meu dia, mas não só, diverti-me imenso quando no fim da sessão o convidado para fazer a conclusão dos debates destruiu publicamente o conceito do projecto. Ainda há gente com coragem e determinação!

Mérida

Friday, November 28, 2008

iniciação

Acordei com Clarice Lispector e ela iluminou o início desta manhã cinzenta.
Agora vou deixá-la com outra para que a inicie nestas andanças.
"Não se enganava a si mesma. Era possível que aqueles momentos perfeitos passassem? Deixando-a no meio de um caminho desconhecido? Mas ela poderia sempre reter nas mãos um pouco de que agora conhecia, e então seria mais fácil viver não vivendo, mal vivendo. Mesmo que nunca mais fosse sentir a grave e suave força de existir e de amar como agora. Daí em diante ela já sabia pelo que esperar, esperar a vida inteira se necessário, e se necessário jamais ter de novo o que esperava. Moveu-se de súbito na cama porque foi insuportável imaginar por um instante que talvez nunca mais se repetisse a sua profunda existência na terra. "
"Uma Aprendizagem ou o Livro dos Prazeres", pág. 132/133