Wednesday, November 02, 2005

Sophia & a poesia

É possível que esta maneira esteja em parte ligada ao facto de, na minha infância, muito antes de eu saber ler, me terem ensinado a decorar poemas. Encontrei a poesia antes de saber que havia literatura. Pensava que os poemas não eram escritos por ninguém, que existiam em si mesmos, por si mesmos, que eram como que um elemento do natural, que estavam suspensos, imanentes. E que bastaria estar muito quieta, calada e atenta para os ouvir.

Sophia, extracto de
arte poética iv

***

Consigo imaginá-la, uma miúda quieta num canto, tão nova e já a ver a música das coisas. Com poemas a cairem-lhe nos ouvidos, para ela os escrever. A verdade é que a poesia paira no ar e basta-nos estar atentos para agarrá-la. Às vezes, agarra-se com uma fotografia, outras vezes com a memória, às vezes é um desenho, umas frases, às vezes agarra-se a poesia com um poema. Mas poucos agarraram os momentos como a Sophia.

(este post é para a Susana, que ouve a poesia suspensa no ar.*)

1 comment:

susana said...

sim, e tu. :)


(já O li, e reli, e reli.)
obrigada. tanto. *