Sunday, September 20, 2009

Duas de um domingo em Berlim



(sigam o flickr, os meus passos andam por lá. por cá tudo razoável.)

Friday, September 18, 2009

flor

A casa está vazia. A flor foi transplantada para um jardim do centro da europa...que floresça.

Thursday, September 10, 2009

A fresquinha da tarde

Quando, há muitos anos, passávamos grande parte do verão em Melcões o calor via-se no ar: os contornos da aldeia tremiam quando passavam pelo filtro do ar quente. O meu avô Francisco, de barriga proeminente, camisa arregaçada e calças subidas suspensas em suspensórios, sentava-se no alpendre à espera da "fresquinha das três". Às três da tarde, invariavelmente, corria uma brisa que refrescava o corpo ... e a alma. Confirmámo-lo nós também os netos que, eram obrigados a fazer a sesta para dormir! Enganávamos as horas a contar os pregos do tecto de ripas de madeira.
Hoje o "tecto" baixou. O céu está perto. O céu está azul débil. Estamos fechados no tempo e no espaço... desta casa em Setembro do dito ano de 2009.
Às três horas correu a fresquinha da tarde.

Wednesday, September 09, 2009

Wednesday, September 02, 2009

Ladrões de palavras

As moscas andam malucas.
Jean Daniel dizia agora, em entrevista dada a Mário Soares, Sarkosy "rouba as nossas palavras mas não aplica as nossas ideias".
Ladrões de palavras, tantos...

Saturday, August 29, 2009

marmelada e geleia 2009



Aqui está o trabalho de casa.

Bibliografia

Preparo as aulas que irei começar em breve. A bibliografia é um capítulo. Ando às voltas com os livros que me vêm à memória e com outros que os autores que leio referenciam. O que leio nunca me satisfaz pelo todo. São sempre partes, experiências pessoais e limitadas, que se conceptualizam em ideias.
Penso: o conhecimento total, que nos leva à ideia total, não existe. Por isso, tudo o que leio advém da teorização/reflexão/conceptualização sobre a limitada experiência e conhecimento humanos, de quem os produz. Assim o mais relevante para a teorização é a experiência, o conhecimento empírico, transformado em conceito.
Quanto maior for a nossa experiência mais completo será o nosso conceito, mais sintética será a nossa reflexão. Com sintética refiro a complexa e condensada - simples.
Deduzo: mais importante para a produção do conceito é o método e não a experiência/ conhecimento. Se tivermos um método um modo estruturado de pensamento o resultado será sempre um conceito interessante e diferente, quanto o são as nossas histórias e contextos.
Concluo que o importante na biografia que irei utilizar é a diversidade de abordagens, o relato de experiências, matéria sobre cada qual deverá refletir para produzir os alicerces necessários à criação.

Monday, August 24, 2009

mar

Acabei ontem, hoje, pelas quatro da manhã "O Templo Dourado". Há um ano lia "O retrato de Dorian Grey". "O Templo Dourado" fez-me lembrar "O Retrato de Dorian Grey". " Do ponto de vista do conhecimento a Beleza não é nunca um consolo. Pode ser uma mulher, pode ser uma esposa, não é nunca um consolo. Porém, do casamento do conhecimento com essa Beleza que não é um consolo, alguma coisa nasce. Algo de efémero, semelhante a uma bolha, contra o qual não podemos fazer absolutamente nada. Sim, algo nasce; e é aquilo a que as pessoas chamam ARTE." Pág. 192
Hoje levei para a praia o livro e reli passagens, sob o céu cinzento que o mar absorvia todo. Mergulhei no mar, no céu e na terra, na água. Aliei conhecimento e beleza - fiquei reduzida a uma alga que se enreda no mar.

Thursday, August 20, 2009

hoje, de manhã

Como sempre ouvia a antena 2. Fiquei no parque de estacionamento até que...
" Vida intensa e breve
- pensou a lebre saltando
sobre as ervas do mundo"
assim ouvi o poema de José Agostinho Baptista. Não sei a métrica, ouvi-a deste modo e responderam-me duas das três pessoas a quem o mandei. A mensagem de uma não divulgo por descrição, a de outra divulgo:
" Caem os sonhos um a um
e o sangue estremece.
Caem e ficam no chão
De quem os morde e os esquece.

Farto da seiva, do dia
amadurece."
Eugénio de Andrade

Um dos tais momentos em que o tempo se dilata até ao infinito!

Coisas fixes que merecem ser postadas



Vanessa Redgrave no genérico Inicial do Howards End.

Tuesday, August 18, 2009

a teia

Quando a teia se aperta constrói um tecido.
Às vezes a teia deve ser larga. É bom que o seja. Cada ponto, cada entidade vagueia na teia, vê-a, deriva, dança... quando está a cair a teia aperta e a entidade agarra-se a um nó. A teia alarga, a entidade é livre, descai controladamente. Há sempre um nó por perto. A teia construímo-la e constrói-se, por si só, sem darmos conta. A teia é mais real que a entidade. A teia existe......................a entidade volatiliza-se!

Tuesday, August 11, 2009

hoje

Isto complica-se. O sol aperta. finalmente o calor de verão apela a outros hábitos...de férias! Hoje, depois de um daqueles imponderáveis a que todos, os vivos, estamos sujeitos, fui passear pela Avenida - Espaço T. Gostei.
Gostei da ideia, gostei de algumas das personalizações, sobretudo as mais conceptuais. Nomes conhecidos, desconhecidos, mas nomes. Personagens, o mais interessante é que sejam indiferentes, multi, como agora se usa, multidão. são tantos que a imagem que fica é a de tantos, apenas e somente.
Nos hiatos do dia lembrava-me do meu Tio.Da dignidade que sempre representou ( representar, até parece que era teatro!) mas não! Representou no sentido de referência. O meu tio que na festa dos cinquenta anos de casamento disse a diferença: Não te amo porque preciso de ti. Preciso de ti porque te amo. Hoje a minha tia, uma Senhora, suspirava e dizia " Não era isto que eu queria!" Ninguém deseja a morte dos que se amam.

Thursday, August 06, 2009

de musil a mishima

“ Não faço a mínima ideia!” respondi eu; e tentei descobrir quais as razões que me levavam a sentir tanta satisfação em semear a dúvida no espírito das pessoas. Para mim, pelo menos, não existia sombra de dúvida; o caso era claríssimo: os meus sentimentos também tinham o seu gaguejar! Havia sempre uma diferença temporal entre o facto e eles. Consequentemente, havia de um lado a morte de meu pai e do outro a minha tristeza, nitidamente separados, isolados, sem a mínima interferência. O mais pequeno desvio, o mais leve atraso e, infalivelmente, o facto e a reacção afectiva seriam separados, o que em mim é provavelmente um estado fundamental.
O desgosto que sinto, quando existe desgosto, cai-me em cima sem dizer “água vai!” e sem razão; é totalmente independente de um acontecimento ou de qualquer causa.” O templo Dourado; Yukio Mishima; Assírio e Alvim; pág.39/40
Vagueio nos espaços entre Musil e Mishima, apesar de tudo a todas as horas.

Tuesday, August 04, 2009

as férias dos outros

Quando todos os outros foram, estão ou vão de férias, refugio-me na ideia deque as minhas férias serão as dos outros! Complicado, muito complicado. Perspectivava uma semana em cidade da europa, à deriva lá para Outubro. Parece que não. Tudo se conjuga para me manter presa aqui pelo menos até Fevereiro de 2010.
Fugas: aproveitar ao máximo os fins de semana para banhos de mar; não faltar às aulas de yoga; guardar o máximo de tempo para ler ficção; encontrar espaços dentro do tempo.
Hoje estive meia hora dentro do carro com o livro na mão e com os ouvidos na música entrecortada por Ruy Belo: "À margem da Alegria" dedicado a Pedro e Inês.
Será que este blog continuará a ter lugar?

Tuesday, July 14, 2009

Gripe A e infografia.


Duas razões para postar isto aqui:

1. É preciso manter presente esta informação para não corrermos riscos desnecessários. E toca de continuar com a vidinha.

2. É um belo exemplo do design gráfico ao serviços da informação. O Público tem vindo a investir muito em infografias e informação estilizada que forneçam ao leitor uma ideia rápida e eficaz, assim como interessante, do assunto que este lê.

Monday, July 13, 2009

O melhor momento televisivo de (quase) sempre.

Continuando no tema político

E passo a citar o quarto comentário acerca deste artigo, feito por João Pedro Lopes:

Embora seja recorrente dizer-se que não se entende porque é Elisa Ferreira candidata a dois lugares, incompatíveis entre si. Ora sendo a tomada de posse dos eurodeputados a 13 de Julho, seguido de um período de inactividade parlamentar e assumindo funções, de forma mais intensa, em Setembro, é natural que Elisa Ferreira diga que só vai assinar. Entendi, confesso, como sinal de convicção e força. Se a ideia fosse enganar os eleitores, a candidatura à câmara do Porto seria feita depois de dia 7 de Junho, falta já muito pouco. Mas não.

Pôr-se-ia a questão de porquê então ser candidata ao Parlamento Europeu se está tão convencida da vitória no Porto. Não me cabendo a mim fazê-lo, eu tenho uma certeza, o Parlamento Europeu beneficia muito de deputados portugueses com a qualidade de Elisa Ferreira. Se Elisa não for Presidente da autarquia, inegavelmente, Portugal estará bem representado em Bruxelas e isto só era possível de uma forma: garantir aos portugueses que ela seria Eurodeputada na eventualidade de não presidir à autarquia portuense. O mesmo se passa com Ana Gomes. O Parlamento precisa destas pessoas ainda que possam agora ter optado por funções autarcas.

Mas os ataques ou críticas parecem estar apenas dirigidos a Elisa Ferreira. Mas será caso único? O que fez, tem feito e irá fazer Ilda Figueiredo? Não foi e não é ela cabeça de lista da CDU à Câmara de Gaia e igualmente ao PE? E porque não se fala?

Não se fala simplesmente porque são candidaturas, com todo respeito, inofensivas. Já a de Elisa Ferreira… em Outubro saberemos.

Vou começar a fazer política



Não sei o que será da vida nos próximos meses (estou à espera de novos desenvolvimentos no que toca a estrangeiro, empresas que se montam, etc. - ESPEREM, ISTO TAMBÉM É UMA DUPLA CANDIDATURA!) e por isso ainda não me meti mais a fundo nisto. O Porto preocupa-me, por ser a cidade onde me vivo mais, apesar de ter a casa sediada na Maia e aqui votar. O Porto preocupa-me porque depois de tantos anos de Rui Rio as pessoas continuam a não correr com o senhor e a não perceberem como ele rasga as feridas há muito a estalar. A nossa cidade sangra enquanto o senhor tapa os olhos e não toca em feridas de tamanho tamanho, como o bairro do Aleixo ou a população envelhecida, ou uma cidade todos os dias mais pequena, com menos população activa e moradora.

Sou apoiante de Elisa Ferreira, não temo dizê-lo. É mulher e sabe o que faz, tem currículo, tem ideias, tem uma rede completa de pessoas que sabem, tem postura e tem, acima de tudo, vontade. E não me venham com a história da dupla candidatura como sintoma de falta dessa vontade, porque, meus amigos, acho que o que estão a fazer é a deixarem que vos turvem os olhos (aliás como podem confirmar no final desta entrevista para o Jornal Nacional). O que tenho visto é Elisa Ferreira a tentar bordar um plano para o Porto tendo em conta os cidadãos, ouvindo-os, deixando que sejam parte activa do processo, convidando-os para conversas e trocas de opiniões. E só não vê quem foca os olhos na comunicação social, quem cede a sensasionalismo, quem não sabe ir ao sítio buscar a informação que realmente importa.

Será possível fazermos política de forma clara e directa? Sem questionarmos coisas como a disponibilidade e vontade das pessoas? Se não quisessem mesmo, estariam a desgatar-se com estas coisas? Eu digo que não, mas quem sou eu.

Outro favor, lembrem-se que, quando votam para as autárquicas, estão a escolher as pessoas para a cidade. Bem sei que todos temos vontade de dar uma lição ao Sócrates mas cada coisa é uma coisa e, com essas asneiras, podemos acabar com mais quatro anos de corridas de carros na Boavista ou com casinos em Lisboa. Separar as coisas, como na reciclagem.

Ah, e o vídeo que está ali em cima é só porque se fala do Aleixo. O senhor Rui Rio tem alguma coisa a dizer sobre o bairro? É que ainda não ouvi nada.

(Para seguir o Porto Para Todos o melhor é fazer umas visitas semanais a estes sítios: twitter, portoparatodos, youtube. É o que faço, pelo menos.)

Saturday, July 11, 2009

Mau tempo no Canal

Queria lê-lo. Comprei-o na Feira do Livro do Porto. Deu-me imenso prazer. Ao lê-lo lembrei-me de Clarice Lispector, Tomasio Lampedusa, Sophia ( para não falar dos recorrentes Eça ou Camilo que os franceses conheço mal). mar, terra, gente, gente do mar, gente mar, cucumaria abyssorum.
Foi-me um pouco difícil entrar, porque entrei pela janela. Mas à medida que o apanhei, ou me deixei apanhar, percebi (me). Aquela capacidade de ao mesmo tempo ser personagem e espectador, ser actor e dilactor, dissonâncias que encontram contraponto e morrem no âmago da maré. Excelentemente escrito. Nunca, puras descrições, me deram tanto prazer. Excelentemente inscrito no contraciclo da vida. Prolonguei uma semana o final da leitura e revolte-ei-o já muitas outras vezes. Muito bom e fez-me muito BEM.

Wednesday, July 01, 2009

Precalços

Às dezoito e quinze estava preparada para sair de casa. Tinha adiantado o jantar, posto os tachos em cima do fogão, tudo temperado e medido, para à hora aprazada ligar o lume e comer pelas 9 horas.
Às dezoito e quinze saí, entrei no carro e dei à chave e o carro fez "Clic", começou a produzir um som tipo bomba relógio e tudo apagado nos painéis de controlo. Ligo à oficina (estava a fechar) ligo ao seguro de assistência em viagem. Eficientes e simpáticos. Passados 40 minutos , depois de três telefonemas a confirmar o local e maneira de cá chegar, o reboque põe-se apitar. Saí, o condutor: tshirt caviada, moreno à trolha, bigode, barriga assinalável, faz festas à cadela e entra em acção. Abre o capôt, desata ao murro e à marretada para chegar à bateria. " D. Maria, porque é que vai à garagem da marca? Vá ao Parque Nascente, são especialistas, é mais barato e mais rápido. Eu já sei como eles são, fazem isto assim que é para irem à marca. Eu até os entendo. Tem que fazer pela vida." Puxa de bateria, liga os cabos: " D. Maria, vá lá para dentro, ligue o carro. Já dá sinal!" Desliga o cabo e fica tudo na mesma. " Se fosse ao parque nascente, ficava já com tudo resolvido. Desculpe, eu estou só a ajudar".
E lá fui no reboque para o Parque Nascente. Pelo caminho ficou apreensivo: " E se não é da bateria? Eu não sou especialista, o que aprendi foi no dia a dia. Chegamos e ele foi directo ao funcionário e disse " Trate bem esta senhora!". Assinei os papéis do transporte e desapareceu.
Quarenta minutos depois saí com uma bateria nova e com a minha querida autonomia para garantir as minhas semi-férias!